Santander Brasil (SANB11) encara o maior teste do ano: resultado do 2T26 dirá se o pior ficou para trás
Mercado acompanha de perto o primeiro balanço sob a nova gestão de Gilson Finkelsztain e tenta entender quando a recuperação do banco deve aparecer

O Santander Brasil (SANB11) parece entrar no segundo trimestre de 2026 (2T26) disposto a aceitar um resultado mais fraco agora na expectativa de colher frutos mais adiante.
A combinação de provisões elevadas, mudanças em práticas contábeis e uma estratégia mais conservadora no crédito deve pressionar os números do período — e transformar este no trimestre mais desafiador do ano, segundo os analistas.
O consenso da Bloomberg projeta lucro líquido de R$ 3,487 bilhões, enquanto o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) deve ficar em 14,5% — ainda bem abaixo do patamar de 20% de rentabilidade que o banco pretende alcançar no médio prazo.
O Santander divulgará seu balanço amanhã (29), antes da abertura dos mercados. E, na visão dos analistas, o desafio deste trimestre vai muito além dos números.
O resultado será o primeiro grande teste para mostrar se a estratégia adotada pelo Santander começa, enfim, a preparar o terreno para uma recuperação ou apenas evidencia que o caminho ainda será mais longo do que o mercado gostaria.
Santander Brasil (SANB11) sob peso das provisões — e do write-off
A expectativa é que o principal obstáculo do Santander no trimestre atenda pelo custo de risco.
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Na avaliação do BTG Pactual, o segundo trimestre deve ser "provavelmente o período mais difícil do ano em termos de provisões".
Além da deterioração observada em alguns clientes dos segmentos corporativo e do agronegócio, o banco decidiu antecipar o reconhecimento de perdas em parte da carteira de crédito ao alterar sua política de write-off.
Cartões de crédito e empréstimos sem garantia para pessoas físicas e pequenas e médias empresas (PMEs) passarão a ser baixados para prejuízo mais cedo, enquanto operações com garantias, como crédito imobiliário e financiamento de veículos, terão prazo maior.
Na prática, a mudança gera um impacto essencialmente contábil: as provisões aumentam agora para reduzir riscos mais à frente.
Como destaca o UBS BB, a dimensão desse efeito ainda não é totalmente conhecida, mas o impacto sobre o lucro antes dos impostos (EBT) deve ser inevitável.
É por esse motivo que a XP Investimentos também classifica o Santander como o banco que deve apresentar "o trimestre mais desafiador" entre os grandes incumbentes.
O dilema entre crescer e proteger o balanço
Ao mesmo tempo em que aumenta as provisões, o Santander Brasil continua mudando o perfil da carteira de crédito.
A prioridade tem sido ampliar operações com menor risco — especialmente crédito imobiliário, financiamento de veículos e clientes de maior renda.
Segundo a XP, o crescimento da carteira deve continuar concentrado justamente nesses segmentos, enquanto o crédito consignado segue limitado pela fraca originação do INSS e pelo ritmo ainda insuficiente do consignado privado.
A questão é que essa estratégia tem um custo. Produtos com garantia normalmente oferecem spreads menores, o que reduz o potencial de expansão da margem financeira (NII).
Em outras palavras, o banco troca parte da rentabilidade por uma carteira considerada mais saudável.
"A NII com clientes deve continuar pressionada, refletindo a mudança do mix para produtos mais garantidos e os efeitos do repricing de empréstimos antigos", afirma a XP.
Nem mesmo a margem financeira de mercado — ligada às operações de tesouraria — deve ajudar muito. Embora a expectativa seja de alguma melhora, os analistas ainda projetam resultados modestos.
Santander Brasil: novo CEO, desafios antigos
O balanço também será o primeiro sob a gestão de Gilson Finkelsztain, ex-presidente da B3, que assumiu recentemente o comando do Santander Brasil.
O executivo herda uma instituição em processo de reorganização e ainda distante dos níveis de rentabilidade observados nos principais concorrentes privados.
O Goldman Sachs projeta um ROE de 13,5%, abaixo dos 16% registrados no primeiro trimestre, refletindo principalmente a continuidade da pressão provocada pelas contingências trabalhistas e pelos custos operacionais.
Alívio do Santander pode vir do imposto — e dos dividendos
Nem tudo, porém, pesa contra o Santander no 2T26. Os analistas enxergam alguns fatores capazes de amenizar parte da pressão sobre o lucro.
O principal deles é o efeito tributário decorrente da distribuição de aproximadamente R$ 2 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP).
Como o pagamento acontece sobre uma base de lucro antes dos impostos já pressionada pelas provisões, o benefício fiscal acaba sendo proporcionalmente maior.
Segundo o UBS BB, o JCP distribuído deve representar cerca de 53% do lucro esperado para o primeiro semestre, funcionando como um importante atrativo para investidores focados em renda.
A disciplina na gestão de despesas e uma alíquota efetiva de imposto ligeiramente menor também devem ajudar a limitar a deterioração dos resultados.
A XP também espera que as receitas de seguros e consórcios continuem resilientes, compensando parcialmente a fraqueza observada em outras linhas de negócio.
Vale a pena apostar em SANB11?
Apesar do valuation considerado descontado, o mercado ainda prefere esperar sinais mais claros de recuperação no Santander Brasil antes de apostar em SANB11.
Das 14 recomendações compiladas pela Bloomberg, nove são neutras, quatro são compra e uma venda.
O Goldman Sachs segue entre os mais conservadores, citando expectativas de maior pressão do custo de risco, leve piora da inadimplência, receitas mais fracas e despesas mais elevadas.
PRÉVIA DO BALANÇO
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