El Niño pode virar dor de cabeça para o Banco do Brasil (BBAS3) — mas abrir oportunidades na bolsa. Veja quem ganha e quem perde
Para XP, fenômeno climático deve pressionar alimentos e Selic, mas também mudar o mapa de vencedores e perdedores da bolsa

O Banco do Brasil (BBAS3) deve entrar na próxima temporada de balanços com um novo risco no radar. Depois de um ano marcado pelo aumento da inadimplência no agronegócio e pelo desempenho fraco das ações, o banco agora aparece entre as empresas mais expostas aos efeitos do próximo El Niño.
A avaliação é da XP Research, que vê o fenômeno climático como um novo risco para instituições com forte ligação ao campo — e um potencial divisor de águas para diversos setores da bolsa.
A expectativa é que as secas em importantes regiões produtoras pressionem o fluxo de caixa dos agricultores, elevando os riscos para a carteira de crédito do Banco do Brasil. Mas os impactos vão muito além do setor bancário.
Segundo a corretora, aquele que pode ser um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados tende a pressionar a inflação de alimentos, reduzir as chances de uma queda mais rápida da Selic e redesenhar o mapa de vencedores e perdedores da B3.
"O El Niño reforça os riscos climáticos físicos e o valor da adaptação e da resiliência corporativa", afirmam os analistas.
Para a XP, em um planeta mais quente, episódios como esse tendem a produzir impactos ainda mais severos, tornando a capacidade de adaptação um diferencial cada vez mais relevante para as empresas.
Leia Também
A conta do El Niño pode chegar ao prato (e à Selic)
Para a XP, o principal canal de transmissão do El Niño para consumidores e investidores deve ser a inflação de alimentos.
Segundo os analistas, os preços de produtos in natura, como batata, tomate e cebola, devem acelerar de forma significativa a partir do quarto trimestre de 2026, à medida que as disrupções climáticas afetam a produção agrícola.
Esse cenário poderia levar a uma interrupção do avanço do processo de desinflação e reduzir o espaço para cortes de juros, mantendo a Selic elevada por mais tempo.
"Preços mais altos de alimentos podem atrasar o processo de desinflação e manter as condições monetárias apertadas por mais tempo", afirma a equipe macro da corretora.
Quem ganha e quem perde com o El Niño? O mapa das ações da XP
Embora o cenário macro seja mais desafiador, os efeitos sobre as empresas estão longe de ser uniformes.
Na avaliação da XP, a localização geográfica das operações e o modelo de negócios serão determinantes para definir quem pode se beneficiar — e quem tende a sofrer — com as mudanças no regime de chuvas e temperaturas.
Veja as principais apostas da XP para ganhar com o El Niño:
- 3Tentos (TTEN3): É a principal aposta da corretora para esse cenário. A forte presença no Rio Grande do Sul deve permitir que a empresa aproveite as chuvas acima da média, sustentando a produtividade, a originação de grãos e as margens de esmagamento.
- Lojas Renner (LREN3): Um inverno mais ameno no Sul e no Sudeste pode favorecer o giro de estoques e acelerar a transição para as coleções de primavera/verão. Se o cenário se confirmar, as vendas nas mesmas lojas (SSS) podem atingir dois dígitos.
- Assaí (ASAI3): O atacarejo aparece como um dos nomes mais resilientes. A capacidade de repassar rapidamente a inflação de alimentos para as gôndolas tende a preservar o faturamento da companhia.
- Auren (AURE3): A empresa pode se beneficiar da posição vendida (short) em energia. A melhora da hidrologia nos reservatórios do Sul e do Sudeste tende a aumentar a oferta e pressionar os preços da energia no mercado de curto prazo (spot).
Banco do Brasil e as ações mais vulneráveis da bolsa
Do outro lado da balança estão empresas cuja exposição geográfica aumenta a sensibilidade aos efeitos do fenômeno.
- Banco do Brasil (BBAS3): A forte exposição ao agronegócio mantém o banco entre os mais sensíveis ao cenário. A concentração da carteira de crédito no Centro-Oeste e a maior volatilidade da produtividade agrícola podem pressionar o fluxo de caixa dos produtores e afetar a qualidade dos ativos da instituição.
- SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3): O principal risco está concentrado no Norte e no MATOPIBA, regiões que podem enfrentar secas mais severas e comprometer a produtividade de soja e milho.
- Hidrovias do Brasil (HBSA3): O risco está na logística. A redução das chuvas no Norte pode comprometer a navegabilidade no rio Tapajós e dificultar o escoamento da produção agrícola.
OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE
Embraer (EMBJ3) tem novo recorde na carteira de pedidos, que totalizou US$ 35,7 bilhões no 3T26; veja os números
23 de outubro de 2026 - 16:48BARATA DEMAIS?
Petz Cobasi (AUAU3) quer recomprar até 17,6 milhões de ações; o que isso significa para o acionista?
23 de outubro de 2026 - 16:21Conteúdo Empiricus
A Warner vale US$ 110 bilhões? Entenda por que saber o preço justo da sua empresa pode fazer a diferença em uma negociação
23 de outubro de 2026 - 14:00DEPOIS DO RESULTADO....
Crédito sob pressão: CEO do Bradesco (BBDC4) defende qualidade da carteira, mas mercado teme perda de ritmo
23 de outubro de 2026 - 11:46BALANÇO
Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada?
22 de outubro de 2026 - 18:07NEGÓCIO EM ANDAMENTO
CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
22 de outubro de 2026 - 17:58O QUE PESOU NO 3T26?
A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
22 de outubro de 2026 - 17:18ALTA DE 22% EM DÓLAR
Petrobras (PETR4) supera gigantes globais e emplaca a maior valorização do setor em outubro. Além do petróleo, o que está por trás?
22 de outubro de 2026 - 16:42O QUE DIZEM OS ANALISTAS?
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
22 de outubro de 2026 - 14:22PÉ NO FREIO