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NOVO PROBLEMA PARA O BB

El Niño pode virar dor de cabeça para o Banco do Brasil (BBAS3) — mas abrir oportunidades na bolsa. Veja quem ganha e quem perde

Para XP, fenômeno climático deve pressionar alimentos e Selic, mas também mudar o mapa de vencedores e perdedores da bolsa

Banco do Brasil (BBAS3).
Banco do Brasil (BBAS3). - Imagem: Rafael Alimandro/Divulgação

O Banco do Brasil (BBAS3) deve entrar na próxima temporada de balanços com um novo risco no radar. Depois de um ano marcado pelo aumento da inadimplência no agronegócio e pelo desempenho fraco das ações, o banco agora aparece entre as empresas mais expostas aos efeitos do próximo El Niño. 

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A avaliação é da XP Research, que vê o fenômeno climático como um novo risco para instituições com forte ligação ao campo — e um potencial divisor de águas para diversos setores da bolsa. 

A expectativa é que as secas em importantes regiões produtoras pressionem o fluxo de caixa dos agricultores, elevando os riscos para a carteira de crédito do Banco do Brasil. Mas os impactos vão muito além do setor bancário. 

Segundo a corretora, aquele que pode ser um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados tende a pressionar a inflação de alimentos, reduzir as chances de uma queda mais rápida da Selic e redesenhar o mapa de vencedores e perdedores da B3.  

"O El Niño reforça os riscos climáticos físicos e o valor da adaptação e da resiliência corporativa", afirmam os analistas.  

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Para a XP, em um planeta mais quente, episódios como esse tendem a produzir impactos ainda mais severos, tornando a capacidade de adaptação um diferencial cada vez mais relevante para as empresas. 

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A conta do El Niño pode chegar ao prato (e à Selic) 

Para a XP, o principal canal de transmissão do El Niño para consumidores e investidores deve ser a inflação de alimentos. 

Segundo os analistas, os preços de produtos in natura, como batata, tomate e cebola, devem acelerar de forma significativa a partir do quarto trimestre de 2026, à medida que as disrupções climáticas afetam a produção agrícola. 

Esse cenário poderia levar a uma interrupção do avanço do processo de desinflação e reduzir o espaço para cortes de juros, mantendo a Selic elevada por mais tempo. 

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"Preços mais altos de alimentos podem atrasar o processo de desinflação e manter as condições monetárias apertadas por mais tempo", afirma a equipe macro da corretora. 

Quem ganha e quem perde com o El Niño? O mapa das ações da XP

Embora o cenário macro seja mais desafiador, os efeitos sobre as empresas estão longe de ser uniformes. 

Na avaliação da XP, a localização geográfica das operações e o modelo de negócios serão determinantes para definir quem pode se beneficiar — e quem tende a sofrer — com as mudanças no regime de chuvas e temperaturas. 

Veja as principais apostas da XP para ganhar com o El Niño: 

  • 3Tentos (TTEN3): É a principal aposta da corretora para esse cenário. A forte presença no Rio Grande do Sul deve permitir que a empresa aproveite as chuvas acima da média, sustentando a produtividade, a originação de grãos e as margens de esmagamento. 
  • Lojas Renner (LREN3): Um inverno mais ameno no Sul e no Sudeste pode favorecer o giro de estoques e acelerar a transição para as coleções de primavera/verão. Se o cenário se confirmar, as vendas nas mesmas lojas (SSS) podem atingir dois dígitos. 
  • Assaí (ASAI3): O atacarejo aparece como um dos nomes mais resilientes. A capacidade de repassar rapidamente a inflação de alimentos para as gôndolas tende a preservar o faturamento da companhia. 
  • Auren (AURE3): A empresa pode se beneficiar da posição vendida (short) em energia. A melhora da hidrologia nos reservatórios do Sul e do Sudeste tende a aumentar a oferta e pressionar os preços da energia no mercado de curto prazo (spot). 

Banco do Brasil e as ações mais vulneráveis da bolsa 

Do outro lado da balança estão empresas cuja exposição geográfica aumenta a sensibilidade aos efeitos do fenômeno. 

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  • Banco do Brasil (BBAS3): A forte exposição ao agronegócio mantém o banco entre os mais sensíveis ao cenário. A concentração da carteira de crédito no Centro-Oeste e a maior volatilidade da produtividade agrícola podem pressionar o fluxo de caixa dos produtores e afetar a qualidade dos ativos da instituição. 
  • SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3): O principal risco está concentrado no Norte e no MATOPIBA, regiões que podem enfrentar secas mais severas e comprometer a produtividade de soja e milho. 
  • Hidrovias do Brasil (HBSA3): O risco está na logística. A redução das chuvas no Norte pode comprometer a navegabilidade no rio Tapajós e dificultar o escoamento da produção agrícola. 
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