Santander Brasil (SANB11) frustra expectativas no 2T26: lucro cai 17%, ROE despenca a 12,5% e provisões voltam ao radar
Lucro caiu, rentabilidade ficou abaixo da Selic e o mercado continua esperando sinais mais claros de recuperação. Veja os destaques do balanço

O Santander Brasil (SANB11) chegou à temporada de balanços carregando uma das maiores incógnitas entre os bancões: depois de meses pressionado por provisões elevadas e rentabilidade em queda, o pior finalmente ficou para trás?
Os números do segundo trimestre de 2026 (2T26), divulgados nesta quarta-feira (29), sugerem que essa resposta ainda terá de esperar.
O Santander encerrou o trimestre com lucro líquido recorrente de R$ 3,01 bilhões, um tombo de 17,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 20,4% frente aos três primeiros meses do ano.
O resultado frustrou as projeções do mercado. O consenso da Bloomberg previa um lucro médio de R$ 3,487 bilhões.
A rentabilidade do Santander também decepcionou no trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 12,5%, abaixo da expectativa de 14,5%.
Trata-se de um recuo de 3,8 pontos percentuais (p.p) na comparação anual e de 3,4 pontos frente ao trimestre anterior. O indicador também veio abaixo da taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano.
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Apesar da pressão sobre os resultados do 2T26, o Santander afirmou que manteve a estratégia dos últimos trimestres. O banco continuou a organizar a carteira. Além disso, focou no avanço da qualidade dos ativos e na recomposição da rentabilidade.
"Mantivemos nossa disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade", disse o banco, em nota no balanço.
Carteira de crédito cresce, mas Santander Brasil (SANB11) segue pisando no freio
A carteira de crédito ampliada do Santander somou R$ 714,7 bilhões, um crescimento tímido de 1,3% na comparação anual e de 5,8% em relação ao trimestre anterior.
Segundo o banco, o crescimento foi puxado pela financeira, pelas grandes empresas e pelas pequenas e médias empresas (PMEs).
Já na pessoa física, a expansão continuou seletiva. A redução das carteiras de crédito consignado e empréstimos pessoais — em linha com a estratégia de diminuir a exposição aos clientes de menor renda — foi parcialmente compensada pelo avanço do crédito imobiliário e dos cartões, principalmente entre clientes de alta renda.
O foco continua na inadimplência
Mais do que o lucro, a qualidade da carteira era o principal indicador acompanhado pelos investidores neste trimestre.
O índice de inadimplência acima de 90 dias (NPL) ficou em 3,3%, alta de 0,7 ponto percentual na comparação anual, mas estável em relação ao trimestre anterior.
Já a inadimplência de curto prazo — considerada um dos principais termômetros para os próximos trimestres — permaneceu praticamente estável.
O NPL Formation, indicador que mede a formação de novos créditos problemáticos, somou R$ 7,02 bilhões. Houve queda de 2,3% frente ao trimestre anterior e alta de 3,8% na comparação anual. Como proporção da carteira, permaneceu praticamente estável em 1%.
As despesas com provisões para perdas de crédito (PDD), porém, continuaram pressionadas. O Santander registrou R$ 7,65 bilhões em provisões contra calotes, alta de 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, houve aumento de 20,6% frente ao primeiro trimestre.
Segundo o banco, o aumento já era esperado e reflete, principalmente, reforços pontuais em operações do atacado. Além disso, indica a revisão dos critérios de baixa para prejuízo (write-off) e dificuldades concentradas em algumas carteiras.
"A dinâmica reflete um ambiente de crédito ainda desafiador, com efeitos mais concentrados em
carteiras específicas, incluindo empresas, agronegócio e segmento massivo, bem como alguns efeitos
pontuais, como a mudança na regra de baixa para prejuízo e alguns reforços de provisão para casos do
atacado", diz o banco.
Margens seguem pressionadas
A margem financeira total do Santander alcançou R$ 15,3 bilhões, leve queda de 0,4% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 3% frente aos três primeiros meses do ano.
A margem com clientes recuou 0,4%, pressionada pela mudança no mix da carteira de crédito, enquanto a margem com mercado — ligada principalmente às operações de tesouraria — caiu 1,7%.
As receitas com prestação de serviços e tarifas somaram R$ 5,3 bilhões, alta de 2,5% em relação ao segundo trimestre de 2025. A expansão foi puxada pelas receitas de cartões, administração de recursos, seguros e corretagem, com pressão de menores receitas com prestação de serviços para terceiros.
Enquanto isso, as despesas gerais chegaram a R$ 6,5 bilhões, avanço de 2,6% frente ao trimestre anterior, mas ainda crescendo abaixo da inflação.
"As eficiências decorrentes da otimização do footprint e da força de trabalho compensaram parcialmente
os maiores investimentos em tecnologia", afirma o Santander.
A estratégia de enxugamento continuou ao longo do trimestre. Na comparação com um ano antes, o Santander reduziu seu quadro em mais de 6,5 mil funcionários. Além disso, fechou 178 agências e retirou de operação mais de mil caixas eletrônicos próprios.
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