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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RESULTADO

Santander Brasil (SANB11) frustrou no 1T26? Lucro encolhe e ROE tomba além do esperado. Entenda o que explica o resultado

Em meio a um início de ano mais fraco, lucro vem abaixo do esperado e rentabilidade perde fôlego no início de 2026; veja os destaques do balanço

Camille Lima
Camille Lima
29 de abril de 2026
6:29 - atualizado às 7:17
Fachada do Santander Brasil (SANB11).
Fachada do Santander Brasil (SANB11) - Imagem: Divulgação

O Santander Brasil (SANB11) acaba de confirmar os temores do mercado: o começo de 2026 não veio fácil. O lucro líquido recorrente do banco chegou a R$ 3,78 bilhões no primeiro trimestre (1T26), queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado e de 7,3% frente ao trimestre passado

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O resultado não só ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa um lucro médio de R$ 4,066 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg, como também reforça a leitura de um início de ano mais pressionado para o setor financeiro.

É preciso destacar que os analistas já esperavam alguma pressão sobre o lucro devido à normalização da carga tributária no trimestre, após uma alíquota atipicamente mais baixa no fim de 2025, de cerca de 2,5%.

A frustração, no entanto, não ficou restrita à última linha. Do lado da rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) encerrou o trimestre em 16% — bem distante das projeções, de 17,5%. 

A cifra também representa uma queda de 1,6 ponto percentual em relação aos 17,6% registrados no trimestre anterior. Ainda assim, o indicador segue acima da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano.

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Por trás dos números, a performance reflete um cenário já esperado pelos analistas para o setor financeiro: começo de ano mais fraco, com menor atividade, alguma contração na carteira na margem e pressão persistente sobre a qualidade do crédito.

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Lupa na saúde do portfólio do Santander 

carteira de crédito ampliada do Santander cresceu 3,4% em comparação com o mesmo período de 2025, encerrando o primeiro trimestre na marca de R$ 705,5 bilhões. 

Segundo a instituição, o crescimento na base anual foi puxado por linhas mais estratégicas, como financiamento ao consumo, crédito imobiliário, cartões e pequenas e médias empresas (PMEs).

Na comparação trimestral, porém, houve leve retração de 0,4% no portfólio de crédito — movimento que o banco atribui à sazonalidade em cartões e aos efeitos da variação cambial.

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"Mantemos nossa disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade", afirmou o banco.s portfólios e rentabilidade", afirmou o banco. 

De olho em inadimplência e provisões 

Enquanto o crescimento da carteira veio com moderação, a qualidade do crédito seguiu no radar.

Nos níveis de inadimplência (NPLs), o Santander viu o índice de devedores acima de 90 dias apresentar alta de 0,6 ponto percentual na comparação anual e de 0,2 p.p no trimestre, atingindo 3,3%. 

Segundo o banco, a piora foi puxada principalmente pela carteira de Pessoa Física, especialmente nas faixas de menor renda, e por empresas de menor porte no segmento de Pessoa Jurídica.

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O indicador de "NPL formation", que é a variação do saldo de créditos em atraso, somou R$ 7,1 bilhões, um aumento de 7,6% no trimestre e de 2,7% no ano. 

Em proporção da carteira, o indicador ficou em 1,01%, levemente acima do trimestre anterior, mas praticamente estável na base anual.

Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) recuaram 0,7% no comparativo anual, mas avançaram 3,9% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 6,3 bilhões em perdas previstas no crédito ao fim de março. 

O mercado já previa um provisionamento maior no Santander neste trimestre. O banco atribui a pressão ao ambiente macroeconômico mais desafiador e ao elevado nível de endividamento das famílias, mas destaca que a gestão mais ativa de riscos e o mix da carteira ajudaram a conter uma deterioração mais acentuada.

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Essa estratégia mais conservadora — com foco em clientes de maior renda e linhas com garantia — passou a ser adotada ao longo dos últimos trimestres justamente para atravessar esse período com mais resiliência.

Por sua vez, o custo de crédito fechou em 3,73% no 1T26, praticamente estável no trimestre e no ano, impactado pela queda das despesas com provisões aliada ao movimento de crescimento moderado da carteira, de acordo com a empresa.

Outros destaques do balanço do Santander (SANB11) no 1T26

margem financeira — o indicador que reflete a receita com crédito menos os custos de captação — do Santander recuou 0,7% na comparação anual, impactada pela sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros, mas apresentou avanço de 3,1% frente ao último trimestre, para R$ 15,8 bilhões. 

Enquanto isso, a margem financeira com o mercado — que mede a remuneração do banco com as operações de tesouraria — foi negativa em R$ 771 milhões, revertendo a cifra positiva de R$ 97 milhões um ano antes, mas com melhora de 48,1% frente ao trimestre anterior. 

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A performance sequencial foi beneficiada especialmente pela sensibilidade positiva à queda da taxa de juros, menor número de dias úteis, maior accrual de títulos atrelados a inflação e maiores resultados de tesouraria, segundo o Santander.

Já a margem com clientes subiu 4,8% em relação aos últimos 12 meses, mas apresentou queda de 1,4% frente ao último trimestre, para R$ 16,5 bilhões. 

Receitas e despesas 

Do lado das comissões, a cobrança de tarifas gerou ao Santander um total de R$ 5,4 bilhões, um avanço de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Por sua vez, as despesas gerais subiram 0,9% na base anual, puxadas pelos investimentos em tecnologia, encerrando o período em R$ 6,6 bilhões. 

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Com isso, o índice de eficiência atingiu 37,7% no 1T26, uma redução de 1,1 p.p. no trimestre, apesar de avanço de 0,5 p.p. no ano. Vale lembrar que, quanto menor o índice, mais eficiente é a empresa.

"Seguimos comprometidos com o uso intensivo de tecnologia, com a gestão eficiente de custos e com olhar criterioso na otimização de nossos processos", diz o Santander.

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