Santander Brasil (SANB11) frustrou no 1T26? Lucro encolhe e ROE tomba além do esperado. Entenda o que explica o resultado
Em meio a um início de ano mais fraco, lucro vem abaixo do esperado e rentabilidade perde fôlego no início de 2026; veja os destaques do balanço

O Santander Brasil (SANB11) acaba de confirmar os temores do mercado: o começo de 2026 não veio fácil. O lucro líquido recorrente do banco chegou a R$ 3,78 bilhões no primeiro trimestre (1T26), queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado e de 7,3% frente ao trimestre passado.
O resultado não só ficou abaixo das expectativas do mercado, que previa um lucro médio de R$ 4,066 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg, como também reforça a leitura de um início de ano mais pressionado para o setor financeiro.
É preciso destacar que os analistas já esperavam alguma pressão sobre o lucro devido à normalização da carga tributária no trimestre, após uma alíquota atipicamente mais baixa no fim de 2025, de cerca de 2,5%.
A frustração, no entanto, não ficou restrita à última linha. Do lado da rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) encerrou o trimestre em 16% — bem distante das projeções, de 17,5%.
A cifra também representa uma queda de 1,6 ponto percentual em relação aos 17,6% registrados no trimestre anterior. Ainda assim, o indicador segue acima da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano.
Por trás dos números, a performance reflete um cenário já esperado pelos analistas para o setor financeiro: começo de ano mais fraco, com menor atividade, alguma contração na carteira na margem e pressão persistente sobre a qualidade do crédito.
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Lupa na saúde do portfólio do Santander
A carteira de crédito ampliada do Santander cresceu 3,4% em comparação com o mesmo período de 2025, encerrando o primeiro trimestre na marca de R$ 705,5 bilhões.
Segundo a instituição, o crescimento na base anual foi puxado por linhas mais estratégicas, como financiamento ao consumo, crédito imobiliário, cartões e pequenas e médias empresas (PMEs).
Na comparação trimestral, porém, houve leve retração de 0,4% no portfólio de crédito — movimento que o banco atribui à sazonalidade em cartões e aos efeitos da variação cambial.
"Mantemos nossa disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade", afirmou o banco.
De olho em inadimplência e provisões
Enquanto o crescimento da carteira veio com moderação, a qualidade do crédito seguiu no radar.
Nos níveis de inadimplência (NPLs), o Santander viu o índice de devedores acima de 90 dias apresentar alta de 0,6 ponto percentual na comparação anual e de 0,2 p.p no trimestre, atingindo 3,3%.
Segundo o banco, a piora foi puxada principalmente pela carteira de Pessoa Física, especialmente nas faixas de menor renda, e por empresas de menor porte no segmento de Pessoa Jurídica.
O indicador de "NPL formation", que é a variação do saldo de créditos em atraso, somou R$ 7,1 bilhões, um aumento de 7,6% no trimestre e de 2,7% no ano.
Em proporção da carteira, o indicador ficou em 1,01%, levemente acima do trimestre anterior, mas praticamente estável na base anual.
Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) recuaram 0,7% no comparativo anual, mas avançaram 3,9% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 6,3 bilhões em perdas previstas no crédito ao fim de março.
O mercado já previa um provisionamento maior no Santander neste trimestre. O banco atribui a pressão ao ambiente macroeconômico mais desafiador e ao elevado nível de endividamento das famílias, mas destaca que a gestão mais ativa de riscos e o mix da carteira ajudaram a conter uma deterioração mais acentuada.
Essa estratégia mais conservadora — com foco em clientes de maior renda e linhas com garantia — passou a ser adotada ao longo dos últimos trimestres justamente para atravessar esse período com mais resiliência.
Por sua vez, o custo de crédito fechou em 3,73% no 1T26, praticamente estável no trimestre e no ano, impactado pela queda das despesas com provisões aliada ao movimento de crescimento moderado da carteira, de acordo com a empresa.
Outros destaques do balanço do Santander (SANB11) no 1T26
A margem financeira — o indicador que reflete a receita com crédito menos os custos de captação — do Santander recuou 0,7% na comparação anual, impactada pela sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros, mas apresentou avanço de 3,1% frente ao último trimestre, para R$ 15,8 bilhões.
Enquanto isso, a margem financeira com o mercado — que mede a remuneração do banco com as operações de tesouraria — foi negativa em R$ 771 milhões, revertendo a cifra positiva de R$ 97 milhões um ano antes, mas com melhora de 48,1% frente ao trimestre anterior.
A performance sequencial foi beneficiada especialmente pela sensibilidade positiva à queda da taxa de juros, menor número de dias úteis, maior accrual de títulos atrelados a inflação e maiores resultados de tesouraria, segundo o Santander.
Já a margem com clientes subiu 4,8% em relação aos últimos 12 meses, mas apresentou queda de 1,4% frente ao último trimestre, para R$ 16,5 bilhões.
Receitas e despesas
Do lado das comissões, a cobrança de tarifas gerou ao Santander um total de R$ 5,4 bilhões, um avanço de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Por sua vez, as despesas gerais subiram 0,9% na base anual, puxadas pelos investimentos em tecnologia, encerrando o período em R$ 6,6 bilhões.
Com isso, o índice de eficiência atingiu 37,7% no 1T26, uma redução de 1,1 p.p. no trimestre, apesar de avanço de 0,5 p.p. no ano. Vale lembrar que, quanto menor o índice, mais eficiente é a empresa.
"Seguimos comprometidos com o uso intensivo de tecnologia, com a gestão eficiente de custos e com olhar criterioso na otimização de nossos processos", diz o Santander.
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