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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

O QUE ESPERAR DOS BALANÇOS

As coisas não devem melhorar tão cedo para a Raízen (RAIZ4); XP vê apenas uma ação para comprar no setor

Às vésperas dos resultados da safra 2025/2026 (3T26), a corretora rebaixou a Raízen e manteve cautela com o setor sucroenergético, por isso, a aposta do segmento veio com ressalvas

Bia Azevedo
Bia Azevedo
6 de fevereiro de 2026
16:00 - atualizado às 15:16
Fachada da Raízen roxa e branca
Imagem: Divulgação

Com o radar ligado para a próxima leva de balanços do setor de açúcar e etanol, a XP Investimentos resolveu passar um pente-fino nas teses para essas ações. Os analistas da corretora rebaixaram a Raízen (RAIZ4) de compra para neutro, com corte do preço-alvo de R$ 2,70 para R$ 1,10 — o que ainda implica uma alta potencial de quase 30% frente ao fechamento de quinta-feira (5).

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No mesmo relatório, a XP elevou o preço-alvo da São Martinho (SMTO3) de R$ 13,90 para R$ 14,80, o que representa um avanço de 1,1% em relação ao último fechamento. A recomendação neutra para o papel foi mantida.

A Jalles Machado (JALL3) seguiu como a única indicação de compra da XP, mesmo após o corte do preço-alvo pela metade, de R$ 9,50 para R$ 4,10 — o que ainda implica um potencial de valorização de cerca de 40%.

A visão mais construtiva no longo prazo está ligada à expectativa de ganho gradual de escala e eficiência da Usina Santa Vitória, que ainda atravessa sua fase de maturação operacional e tende a contribuir mais para os resultados ao longo do tempo.

Apesar disso, diante de fundamentos setoriais desafiadores, a XP avalia que a geração de fluxo de caixa livre (FCF) e o valuation da Jalles devem permanecer pressionados nos próximos anos.

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Na semana que vem, as usinas começam a divulgar os números do terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26), e a expectativa da XP é de um desempenho neutro para o setor.

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Cabe lembrar que o setor sucroenergético não segue o ano-calendário tradicional na divulgação de seus resultados. As usinas reportam números com base na safra, que atravessa dois anos, e em trimestres ligados ao ciclo de moagem da cana, motivo pelo qual as empresas apresentarão os números do 3T26.

O que esperar da Raízen?

Para o time de análise, a tese de investimento da Raízen tornou-se cada vez mais complexa e arriscada.

No curto prazo, os analistas seguem projetando queima de caixa e um consequente aumento da alavancagem, mesmo após iniciativas consideradas positivas de reciclagem de portfólio.

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Os resultados recentes, no entanto, têm sido mais encorajadores, especialmente em função da melhora das margens na operação de Distribuição de Combustíveis no Brasil, além de reduções em despesas gerais e administrativas e investimentos.

“Ainda assim, acreditamos que as ações da Raízen dificilmente devem negociar com base em fundamentos enquanto o mercado aguarda maior clareza sobre vendas adicionais de ativos e/ou injeções de capital, bem como sobre a consequente desalavancagem do balanço”, afirma a XP.

A expectativa é de continuidade da recuperação operacional, apesar dos desafios nos negócios de açúcar e etanol, impulsionada principalmente pelo forte desempenho da unidade de Distribuição de Combustíveis no Brasil.

No consolidado, a XP projeta queda de 6% na receita líquida na comparação anual e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 3,6 bilhões, avanço de 17% frente ao mesmo período do ano anterior, refletindo melhora generalizada de margens.

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As expectativas para a São Martinho

Do ponto de vista setorial, os analistas esperam que o etanol de milho ganhe participação frente ao etanol de cana nos próximos anos, em função da maior competitividade.

Embora ainda seja cedo para conclusões definitivas, a corretora acredita que players menos competitivos da cana-de-açúcar tendem a reduzir escala ao longo do tempo, o que pode beneficiar, no longo prazo, um operador de primeira linha como a São Martinho.

No curto prazo, porém, a geração de fluxo de caixa livre deve permanecer pressionada por fundamentos desafiadores e pelos investimentos da companhia em etanol de milho, o que também tende a impactar negativamente a alavancagem e o valuation.

“Como resultado, esperamos uma reversão na geração de fluxo de caixa livre apenas em 2028 ou 2029, quando a expansão do etanol de milho deve atingir cerca de 85% da capacidade total”, dizem os analistas.

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Para o terceiro trimestre de 2026, a XP projeta queda de 6% na receita líquida na comparação anual, uma vez que preços mais baixos do açúcar e menores volumes de açúcar e etanol devem compensar preços mais elevados do etanol.

“Esperamos que a Raízen concentre as vendas do segundo semestre no 4T26. Projetamos Ebit [lucro antes de juros e impostos] e Ebitda ajustado em queda de 36% e 21% em relação ao ano anterior, respectivamente, em função de custos caixa unitários mais elevados, decorrentes da menor diluição de custos.”

Jalles Machado

Após um ano difícil, marcado por adversidades climáticas que levaram a Jalles a apresentar desempenho inferior a um setor já fragilizado, os analistas esperam melhora dos resultados na próxima safra, favorecida por uma base de comparação mais fraca.

Ainda assim, a XP reduziu as estimativas de Ebitda ajustado e Ebit ajustado para 2026 e 2027 em 21% e 7%, respectivamente.

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Em relação aos pares, a estratégia considerada assertiva da Jalles de proteção de preços — com 75% do açúcar disponível para 2026 e 2027 travado a valores cerca de 20% acima dos níveis atuais — deve contribuir para um desempenho relativo superior.

“Esperamos que o aumento dos preços do etanol não seja suficiente para compensar os menores volumes, decorrentes da menor disponibilidade de produtos e dos preços mais baixos do açúcar. Nesse contexto, projetamos queda de 28% na receita líquida na comparação anual.”

Combinado a custos caixa unitários mais elevados, em função da menor diluição de custos, a XP projeta recuo de 14% no Ebitda ajustado e de 40% no Ebit ajustado, ambos na comparação anual.

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