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Karin Salomão

Karin Salomão

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.

MENOR E MAIS LEVE

Americanas (AMER3) sai da recuperação menor e com foco em lojas físicas; ela tem forças para correr atrás da concorrência?

No entanto, enquanto ela olhava para dentro de seu negócio, as concorrentes se movimentavam. Agora, ela precisará correr se quiser se manter como uma competidora relevante no jogo do varejo brasileiro

Karin Salomão
Karin Salomão
26 de março de 2026
15:03 - atualizado às 14:30
Logo da Lojas Americanas com gráfico de cotação de ações no fundo
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Três anos depois de um dos maiores escândalos corporativos brasileiros, a Americanas (AMER3) pede para sair da recuperação judicial com caixa líquido positivo, uma redução brutal no endividamento e dezenas de lojas a menos.

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Menor e mais leve, ela vendeu sua rede de franquias, está em processo de desinvestimento da rede de hortifrutis e repensou todo o seu ecossistema. O plano é chegar aos 100 anos, em 2029, completamente renovada.

Segundo o Fernando Dias Soares, CEO da empresa desde outubro do ano passado, os corredores da empresa estão em festa hoje, depois do anúncio do fim da RJ, disse ele, na teleconferência de resultados do 4T25.

SAIBA MAIS: Prio (PRIO3) é apenas uma das indicações da Empiricus Research para investir em ações neste mês. Veja todas as recomendações dos analistas no SD Select. 

"Em 2025, especialmente no último trimestre, aceleramos esse movimento para assegurar a virada para uma empresa eficiente, mais leve e focada no atendimento de excelência a nossos mais de 40 milhões de clientes ativos", disse a empresa, na divulgação de resultados.

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No entanto, enquanto ela olhava para dentro de seu negócio, as concorrentes se movimentavam. Agora, ela precisará correr se quiser se manter como uma competidora relevante no jogo do varejo brasileiro.

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Além disso, precisará se esforçar para mostrar que de fato virou a página da fraude contábil de mais de R$ 25 bilhões para reconquistar os investidores. Hoje, a empresa não tem nenhuma cobertura de analistas consistente. Todos os bancos que emitiam pareceres sobre a varejista estão com sua tese em revisão.

Receitas

Em 2021, a receita líquida foi de R$ 22,52 bilhões, já com os ajustes. A margem bruta foi de 17,3%. Já em 2022, a receita líquida atingiu R$ 25,81 bilhões, com margem bruta de 19,5%.

A empresa reduziu bastante as suas vendas e receitas nos anos seguintes. O valor geral de vendas (GMV) de 2025 foi de R$ 17,01 bilhões, com margem bruta de 27%, e as receitas líquidas chegaram a R$ 12,31 bilhões no ano. Ou seja, as receitas encolheram quase R$ 10 bilhões, mas a margem melhorou de forma significativa.

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Lojas e clientes

A empresa encerrou 2025 com 1.470 lojas, sendo 906 convencionais e 564 “express”, ante 1.587 em 2024 e mais de 1.600 em 2022. A Ame, que era a fintech da empresa e ajudava a sustentar parte das vendas, foi completamente desativada.

A principal diferença é nos canais de venda. Enquanto em 2022 54% das vendas vinham do canal online, ano passado essa fatia foi de apenas 5%. De acordo com Soares, o foco agora são as lojas físicas. A empresa revisitou completamente seu próprio catálogo online, e no 3P tem foco apenas em parceiros estratégicos.

Prejuízo

Se as receitas diminuíram, o prejuízo também encolheu, com melhora na eficiência da empresa.

O prejuízo líquido foi de R$ 6,24 bilhões em 2021 - havia sido informado inicialmente um lucro líquido de R$ 544 milhões. Os principais ajustes foram no Ebitda, com uma depreciação maior e um resultado financeiro pior, e maior imposto a pagar.

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Já em 2022, o prejuízo praticamente dobrou, para R$ 12,91 bilhões, e um Ebitda negativo de R$ 2,93 bilhões, resultado de fraco desempenho operacional, elevada despesa financeira e relevantes lançamentos extraordinários, explicou a empresa.

Já em 2025, o prejuízo foi de R$ 271 milhões ao final do ano, o que inclui uma perda de R$ 369 milhões nas operações descontinuadas.

Dívidas

O endividamento da empresa também subia ano a ano. Apenas de 2021 a 2022, houve aumento de R$ 15,6 bilhões na dívida bruta da companhia.

Só no curto prazo, ela tinha R$ 37,33 bilhões a pagar ao final de 2022. O endividamento com risco sacado, de curto prazo, batia R$ 15,91 bilhões, ela tinha R$ 17,39 bilhões em empréstimos e financiamentos de curto prazo e R$ 5,36 bilhões em debêntures de curto prazo emitidos.

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Não havia nenhuma dívida mais alongada. Com as disponibilidades da empresa, caixa e contas a receber, a dívida líquida em 2022 era de R$ 26,29 bilhões.

Já em 2025, havia apenas dívidas de longo prazo, com R$ 1,99 bilhão em debêntures. Somando as disponibilidades da empresa e das contas a receber de cartão de crédito, o caixa líquido da empresa era de R$ 488 milhões ao final de 2025.

Considerando os passivos remanescentes do Plano de Recuperação Judicial, o saldo de caixa líquido era de aproximadamente R$ 46 milhões ao final de 2025.

Esse caixa líquido foi um fator bastante mencionado durante a teleconferência de resultados da empresa por Sebastien Durchon, CFO e diretor de relações com investidores que assumiu em dezembro, substituindo Camille Faria, que deixou a empresa após três anos.

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Tamanho da Americanas

Quando a empresa pediu socorro, ela estava no meio de um processo de construção de um enorme ecossistema.

A Americanas S.A. combinava as plataformas digitais, com as marcas Americanas, Submarino, Shoptime e físicas, com as lojas nos formatos tradicional, express, local, Ame Go e lojas do Hortifruti Natural da Terra.

LEIA TAMBÉM: Segundo o BTG Pactual, Petrobras (PETR4) está entre as 10 ações mais promissoras para investir visando dividendos neste mês. Veja os detalhes aqui. 

Tinha ainda franquias do Grupo Uni.co, dona de marcas como Imaginarium e Puket, uma plataforma logística, a fintech Ame Digital e um hub de publicidade, Americanas Advertising.

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Detinha ainda 50% de uma joint venture com a Vibra, a Vem Conveniência. A ideia era explorar lojas de pequeno varejo, dentro e fora de postos de combustível, através das redes de lojas Local e BR Mania. Esse grande conglomerado precisou ser desfeito.

Vendas de ativos

A Uni.Co acaba de ser vendida, por R$ 152,9 milhões, à BandUP! é conhecida por atuar no mercado geek e de cultura pop e dona da rede de franquias Piticas, com 175 lojas.

A rede de hortifrutis tinha sido adquirida em 2021 por R$ 2,1 bilhões, e era a maior rede varejista especializada em produtos frescos com foco em frutas, legumes e verduras do Brasil, com 80 lojas em quatro estados. Ainda está a venda, hoje com 60 unidades, e Oba, Advent, Zona Sul, Pátria e a chilena Cencosud já sondaram o grupo. Mesmo assim, a venda ainda não foi fechada.

Novos projetos da Americanas

A companhia também irá implementar mudanças nas lojas. Realizou uma pesquisa em mais de 300 lojas para identificar melhorias operacionais, como reestruturação de áreas de vendas, com redução da altura das gôndolas e mudança de layout. Já foram modernizadas 54 unidades nesse novo modelo.

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A Americanas também lançou um cartão de crédito que já tem 500 mil emissões, e relançou seu programa de fidelidade.

Inaugurou a store in store: a primeira parceria foi a WePink, marca de beleza de Virgínia Fonseca, para instalar quiosques em lojas físicas selecionadas e vender produtos no e-commerce.

Também criou 21 novas linhas de produtos para aumentar o valor de vendas de determinadas categorias. No canal digital, firmou uma parceria com o Magazine Luiza.

Investigações ainda em aberto

Um dos maiores escândalos da história do mercado de capitais brasileiro ainda não tem um desfecho.

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O caso Americanas envolve investigações criminais, administrativas e autorregulatórias ainda em andamento que buscam apurar desde fraude contábil e manipulação de mercado até falhas graves de governança.

Ainda assim, passados anos desde a revelação do escândalo, o desfecho do caso segue em aberto. Investidores minoritários continuam a buscar ressarcimento pelas perdas sofridas, enquanto executivos ligados ao período da fraude seguem na mira de investigações.

O problema que vem da concorrência

A Americanas passou os últimos anos voltada para dentro, para tentar sair viva da recuperação.

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Enquanto isso, suas concorrentes também estavam se movimentando em uma guerra no varejo cada vez mais acirrada.

As empresas estrangeiras - Mercado Livre, Amazon e Shopee - investem cada vez mais em centros logísticos para acelerar a entrega.

O Mercado Livre (MELI34) acaba de anunciar um investimento recorde, de R$ 57 bilhões, apenas no Brasil em 2026. O valor é 50% maior do que o investido no ano passado, e reafirma o país como o mais estratégico para a empresa argentina.

Recentemente, o Magazine Luiza anunciou a entrada de um novo ciclo de investimentos em tecnologia. O WhatsApp da Lu deve integrar todo o ecossistema do grupo — incluindo o sortimento do Magalu, Netshoes, KaBuM! e Época Cosméticos — em uma jornada de compra que vai da busca e recomendação de produtos até o pagamento e o pós-venda.

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Outro eixo da estratégia envolve voltar a acelerar no e-commerce, com esforços concentrados no estoque próprio (1P), tradicionalmente associado a níveis mais altos de serviço e entrega mais rápida, e em um marketplace (3P) com maior curadoria, priorizando vendedores que utilizam o serviço de entregas do Magalu. Mesmo assim, ela não irá entrar na guerra irracional do e-commerce.

Já a Casas Bahia está focando em parcerias. Após fechar com o Mercado Livre, irá começar a vender produtos na Amazon.

Também deu um novo passo no seu processo de reorganização financeira, com uma captação de R$ 200 milhões na segunda emissão de cotas do GCB Fornecedores FIDC, um fundo de investimento em direitos creditórios desenhado para dar suporte à operação de risco sacado com fornecedores.

Agora, a Americanas vai precisar se esforçar bastante para acompanhar as concorrentes se quiser sobreviver até os 100 anos.

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