Americanas (AMER3) sai da recuperação menor e com foco em lojas físicas; ela tem forças para correr atrás da concorrência?
No entanto, enquanto ela olhava para dentro de seu negócio, as concorrentes se movimentavam. Agora, ela precisará correr se quiser se manter como uma competidora relevante no jogo do varejo brasileiro

Três anos depois de um dos maiores escândalos corporativos brasileiros, a Americanas (AMER3) pede para sair da recuperação judicial com caixa líquido positivo, uma redução brutal no endividamento e dezenas de lojas a menos.
Menor e mais leve, ela vendeu sua rede de franquias, está em processo de desinvestimento da rede de hortifrutis e repensou todo o seu ecossistema. O plano é chegar aos 100 anos, em 2029, completamente renovada.
Segundo o Fernando Dias Soares, CEO da empresa desde outubro do ano passado, os corredores da empresa estão em festa hoje, depois do anúncio do fim da RJ, disse ele, na teleconferência de resultados do 4T25.
"Em 2025, especialmente no último trimestre, aceleramos esse movimento para assegurar a virada para uma empresa eficiente, mais leve e focada no atendimento de excelência a nossos mais de 40 milhões de clientes ativos", disse a empresa, na divulgação de resultados.
No entanto, enquanto ela olhava para dentro de seu negócio, as concorrentes se movimentavam. Agora, ela precisará correr se quiser se manter como uma competidora relevante no jogo do varejo brasileiro.
Leia Também
Além disso, precisará se esforçar para mostrar que de fato virou a página da fraude contábil de mais de R$ 25 bilhões para reconquistar os investidores. Hoje, a empresa não tem nenhuma cobertura de analistas consistente. Todos os bancos que emitiam pareceres sobre a varejista estão com sua tese em revisão.
Receitas
Em 2021, a receita líquida foi de R$ 22,52 bilhões, já com os ajustes. A margem bruta foi de 17,3%. Já em 2022, a receita líquida atingiu R$ 25,81 bilhões, com margem bruta de 19,5%.
A empresa reduziu bastante as suas vendas e receitas nos anos seguintes. O valor geral de vendas (GMV) de 2025 foi de R$ 17,01 bilhões, com margem bruta de 27%, e as receitas líquidas chegaram a R$ 12,31 bilhões no ano. Ou seja, as receitas encolheram quase R$ 10 bilhões, mas a margem melhorou de forma significativa.
Lojas e clientes
A empresa encerrou 2025 com 1.470 lojas, sendo 906 convencionais e 564 “express”, ante 1.587 em 2024 e mais de 1.600 em 2022. A Ame, que era a fintech da empresa e ajudava a sustentar parte das vendas, foi completamente desativada.
A principal diferença é nos canais de venda. Enquanto em 2022 54% das vendas vinham do canal online, ano passado essa fatia foi de apenas 5%. De acordo com Soares, o foco agora são as lojas físicas. A empresa revisitou completamente seu próprio catálogo online, e no 3P tem foco apenas em parceiros estratégicos.
Prejuízo
Se as receitas diminuíram, o prejuízo também encolheu, com melhora na eficiência da empresa.
O prejuízo líquido foi de R$ 6,24 bilhões em 2021 - havia sido informado inicialmente um lucro líquido de R$ 544 milhões. Os principais ajustes foram no Ebitda, com uma depreciação maior e um resultado financeiro pior, e maior imposto a pagar.
Já em 2022, o prejuízo praticamente dobrou, para R$ 12,91 bilhões, e um Ebitda negativo de R$ 2,93 bilhões, resultado de fraco desempenho operacional, elevada despesa financeira e relevantes lançamentos extraordinários, explicou a empresa.
Já em 2025, o prejuízo foi de R$ 271 milhões ao final do ano, o que inclui uma perda de R$ 369 milhões nas operações descontinuadas.
Dívidas
O endividamento da empresa também subia ano a ano. Apenas de 2021 a 2022, houve aumento de R$ 15,6 bilhões na dívida bruta da companhia.
Só no curto prazo, ela tinha R$ 37,33 bilhões a pagar ao final de 2022. O endividamento com risco sacado, de curto prazo, batia R$ 15,91 bilhões, ela tinha R$ 17,39 bilhões em empréstimos e financiamentos de curto prazo e R$ 5,36 bilhões em debêntures de curto prazo emitidos.
Não havia nenhuma dívida mais alongada. Com as disponibilidades da empresa, caixa e contas a receber, a dívida líquida em 2022 era de R$ 26,29 bilhões.
Já em 2025, havia apenas dívidas de longo prazo, com R$ 1,99 bilhão em debêntures. Somando as disponibilidades da empresa e das contas a receber de cartão de crédito, o caixa líquido da empresa era de R$ 488 milhões ao final de 2025.
Considerando os passivos remanescentes do Plano de Recuperação Judicial, o saldo de caixa líquido era de aproximadamente R$ 46 milhões ao final de 2025.
Esse caixa líquido foi um fator bastante mencionado durante a teleconferência de resultados da empresa por Sebastien Durchon, CFO e diretor de relações com investidores que assumiu em dezembro, substituindo Camille Faria, que deixou a empresa após três anos.
Tamanho da Americanas
Quando a empresa pediu socorro, ela estava no meio de um processo de construção de um enorme ecossistema.
A Americanas S.A. combinava as plataformas digitais, com as marcas Americanas, Submarino, Shoptime e físicas, com as lojas nos formatos tradicional, express, local, Ame Go e lojas do Hortifruti Natural da Terra.
Tinha ainda franquias do Grupo Uni.co, dona de marcas como Imaginarium e Puket, uma plataforma logística, a fintech Ame Digital e um hub de publicidade, Americanas Advertising.
Detinha ainda 50% de uma joint venture com a Vibra, a Vem Conveniência. A ideia era explorar lojas de pequeno varejo, dentro e fora de postos de combustível, através das redes de lojas Local e BR Mania. Esse grande conglomerado precisou ser desfeito.
Vendas de ativos
A Uni.Co acaba de ser vendida, por R$ 152,9 milhões, à BandUP! é conhecida por atuar no mercado geek e de cultura pop e dona da rede de franquias Piticas, com 175 lojas.
A rede de hortifrutis tinha sido adquirida em 2021 por R$ 2,1 bilhões, e era a maior rede varejista especializada em produtos frescos com foco em frutas, legumes e verduras do Brasil, com 80 lojas em quatro estados. Ainda está a venda, hoje com 60 unidades, e Oba, Advent, Zona Sul, Pátria e a chilena Cencosud já sondaram o grupo. Mesmo assim, a venda ainda não foi fechada.
Novos projetos da Americanas
A companhia também irá implementar mudanças nas lojas. Realizou uma pesquisa em mais de 300 lojas para identificar melhorias operacionais, como reestruturação de áreas de vendas, com redução da altura das gôndolas e mudança de layout. Já foram modernizadas 54 unidades nesse novo modelo.
A Americanas também lançou um cartão de crédito que já tem 500 mil emissões, e relançou seu programa de fidelidade.
Inaugurou a store in store: a primeira parceria foi a WePink, marca de beleza de Virgínia Fonseca, para instalar quiosques em lojas físicas selecionadas e vender produtos no e-commerce.
Também criou 21 novas linhas de produtos para aumentar o valor de vendas de determinadas categorias. No canal digital, firmou uma parceria com o Magazine Luiza.
Investigações ainda em aberto
Um dos maiores escândalos da história do mercado de capitais brasileiro ainda não tem um desfecho.
O caso Americanas envolve investigações criminais, administrativas e autorregulatórias ainda em andamento que buscam apurar desde fraude contábil e manipulação de mercado até falhas graves de governança.
Ainda assim, passados anos desde a revelação do escândalo, o desfecho do caso segue em aberto. Investidores minoritários continuam a buscar ressarcimento pelas perdas sofridas, enquanto executivos ligados ao período da fraude seguem na mira de investigações.
O problema que vem da concorrência
A Americanas passou os últimos anos voltada para dentro, para tentar sair viva da recuperação.
Enquanto isso, suas concorrentes também estavam se movimentando em uma guerra no varejo cada vez mais acirrada.
As empresas estrangeiras - Mercado Livre, Amazon e Shopee - investem cada vez mais em centros logísticos para acelerar a entrega.
O Mercado Livre (MELI34) acaba de anunciar um investimento recorde, de R$ 57 bilhões, apenas no Brasil em 2026. O valor é 50% maior do que o investido no ano passado, e reafirma o país como o mais estratégico para a empresa argentina.
Recentemente, o Magazine Luiza anunciou a entrada de um novo ciclo de investimentos em tecnologia. O WhatsApp da Lu deve integrar todo o ecossistema do grupo — incluindo o sortimento do Magalu, Netshoes, KaBuM! e Época Cosméticos — em uma jornada de compra que vai da busca e recomendação de produtos até o pagamento e o pós-venda.
Outro eixo da estratégia envolve voltar a acelerar no e-commerce, com esforços concentrados no estoque próprio (1P), tradicionalmente associado a níveis mais altos de serviço e entrega mais rápida, e em um marketplace (3P) com maior curadoria, priorizando vendedores que utilizam o serviço de entregas do Magalu. Mesmo assim, ela não irá entrar na guerra irracional do e-commerce.
Já a Casas Bahia está focando em parcerias. Após fechar com o Mercado Livre, irá começar a vender produtos na Amazon.
Também deu um novo passo no seu processo de reorganização financeira, com uma captação de R$ 200 milhões na segunda emissão de cotas do GCB Fornecedores FIDC, um fundo de investimento em direitos creditórios desenhado para dar suporte à operação de risco sacado com fornecedores.
Agora, a Americanas vai precisar se esforçar bastante para acompanhar as concorrentes se quiser sobreviver até os 100 anos.
GATILHO BILIONÁRIO
IRB (IRBR3): nova lei reduz impostos e pode liberar vantagem bilionária para a resseguradora
29 de setembro de 2026 - 14:11DANÇA DAS CADEIRAS
Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
29 de setembro de 2026 - 10:21MAIS UMA FRONTEIRA
BTG Pactual (BPAC11) conquista licença de banco no Peru e acelera expansão internacional; veja o que muda
29 de setembro de 2026 - 10:00Marketing Digital
R$ 42,7 bilhões em publicidade digital: Por que as marcas estão indo além do anúncio para conquistar a atenção do público
29 de setembro de 2026 - 9:00RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Do Chapter 11 para o 15: o que significa a decisão favorável da Ambipar (AMBP3) nos EUA
28 de setembro de 2026 - 19:34TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS
Nubank tomba quase 9% em NY após rumor de compra bilionária no Reino Unido; roxinho prepara revanche contra a Revolut?
28 de setembro de 2026 - 15:51DE OLHO NO FUTURO
WEG (WEGE3) anuncia dois investimentos milionários em grandes avenidas de crescimento da próxima década
28 de setembro de 2026 - 15:15OLHO NA TARJA
O detalhe que levou a Anvisa a proibir a Hypera Pharma (HYPE3) de divulgar a caneta emagrecedora Semavy
28 de setembro de 2026 - 7:54ENTREVISTA EXCLUSIVA
Inter adiou o ROE de 30%, mas não desistiu da meta: CEO revela qual é a prioridade agora
28 de setembro de 2026 - 6:14AGORA É SÓ SUBIR
Hapvida (HAPV3) chegou ao fundo do poço e pode ter até R$ 30,8 bilhões em benefício — mas ela ainda precisa fazer isso para se recuperar, diz UBS
27 de setembro de 2026 - 13:02ESTRATÉGIA
Carrefour vende 21 lojas de bairro a gigante do varejo, que estreia em São Paulo com nova bandeira; saiba qual
27 de setembro de 2026 - 10:02O CENÁRIO BULL
XP, Nubank, Itaú, Bradesco, Santander e BTG: dois bancos vão se dar melhor se a Selic cair, segundo o UBS BB
25 de setembro de 2026 - 14:35SAÚDE DO CRÉDITO
Inter (INBR32) ainda não viu o pior: inadimplência deve subir no 3T26; CEO revela de onde vem a pressão
25 de setembro de 2026 - 12:51PREÇO NÃO É O SUFICIENTE
Ozempic no Mercado Livre emagrece as ações da RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3); bancos explicam o que falta para o Meli bater de frente com as grandes redes
25 de setembro de 2026 - 11:19Conteúdo Empiricus
Apesar da adoção crescente da inteligência artificial, 41% das empresas ainda apresentam dificuldades na integração com agentes de IA
24 de setembro de 2026 - 14:00NO BOLSO
Yduqs (YDUQ3) anuncia dividendos de R$ 750 milhões após fusão com a Afya, mas presente da dona da Estácio ao acionista pode ser ainda maior, diz JP Morgan
24 de setembro de 2026 - 13:45VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO