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A Americanas estava em recuperação judicial desde a revelação de uma fraude bilionária em 2023, que provocou forte crise financeira e de credibilidade na companhia. Desde então, a empresa fechou lojas, reduziu custos e vendeu ativos
Prejuízo menor, ativos vendidos: será que a Americanas (AMER3) finalmente se recuperou? A varejista informou nesta quarta-feira (25) que protocolou o pedido de encerramento de sua recuperação judicial após cumprir as obrigações previstas no plano aprovado, mais de três anos depois de ter entrado em RJ.
A solicitação foi apresentada ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do estado do Rio de Janeiro. Até o ano passado, a empresa vinha citando expectativa de sair da reestruturação em fevereiro deste ano.
Segundo a companhia, foram cumpridas todas as obrigações com vencimento até dois anos após a homologação do Plano de Recuperação Judicial. O pedido também abrange as empresas B2W Digital Lux S.À.R.L, JSM Global S.À.R.L e ST Importações Ltda., que integram o Grupo Americanas.
A Americanas estava em recuperação judicial desde a revelação de uma fraude bilionária em 2023, que provocou forte crise financeira e de credibilidade na companhia. Desde então, a empresa fechou lojas, reduziu custos e vendeu ativos.
Também nesta quarta, a companhia divulgou o resultado do processo competitivo para venda judicial da UPI Uni.Co. Em audiência realizada na mesma vara, foram abertas as propostas apresentadas para a aquisição do ativo.
De acordo com a Americanas, além da proposta vinculante da Fan Store Entretenimento S.A. (“BandUP!”), apresentada na condição de “stalking horse”, foi submetida uma proposta concorrente da Solver Soluções Críticas Ltda., com preço base de R$ 155 milhões — acima dos R$ 152,9 milhões ofertados pela BandUP! — incluindo R$ 70 milhões à vista e o restante em cinco parcelas.
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No entanto, o Juízo da Recuperação Judicial considerou a proposta da Solver inválida por não atender aos requisitos do edital. Com isso, a proposta da BandUP! foi declarada vencedora do processo competitivo, após manifestações favoráveis do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da administração judicial.
A companhia informou que será celebrado contrato de compra e venda de ações com a BandUP!, sendo que o pagamento final e a conclusão da transferência da UPI Uni.Co ainda dependem do cumprimento de condições precedentes, incluindo aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Americanas (AMER3) teve prejuízo líquido de R$ 44 milhões no quarto trimestre de 2025, reduzindo resultado negativo de R$ 586 milhões sofrido no final de 2024, em mais de 90%, segundo balanço divulgado na noite desta quarta-feira (25).
O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado ficou em R$ 276 milhões, avanço de 1,9% sobre o quarto trimestre do ano anterior. Já a receita líquida de outubro ao final de dezembro caiu 3,8% no período, para R$ 3,69 bilhões, segundo o balanço.
“Temos dentro do resultado o peso ainda de algumas atividades que estamos vendendo ou descontinuando”, disse Sebastien Durchon, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, em entrevista à Reuters, citando fechamento de lojas em 2025, que geraram perdas em vendas, mas que também diminuíram despesas.
As vendas brutas no conceito mesmas lojas apresentaram crescimento de 7,8% no quarto trimestre. A empresa encerrou 2025 com 1.470 lojas, sendo 906 convencionais e 564 “express”, ante 1.587 em 2024.
Atualmente, a varejista afirma que possui 44 milhões de clientes ativos, com uma média de 90 milhões de visitas mensais nas lojas físicas, site e aplicativo.
Este ano, a Americanas fez três inaugurações de lojas, todas no Nordeste: Aquiraz (CE), Aracaju (SE) e Camaçari (BA).
“Não é uma estratégia de expansão. Essas praças foram vistas como oportunidade, tendo em vista o crescimento econômico e de fluxo. Estamos acompanhando o mercado”, disse Durchon.
A maior atenção da companhia ao varejo físico também visa melhorar a integração e a experiência no segmento digital.
No final de 2025, a Americanas anunciou uma parceria estratégica com o Magazine Luiza, com a primeira vendendo produtos na plataforma digital da segunda, reforçando competição contra grupos como Mercado Livre e Shoppe.
Os executivos da Americanas avaliam como positiva o acordo com o Magazine Luiza e não descartam novas parcerias nessa direção.
“Parceria [com Magazine Luiza] vem crescendo. Encontramos uma forma de fechar todos os ‘gaps'”, disse o presidente-executivo, Fernando Soares.
Mês passado, declarou que pretende vender diversos imóveis, principalmente para pagamentos de debêntures. São ativos que não entraram, inicialmente, no plano de recuperação judicial da companhia e que têm um valor total estimado entre R$ 346 milhões e R$ 468 milhões.
Além disso, lançou um novo programa de fidelidade, com o propósito de conhecer melhor os hábitos de compras dos clientes e estimular que eles façam mais compras nas lojas.
Na primeira fase do programa, o cliente passa a ter acesso a descontos mais vantajosos e a juntar pontos que também podem ser usados para abater valor das compras no caixa. Além disso, quem utilizar o cartão de crédito homônimo do programa pode multiplicar a geração de pontos.
Com Money Times
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