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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

HORA DA VIRADA?

Braskem (BRKM5) dispara mais de 20% após selo de compra do JP Morgan — ainda dá tempo de entrar?

Após tempestade perfeita da petroquímica nos últimos meses, banco norte-americano vê virada e eleva recomendação de BRKM para compra. O que está por trás da visão otimista?

Camille Lima
Camille Lima
12 de maio de 2026
12:56 - atualizado às 12:57
Imagem: Montagem Seu Dinheiro/Canva/Divulgação

Em um pregão tingido de vermelho na bolsa brasileira, a Braskem foi na contramão — e com força suficiente para roubar a cena. Enquanto o Ibovespa recuava cerca de 1% nesta terça-feira (12), as ações BRKM5 chegaram a disparar mais de 20%, se isolando na liderança dos ganhos do dia. 

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O estopim para o desempenho positivo veio de um upgrade pelo JP Morgan. O banco norte-americano decidiu virar a chave na recomendação do papel, e avalia que enfim chegou a hora de dar um voto de confiança para a Braskem. 

Os analistas elevaram a recomendação das ações BRKM5 de neutro para compra, e revisaram o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15 — o que implica um potencial de valorização de cerca de 63% em relação ao fechamento anterior. 

Por volta das 12h40, os papéis da petroquímica disparavam 22,17%, a R$ 11,24 — o maior salto diário desde novembro de 2023. Com a performance desta sessão, a Braskem passou a acumular valorização de 42% desde o início de 2026. 

Hora da virada para a Braskem (BRKM5)? JP Morgan diz que sim

Para o JP Morgan, o rali reflete não apenas o upgrade na recomendação, mas uma combinação de fatores que começa a redesenhar o cenário da companhia: oferta global mais apertada, melhora de margens e avanços relevantes na governança. 

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Um dos principais pilares da tese mais construtiva está fora do Brasil. Segundo os analistas, as condições do mercado global de petroquímicos passaram por uma inflexão recente.  

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Tensões geopolíticas e gargalos logísticos no Oriente Médio reduziram a oferta disponível, elevando as taxas de utilização das plantas e sustentando spreads petroquímicos mais altos. 

“A Braskem está posicionada para um 2026 mais forte”, avalia o banco. “Os desafios globais e as restrições logísticas apertaram a oferta petroquímica e sustentaram a melhora das margens.” 

Esse contexto levou o JP Morgan a revisar suas estimativas para a companhia, incorporando spreads mais elevados e resultados potencialmente mais robustos em relação ao período pré-conflito. 

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Ainda assim, o banco norte-americano avalia que o ajuste desse novo equilíbrio não será imediato. Segundo os analistas, a normalização ao longo da cadeia deve levar meses, diante de interrupções contínuas em plantas industriais e prazos logísticos mais longos. 

“Olhando para 2027, o desempenho financeiro da Braskem deve retornar a níveis de meio de ciclo, embora os efeitos persistentes do conflito e os ajustes na cadeia de suprimentos permaneçam como variáveis-chave”, avalia o banco. 

Incentivos fiscais entram na equação 

Além da ajuda do cenário externo, o ambiente doméstico também começa a jogar a favor, segundo os analistas. 

O JP Morgan afirma que a Braskem deve se beneficiar de avanços recentes nas medidas do governo de apoio à indústria química brasileira, com foco na melhora da competitividade dos produtores locais — especialmente em um momento de menor oferta global e pressão das importações. 

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Entre os principais pontos citados estão o reforço do REIQ, que apoia investimentos e expansão de capacidade; além da elevação do benefício fiscal e da criação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química, com vigência prevista entre 2027 e 2031. 

A expectativa dos analistas é que essas medidas ajudem a aliviar pressões de custos na Braskem, além de melhorar a posição competitiva da produção doméstica e apoiar os investimentos em andamento.  

Para o banco, esse conjunto de medidas ajuda a melhorar a previsibilidade e a atratividade do setor no Brasil — um fator adicional de suporte à tese de investimento. 

Nova governança reforça confiança na Braskem 

Outro ponto que entra no radar dos investidores é a mudança na estrutura de controle da companhia. Para o JP Morgan, a transação envolvendo a IG4 Capital representa um divisor de águas na governança da Braskem.  

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O novo modelo substitui a estrutura anterior, liderada pela Novonor, antiga Odebrecht, por um arranjo de co-governança entre IG4 e Petrobras. 

O acordo de acionistas prevê um conselho de administração com 11 membros — incluindo três independentes — e representação equilibrada entre os dois principais grupos.  

Além disso, as decisões estratégicas passam a exigir consenso, o que, na visão do banco, tende a reforçar o alinhamento entre os sócios. 

“Isso representa uma mudança clara em relação à estrutura anterior”, avalia o JP Morgan, destacando que o novo desenho reduz assimetrias de poder e aumenta a transparência na condução da companhia. 

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Segundo os analistas, embora a reabertura do Estreito de Ormuz possa moderar o potencial de alta, fatores como a governança fortalecida da Braskem e a melhora dos fundamentos “ainda estão apenas parcialmente refletidas” na alta das ações. 

*Com informações do Money Times. 

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