Alerta Petrobras (PETR4): reajuste da gasolina entra no radar enquanto estatal acelera rumo a 2031
A petroleira discute medidas para suavizar impactos da disparada do petróleo na esteira da guerra no Oriente Médio, mas admite que aumento dos combustíveis está em análise

A teleconferência de resultados do primeiro trimestre da Petrobras (PETR4) terminou com uma mensagem clara ao mercado: o reajuste da gasolina deve acontecer em breve. A presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a estatal já está “tratando desse aumento”, embora sem anunciar oficialmente um cronograma ou percentual de reajuste.
Segundo ela, a decisão está sendo analisada com cautela por conta do impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo, e também pela concorrência do etanol no mercado brasileiro.
“Quando estamos observando aumento do preço da gasolina, fazemos isso frente ao preço do etanol no mercado brasileiro nos últimos pouco mais de 15 dias. Ele é competidor, sim, do nosso mercado”, afirmou.
A executiva reforçou que a Petrobras acompanha de perto o comportamento do biocombustível antes de qualquer decisão definitiva para preservar participação de mercado, principalmente diante da forte presença dos carros flex no país.
O mercado, que já havia torcido o nariz para o lucro abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2026, não reagiu bem à possibilidade do aumento da gasolina.
Por volta das 15h20 (de Brasília), as ações preferenciais PETR4 caíam 1,70% no Ibovespa, cotadas a R$ 45,64. Já as ordinárias PETR3 tinham queda de 0,96%, a R$ 50,29.
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Guerra no Oriente Médio eleva preços
Segundo Chambriard, a Petrobras e o governo federal vêm discutindo mecanismos para suavizar os impactos da alta do petróleo sobre os combustíveis vendidos no Brasil.
“Estamos trabalhando na questão da gasolina. Em breve, vocês terão boas notícias em relação à nossa gasolina”, disse a analistas.
No caso do diesel, a companhia afirmou que já existe um modelo de subvenção funcionando. A presidente da estatal ressaltou que a Petrobras recebeu duas rodadas de subsídios desde março, equivalentes a cerca de R$ 1,50 por litro.
O CFO da estatal, Fernando Melgarejo, afirmou que os preços do diesel devem voltar a ficar “a mercado” nos próximos dias, enquanto a gasolina ainda demanda maior preocupação por parte da estatal e do governo.
O pacote de medidas lançado pelo governo federal no começo de abril incluiu novas subvenções para diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP), isenção de tributos sobre biodiesel e querosene de aviação e endurecimento das punições para preços considerados abusivos.
Petrobras quer atender toda a demanda brasileira
Além da discussão sobre combustíveis, a Petrobras também indicou uma mudança importante em seus planos de longo prazo.
A companhia está revisando o planejamento estratégico para tentar atingir a autossuficiência brasileira em diesel e gasolina até 2031.
Hoje, o plano da estatal prevê atender cerca de 85% da demanda nacional de diesel até 2030. O Brasil ainda importa entre 25% e 30% do consumo desse combustível.
Segundo Magda Chambriard, a escalada recente do petróleo e os riscos para o abastecimento global fizeram a companhia buscar metas mais ambiciosas.
“Com a guerra, com os resultados alcançados pela companhia e pela confiança que o mercado brasileiro tem na Petrobras, estamos analisando a oportunidade de atingir a autossuficiência brasileira”, afirmou.
O diretor executivo de processos industriais e produtos, William França, disse que a companhia já trabalha em um plano para alcançar a autossuficiência em diesel até 2031.
A produção de gasolina também deve crescer. Segundo a presidente da Petrobras, “a reboque do diesel vem a gasolina”.
O Brasil ainda importa cerca de 10% da gasolina consumida internamente, mas as compras externas aceleraram neste ano. Em março, os desembarques avançaram 194%, para 335,6 milhões de litros.
Brent mais alto ainda não apareceu no balanço
A administração da Petrobras reforçou diversas vezes que a recente disparada do petróleo ainda não apareceu nos resultados do primeiro trimestre.
Segundo Melgarejo, existe uma defasagem natural entre a negociação das cargas exportadas e o reconhecimento das receitas no balanço, o que fez com que boa parte das vendas ainda estivesse atrelada aos preços anteriores à alta do Brent.
“O aumento do Brent não está refletido no resultado do primeiro trimestre”, afirmou.
A Petrobras encerrou março com cerca de 80 mil barris por dia em exportações “em trânsito”, volumes que ainda não haviam sido contabilizados no balanço e que devem entrar no segundo trimestre já em um ambiente de preços mais elevados.
Por isso, a companhia indicou expectativa de melhora relevante tanto nos resultados quanto na geração de caixa nos próximos meses.
Mais investimentos e expansão internacional
Com o petróleo em patamares mais elevados, a Petrobras afirmou que pretende acelerar investimentos.
“O objetivo principal vai ser investimento. Antecipar projetos, incluir mais coisas no orçamento de 2026-2030”, disse Melgarejo.
A companhia destacou que o plano estratégico atual foi desenhado considerando um petróleo significativamente mais barato. Agora, o novo cenário pode permitir a antecipação de projetos antes considerados fora do chamado “capex base”. Entre os exemplos citados estão os projetos de Sergipe Águas Profundas.
A Petrobras também sinalizou intenção de ampliar a presença internacional, principalmente na margem atlântica africana.
Segundo Magda Chambriard, a estatal já possui esforços “muito mais concretos” em países como Costa do Marfim, Namíbia, África do Sul e possivelmente Gana.
A diretoria também mencionou oportunidades em Colômbia, Peru e outras regiões da América do Sul.
Além disso, tanto o Golfo do México mexicano quanto a Venezuela seguem no radar da estatal.
“Dez anos atrás a gente falava do Triângulo de Ouro: África, Brasil e Golfo do México”, afirmou Magda Chambriard. “Eu espero que a Petrobras realmente tenha um espaço interessante para atuar no Golfo do México mexicano”, completou.
E a Braskem?
A Braskem (BRKM5) também apareceu como um dos temas da teleconferência. A presidente da estatal afirmou que “a época dos desinvestimentos já passou” e indicou uma mudança de postura da Petrobras em relação à petroquímica.
Segundo ela, a estatal deixou de atuar de forma passiva na Braskem e agora pretende participar mais ativamente da operação da companhia para capturar sinergias entre refino, gás natural e petroquímica.
“O que mudou foi a disposição da Petrobras de atuar na Braskem de uma forma firme”, afirmou.
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O CFO Fernando Melgarejo ressaltou que a Petrobras não pretende estatizar a Braskem nem consolidar as dívidas, mas confirmou que a estatal já participa diretamente das discussões operacionais junto à IG4, nova parceira na estrutura societária.
O executivo afirmou ainda que o fechamento da operação deve ocorrer entre 30 e 90 dias.
Já o diretor William França disse que a Petrobras trabalha junto à Braskem para aproveitar o momento favorável dos spreads petroquímicos, impulsionados pelas paralisações no Oriente Médio.
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