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QUANDO VIRÁ A RETOMADA?

Reorganização ainda pesa, e Natura (NATU3) aumenta prejuízo em 787,6% no 1T26; quando chegará a virada?

As perdas vieram maiores do que o esperado por investidores e analistas e, nesta manhã, as ações estão em queda; quando a empresa voltará a crescer?

Imagem: Divulgação

A reorganização da Natura (NATU3) continua pesando nos resultados da empresa de cosméticos. A empresa teve prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre, alta de 787,6% ante perdas de R$ 50 milhões sofridas no mesmo período do ano passado nas operações continuadas, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (11).

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As perdas também vieram maiores do que o esperado por investidores e analistas. Por isso, nesta manhã (12), as ações estão em queda de 2,57% por volta das 11h30.

"Foi um trimestre desafiador, tanto em receita quanto em rentabilidade, ainda que alinhado com as nossas expectativas", disse o CEO João Paulo Ferreira em conversa com jornalistas, que citou ainda a demora em retomar a receita da marca Natura.

A fabricante de cosméticos apurou resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente de R$346 milhões, queda de 55,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Vendas menores para Natura e Avon

Por um lado, as vendas ainda estão pressionadas. A receita líquida somou R$ 4,75 bilhões de janeiro ao final de março, recuo de 7,7% na base anual. O mercado esperava receita líquida de R$ 4,3 bilhões, segundo dados da LSEG. No Brasil, as receitas caíram 5,5%. Cerca de 3% da queda veio da marca Natura e 13,8%, da Avon.

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O endividamento de famílias prejudicou o consumo e acabou afetando a marca Natura no Brasil, com pior resultado no Nordeste. A empresa tem uma rede de consultoras menor e menos ativa: caiu a venda por vendedora, principalmente entre aquelas que já vendiam menos produtos da marca.

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Por enquanto, a empresa não espera que esse cenário desafiador mude tão rapidamente. "Vocês acompanham o endividamento das famílias, a redução de renda disponível para consumo. Não espero nenhuma mudança radical de direção", disse Ferreira.

O fechamento de uma fábrica em Interlagos, na zona sul de São Paulo, também afetou o serviço.

Já a Avon, relançada em março, ainda não viu as vantagens de sua nova fase aparecerem nos resultados. "A cada campanha da Avon, teremos novas linhas de produtos", afirmou Ferreira em conversas com acionistas. Ele destacou a linha de perfumaria e maquiagem Iconics, que já foram relançadas.

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Na América Latina, o cenário econômico na Argentina afetou profundamente a companhia, com variação cambial, hiperinflação e redução no consumo. A margem Ebitda no continente foi negativa em 1,5%, ante 7,5% no mesmo período do ano passado.

A companhia também passou parte dos primeiros meses do ano reformando lojas, principalmente franqueadas, para modelos mais produtivos. As vendas em lojas já estabelecidas subiram apenas 0,6% no trimestre.

"Daqui para a frente, vamos acelerar a abertura de lojas", afirmou o CEO. Nos últimos 12 meses, foram inauguradas 72 novas unidades, elevando o número total para 1.090.

Rentabilidade caiu com despesas da reorganização

A Natura continua sofrendo com os custos vindos da reorganização de sua estrutura. A empresa ainda teve R$ 221 milhões em despesas extraordinárias; grande parte desse custo são verbas rescisórias, vindas da demissão de 25% de toda a força de trabalho da companhia.

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Com isso, a margem Ebitda da empresa caiu 8,6 pontos porcentuais, de 22,4% para 13,8% no Brasil. O fluxo de caixa da empresa foi negativo no trimestre, em R$ 315 milhões.

Mesmo assim, a diretora financeira, Silvia Vilas Boas, está confiante que, em breve, a empresa deve ver uma melhora na rentabilidade. "Não capturamos nenhum benefício da reorganização operacional no primeiro trimestre. A empresa vai começar a capturar isso no segundo trimestre de maneira significativa", disse ela, em teleconferência com investidores.

Cerca de três quartos de todos esses desligamentos já foram feitos, o que significa que os custos associados a esse movimento serão menores nos próximos trimestres.

Quando chegará o momento de virada?

O mercado ainda aguarda a virada de chave da Natura, quando os resultados de seu profundo turnaround vão começar a aparecer. "De acordo com a diretoria, os resultados abaixo do esperado no primeiro trimestre marcam um período de transição", diz o BTG Pactual em relatório.

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"Após superar com sucesso desafios estruturais, incluindo a alienação da Avon International, uma reavaliação efetiva agora depende da execução (ou seja, dos vetores de crescimento e das tendências de recuperação de margens). Mas os resultados do 1º trimestre ainda não abordam essas incertezas", afirmou o banco.

"Em parte, a companhia agora possui um balanço mais limpo, porém ainda precisa alavancar suas iniciativas para vermos resultados mais sólidos", escreveu a Ativa Investimentos em relatório.

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