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NOVA FASE

Magazine Luiza (MGLU3) inicia novo ciclo e quer acelerar o e-commerce — mas ainda se recusa a entrar na guerra de Shopee e Mercado Livre

Empresa inicia ciclo focado em inteligência artificial. Intenção é acelerar no e-commerce, mas sem comprar briga por preços

Centro de distribuição da Magazine Luiza em Guarulhos. Há um caminhão azul, com os dizeres "#PISCOUCHEGOU!" em branco e amarelo, e "tem no magalu" em branco. Na frente, há um funcionário com camisa da empresa.
Imagem: Divulgação

Depois de cinco anos dedicados à construção de um ecossistema mais robusto para reduzir a exposição do negócio ao cenário macroeconômico brasileiro, o Magazine Luiza (MGLU3) anunciou nesta quinta-feira (12) o início de um novo ciclo estratégico, agora voltado a destravar o valor desses ativos com o avanço da inteligência artificial no varejo.

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Nesse modelo, o WhatsApp da Lu deve integrar todo o ecossistema do grupo — incluindo o sortimento do Magalu, Netshoes, KaBuM! e Época Cosméticos — em uma jornada de compra que vai da busca e recomendação de produtos até o pagamento e o pós-venda.

Outro eixo da estratégia envolve voltar a acelerar no e-commerce. O Magalu pretende concentrar esforços no estoque próprio (1P), tradicionalmente associado a níveis mais altos de serviço e entrega mais rápida, e em um marketplace (3P) com maior curadoria, priorizando vendedores que utilizam o serviço de entregas do Magalu.

Cabe lembrar que a companhia também divulgou hoje os resultados do quarto trimestre de 2025, que você pode conferir nesta matéria do Seu Dinheiro, com desaceleração acentuada no 3P, de mais de 11% nos últimos três meses do ano.

Esse movimento reflete uma decisão estratégica da gestão de ficar de fora da guerra mais agressiva no e-commerce. Plataformas como Mercado Livre e Shopee têm adotado estratégias de “tudo ou nada” para ganhar participação no Brasil — muitas vezes sacrificando rentabilidade, algo que o Magalu não pode bancar.

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Por isso, o CEO Fred Trajano vinha tirando o pé nesse segmento nos últimos trimestres. No entanto, agora a intenção da companhia é voltar a acelerar, mas sem comprar a briga dos players estrangeiros. Confira mais detalhes sobre isso nesta reportagem.

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E a guerra no e-commerce?

Em entrevista ao Seu Dinheiro, o Diretor de Relações Institucionais do Magalu, Lucas Ozório, explica por que essa decisão não sinaliza a entrada no Magalu nessa batalha.

Ele destaca que o foco no 3P serão produtos de maior qualidade, sem margem de contribuição negativa para a companhia, diferente de produtos com ticket bem baixo — como é característico nas plataformas estrangeiras.

“Estamos privilegiando produtos de marcas reconhecidas, que possuem um vendedor formal e uma entrega de alto padrão, fazendo com que essa venda cresça. Ao fazer isso, o próprio cliente vai perceber que o nosso 3P se tornou um ambiente no qual ele consiga ter qualidade e serviço de nível alto, e consequentemente os produtos terão contribuição positiva para o Magalu”, diz Ozório.

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Segundo o executivo, a companhia segue firma na decisão de não participar da “irracionalidade” observada em parte do mercado.

Para sustentar esse posicionamento, a empresa pretende ampliar o uso de fulfillment — modelo em que a própria companhia armazena, separa e envia os produtos vendidos no marketplace — e da logística da Magalog, reduzindo o incentivo para vendedores que realizam a própria entrega fora da estrutura do grupo.

“Quanto mais entregas fazemos para terceiros, mais barata fica a operação para nós, por conta da maior densidade logística. Ao mesmo tempo, aumentamos a receita porque há clientes externos pagando por esse serviço — e ainda conseguimos entregar mais rápido para o nosso próprio consumidor. É um ganha-ganha", destaca.

Mais detalhes sobre a nova fase do Magazine Luiza

A companhia também quer acelerar as vendas por meio de plataformas parceiras. A ideia é ampliar a distribuição do estoque próprio de bens duráveis em canais externos, como o AliExpress, capturando tráfego adicional de forma rentável.

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A estratégia busca monetizar algumas das principais vantagens estruturais do Magalu, como a escala de compras, o relacionamento com a indústria e a capilaridade logística e multicanal.

Outro foco do novo ciclo será ampliar as conexões dentro do próprio ecossistema. Hoje, o grupo afirma ter 33 milhões de clientes ativos e vê espaço para aumentar significativamente o número de consumidores que compram em mais de uma plataforma da companhia.

A empresa também pretende expandir o conceito de multicanalidade, integrando cada vez mais as lojas físicas às operações digitais. Um dos exemplos é a Galeria Magalu, inaugurada em São Paulo, que reúne todas as marcas do grupo.

As operações de serviços também devem ganhar protagonismo. A estratégia é ampliar a base de clientes externos de plataformas como Magalog, Magalu Cloud e Magalu Ads, aumentando a participação dessas áreas nas receitas do grupo e consolidando-as como alavancas relevantes de rentabilidade.

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O quinto pilar do plano estratégico envolve fortalecer a frente financeira do ecossistema. Com a nova financeira MagaluPay SCFI, a companhia pretende integrar de forma mais profunda os serviços financeiros à jornada de compra, tanto no ambiente digital quanto nas lojas físicas.

A expectativa é que a operação permita desenvolver novos produtos de crédito, ampliar as fontes de funding e melhorar a eficiência tributária, impulsionando ao mesmo tempo vendas e rentabilidade.

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