Ambev (ABEV3) sobe mais de 4% apesar do lucro menor no 4T25; dividendos entram na conta. Vale comprar agora?
Mesmo com pressão sobre volumes e margens, ABEV3 avança embalada por JCP e pelo humor do mercado; bancos divergem sobre o balanço

A Ambev (ABEV3) aparece entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (12) — mesmo depois de entregar um lucro líquido de R$ 4,53 bilhões no quarto trimestre de 2025, número que representa uma queda de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O mercado, porém, parece estar olhando mais para o filme completo do que para a foto do trimestre. No acumulado de 2025, a companhia fechou as contas com lucro de R$ 15,9 bilhões, um avanço de 7,7% na comparação com 2024.
Além disso, veio também o anúncio de proventos: o conselho de administração aprovou o pagamento da primeira parcela de juros sobre capital próprio (JCP), no valor bruto de R$ 0,075 por ação.
Por volta das 16h, os papéis ABEV3 subiam 4,76%, negociados a R$ 16,54. No ano até agora, as ações da companhia acumulam alta de quase 20%.
Do lado dos analistas, o tom foi de cautela. As leituras sobre o balanço da cervejaria foram mistas, com destaque para as incertezas em relação aos volumes, a demanda ainda irregular por cerveja e a pressão sobre as margens operacionais.
No fim das contas, as casas mantiveram a recomendação neutra para a ação — ou seja, sem grandes apostas para cima ou para baixo, pelo menos por enquanto.
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Execução sólida, mas demanda irregular
O Citi destacou em relatório que o resultado veio dentro do esperado, com uma execução sólida, mas volumes de Cerveja Brasil em queda de 2,6% na comparação anual, o que é consistente com um cenário de consumo fraco.
Pelo guidance para 2026, o viés de risco é favorável para custos, na avaliação do banco, embora o escalonamento dos hedges implique que o benefício seja percebido gradualmente.
“Em resumo, o debate está cada vez mais simples — a Ambev está executando bem, mas uma recuperação sustentada de volumes ainda é o ingrediente que falta para uma visão mais construtiva sobre a linha de receita”, afirmou a analista do Citi Renata Cabral.
O Citi manteve o preço-alvo de R$ 15, resultando em um potencial de desvalorização de 4,88%.
Resultado fraco, mas ações seguem em alta por fatores macro e dividendos
Já o BB Investimentos considerou o balanço do 4T25 da Ambev fraco, com retração de volumes em praticamente todos os segmentos de negócio e pressão sobre a rentabilidade operacional, exceto no Canadá, levando a companhia a reportar números piores na comparação anual.
A despeito disso, a analista Georgia Jorge observa que a ABEV3 performou positivamente nos últimos 30 dias, acumulando alta de 13,5% no período.
O movimento, explica, está mais atrelado às perspectivas futuras de melhoria do cenário macroeconômico e da indústria de bebidas, do que com os resultados reportados pela companhia.
“Além das melhores perspectivas, o incremento no pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio por parte da companhia, cujo desembolso somou R$ 20,4 bilhões em 2025, ante R$ 4 bilhões no ano anterior, contribuiu para a maior atratividade das ações”, disse.
O BB Investimentos manteve o preço-alvo de R$ 16, com potencial de valorização de 1,46% do papel.
Ações e dividendos para 2026 — os papéis para surfar à queda da Selic e às eleições
O suporte ao preço da ação, segundo o Itaú BBA
O Itaú BBA avaliou os resultados da Ambev no quarto trimestre como “ligeiramente positivo”.
O principal destaque foi o desempenho da LAS (Latin America South, a operação da Ambev na América do Sul), que veio melhor do que o esperado e acabou compensando dois fatores que pesaram contra: números mais fracos na CAC (Central America and Caribbean, que reúne as operações na América Central e no Caribe) e um aumento das despesas financeiras.
Enquanto isso, Cerveja Brasil também contribuiu positivamente com uma surpresa de R$ 140 milhões, apontou o banco de investimentos.
Segundo os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama, o resultado acima do esperado no 4T25 deve dar suporte ao preço da ação, uma vez que não deve desestimular a tendência recente de entrada de fluxo estrangeiro, deixando as discussões sobre valuation como um tema secundário no momento.
O Itaú BBA seguiu com preço-alvo de R$ 14, com potencial de desvalorização de 11,22% da ação.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Money Times
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