Produção de cerveja no Brasil cai, principalmente para Ambev (ABEV3) e Heineken (HEIA34); preço das bebidas subiu demais, diz BTG
A Ambev aumentou os preços de suas marcas no segundo trimestre do ano, seguida pela Heineken, em julho — justamente quando as vendas começaram a encolher

Com temperaturas mais baixas que o normal e aumento no preço das bebidas, a produção de cerveja no Brasil caiu mais uma vez.
Além disso, os custos de produção continuam subindo, o que gera um impasse para as fabricantes, principalmente a Ambev: será que ela irá aumentar os preços de novo ou deve sacrificar a margem para manter as vendas?
O consumo já está em queda há um tempo. Em outubro, o volume de cerveja produzido caiu 1,3% em relação ao ano passado, segundo dados do IBGE. Já é a quarta queda seguida. Em setembro, a queda foi de 6,2%, de 11,4% em agosto e de 14,8% em julho. Nos últimos 12 meses, a queda é de 4,4%; desde o começo do ano, é de 4,3%.
No entanto, uma das fabricantes de cerveja está se destacando: o Grupo Petrópolis viu as vendas aumentarem 35% em volume em outubro. Por isso, excluindo a Petrópolis da conta, a queda em outubro seria de 5,5%.
A Ambev já endereçou esse problema em sua última divulgação de resultados. Segundo a maior fabricante de bebidas do país, o consumo está sendo afetado pelas temperaturas mais baixas que o normal e um inverno mais prolongado.
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Já o BTG Pactual acredita que há algo a mais nos números. "É difícil não relacionar a fraca performance da indústria com o aumento de preços", escreve o banco em relatório. A Ambev aumentou os preços de suas marcas no segundo trimestre do ano, seguida pela Heineken, em julho — justamente quando os volumes começaram a encolher.
"As duas maiores cervejarias do Brasil podem ter elevado demais os preços", diz o relatório, assinado por Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
E o cenário seria favorável para uma cervejinha: o consumo continua alto, o desemprego está historicamente baixo e a inflação alimentar está desacelerando.
Para o Natal, o BTG enxerga um problema que pode colocar ainda mais água nesse chope. Os custos da Ambev podem aumentar ainda mais no último trimestre do ano, cerca de 14% por hectolitro em relação ao ano passado. O banco até então esperava que os preços subissem mais 4,5% no período, mas agora acredita que a cervejeira pode tomar outra decisão.
"Agora vemos um risco de que a Ambev possa escolher por adotar uma postura de preços menos agressiva. Se isso se confirmar, a questão chave passa a ser como isso afetará o desempenho de preços da Ambev à medida que nos aproximamos das vendas de verão", diz o relatório.
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