SNEL11 se torna o maior FII de energia renovável da B3 após captar mais de R$ 620 milhões; entenda a operação
A emissão de cotas do FII segue uma tendência do mercado, que encontrou no pagamento em cotas uma solução para adquirir ativos de peso em meio às altas taxas de juros

O Suno Energias Limpas (SNEL11) já era destaque no setor por ser o primeiro fundo imobiliário de energia renovável da B3. Após encerrar uma emissão de cotas milionária, ele ganhou um novo título. Agora, além de pioneiro, o FII alcança a liderança, tornando-se o maior ativo dedicado aos empreendimentos do setor energético.
Segundo documento enviado ao mercado, o fundo captou R$ R$ 622 milhões através da emissão de 72,3 milhões de cotas, no valor de R$ 8,60 cada.
Com a operação, o SNELL11, que investe em usinas fotovoltaicas no modelo de Geração Distribuída (GD), elevou o seu valor de mercado para aproximadamente R$ 950 milhões.
A transação também aumentou o total sob gestão da Suno Asset, gestora do SNEL11, para R$ 3,3 bilhões.
Vitor Duarte, diretor de investimentos da Suno Asset, avalia que o avanço do FII reflete um movimento mais amplo de consolidação e profissionalização do mercado de energia limpa. “O SNEL11 se destaca nesse contexto como um dos principais consolidadores naturais de ativos de renda no setor de geração distribuída”, afirmou Duarte.
Segundo o executivo, o objetivo do fundo imobiliário é combinar escala, previsibilidade de receita e portfólio pulverizado, “capturando o crescimento estrutural da geração distribuída no Brasil”, completou.
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SNEL11 na tendência da compra com pagamentos em cota
A emissão de cotas realizada pelo FII segue a nova tendência do mercado, que encontrou no pagamento em cotas uma solução para adquirir ativos de peso em meio às altas taxas de juros do país, que costumam drenar o apetite dos investidores.
Com isso, a emissão de cotas foi voltada para a aquisição de cerca de 110 MWp em usinas fotovoltaicas. “Na prática, o antigo dono da usina vende o ativo ao fundo e aporta parte dos recursos ou compensa parte dos créditos existentes na oferta”, afirmou a gestora.
Segundo a Suno Asset, os ativos estão distribuídos em oito estados e no Distrito Federal, incluindo novas praças estratégicas como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Paraná.
Os empreendimentos ainda estão em fase de aquisição. Duarte destaca que os ativos estão sendo negociados por valores inferiores aos vistos na bolsa, o que permite crescer gerando valor para os cotistas, sem diluição.
Além disso, relata que mais de 85% dos projetos mapeados já estão em operação. Já os empreendimentos restantes contam com Renda Mínima Garantida (RMG), o que assegura fluxo de caixa e reforça a estabilidade da carteira.
A Suno Asset estima uma Taxa Interna de Retorno (TIR Real) acima de dois dígitos, compatível com a meta de rentabilidade do fundo, avaliada em 14% ao ano mais a inflação do setor energético.
“A maior vantagem [da aquisição com pagamento em cotas] para o fundo é comprar ativos sem risco de performance ou vacância, sem curva J, ou seja, com geração de receita desde o primeiro dia”, avalia.
“O modelo se mostra especialmente eficiente quando há múltiplas partes envolvidas, como pessoas físicas, empresas operacionais e holdings familiares”, completa Duarte.
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