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Após cair mais de 6% em cinco pregões com o temor de escassez hídrica, as ações da Sabesp passaram a embutir um cenário extremo de perdas, mas para o JP Morgan o mercado ignora a proteção do modelo regulatório

A potencial escassez hídrica nos reservatórios da Cantareira vem fazendo as ações da Sabesp (SBSP3) evaporarem na bolsa, com desvalorização de 6,3% nos últimos 5 dias. Mas, para o JP Morgan, o mercado parece estar exagerando.
Na visão dos analistas Arthur Pereira e Victor Burke, a nova estrutura regulatória passou a oferecer proteção financeira contra variações no volume de vendas, o que tende a limitar perdas em cenários adversos. Na prática, a empresa deixou de operar como um negócio “puro” de volume e passou a contar com uma espécie de colchão regulatório, capaz de suavizar o impacto de oscilações operacionais sobre o resultado financeiro.
O banco tem classificação overweight (equivalente à compra) para as ações da companhia de saneamento, com preço-alvo de R$ 160 ao fim de 2026, o que implica em um potencial de valorização de cerca de 29% ante o preço de fechamento da última sexta-feira (16).
O banco também manteve a projeção de rentabilidade para o investimento, com um retorno anual de 11% acima da inflação ao longo do período analisado.
Esse arcabouço corresponde à nova estrutura regulatória da Sabesp, implementada a partir de 2025, no contexto da privatização, e prevê mecanismos formais de neutralização de variações de demanda, com diluição dos impactos financeiros ao longo do ciclo tarifário, em vez de absorção imediata no resultado.
Além disso, ela passa a reajustar a tarifa anualmente, em vez de a cada quatro anos. Se até então a empresa incorporava na tarifa de água os investimentos que ela faria no próximo ciclo, agora ela só pode fazer esse ajuste com os investimentos já realizados.
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Apesar de reconhecer os riscos associados ao nível dos reservatórios, o JP Morgan avalia que a queda recente das ações da Sabesp já embute um cenário bastante pessimista.
Na prática, o mercado estaria precificando uma situação em que a vazão de entrada de água cairia para menos de 50% da média histórica — abaixo dos níveis atuais, que estão entre 50% e 60% no sistema Cantareira e acima de 80% nos demais reservatórios — além de eventuais impactos que não seriam compensados nas revisões tarifárias.
Cabe lembrar que o mercado usa a métrica de vazão de entrada ao invés de volume útil, que atualmente está na casa dos 20%, porque esse último indicador mostra apenas a situação atual dos reservatórios, enquanto o primeiro indica uma tendência.
Para os analistas, essa leitura ignora uma série de fatores já conhecidos e em funcionamento que ajudam a mitigar o risco.
Entre esses fatores, estão a regulamentação vigente, os investimentos realizados nos últimos anos para reforçar o abastecimento — com destaque para a menor dependência do sistema Cantareira —, os mecanismos de transferência de água entre reservatórios e as manobras operacionais da Gestão da Demanda na Distribuição (GDN), como a redução da pressão na rede, adotadas de forma mais ampla desde meados de 2025.
Ainda assim, o temor com os reservatórios tem pesado sobre os papéis. No acumulado do ano, as ações da Sabesp têm desempenho 10% inferior ao do Ibovespa e ficam cerca de 6% abaixo do setor, diferença que o banco atribui majoritariamente a essas preocupações com o risco hídrico.
Na leitura do JP Morgan, esse desempenho relativo mais fraco das ações equivale a o mercado precificar uma destruição de cerca de R$ 5,5 bilhões em valor presente no negócio (VPL) da Sabesp ao longo do tempo. No entanto, os analistas consideram esse cenário pouco provável, justamente por causa da proteção oferecida pelo modelo regulatório da companhia.
Para efeito de comparação, os analistas lembram que, mesmo em um exercício extremo, assumindo compensação financeira zero e desconsiderando a regulamentação atual, o impacto estimado seria de R$ 2,7 bilhões, considerando uma queda de 4% nos volumes vendidos e um aumento de 10% nos custos unitários de energia e materiais, em linha com o que foi observado na crise hídrica de 2014.
Com informações do Money Times
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