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BALANÇO DO MÊS

Rali do Ibovespa continua em fevereiro, mas Tesouro Direto acelera e coloca a renda fixa no páreo — na outra ponta, Bitcoin derrete quase 20%

Bolsa brasileira diminui o ritmo em fevereiro, enquanto a renda fixa se valoriza diante da perspectiva de queda dos juros, e o Bitcoin segue em queda livre

Ibovespa versus Tesouro Direto - Imagem: ChatGPT via Copilot

A valorização do Ibovespa em fevereiro passou longe dos 12,5% alcançados em janeiro, mas foi o suficiente para a bolsa brasileira manter sua primeira posição entre os investimentos com melhor retorno no mês. Porém, diferentemente do mês passado, outros ativos conseguiram se aproximar do resultado das ações: os títulos públicos do Tesouro Direto.

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Os papéis atrelados à inflação, Tesouro IPCA+, com os vencimentos mais esticados (2035, 2040 e 2045), registraram boas performances e recuperaram as perdas de janeiro. O Tesouro IPCA + 2040, por exemplo, se valorizou 3,02% em fevereiro frente a perda de 2,15% no mês anterior.

Nos dois casos, do Ibovespa e do Tesouro Direto, os gatilhos vieram de fora.

O fluxo de dinheiro estrangeiro continua vindo para o Brasil e impulsionando o Ibovespa a renovar os recordes e se valorizar cada vez mais. Em fevereiro, o principal índice de ações da B3 superou os 191 mil pontos pela primeira vez na história.

No fechamento do mês, nesta sexta-feira (27), esse valor diminuiu para 188.786,98 pontos, depois de cair 1,16% no dia. No mês, o índice de ações se valorizou 4,09%.

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Tesouro Direto disputa com o Ibovespa

No caso do Tesouro Direto, os gatilhos foram outros: a queda das taxas dos Treasurys nos EUA e a repercussão positiva no Brasil da decisão da Suprema Corte norte-americana ao reverter as tarifas de importação de Donald Trump.

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Os Treasurys dos EUA fecharam fevereiro com taxas abaixo de 4% pela primeira vez desde outubro. A tensão entre o país norte-americano com o Irã aumentou a percepção de riscos geopolíticos e fez os investidores voltarem para os títulos públicos dos EUA, derrubando as taxas.

Nessa mesma onda de movimentações o ouro caiu quase 3% em um único dia, com a migração dos investidores — e uma dose de correção depois do preço recorde de janeiro.

Mas, o que isso tem a ver com o Tesouro Direto? Os Treasurys são referência para títulos públicos em todo o mundo. Quando as taxas caem nos EUA, os papéis de outros países tendem a seguir essa tendência — Brasil incluso.

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Mesmo antes desse movimento, que aconteceu mais para o final do mês, os títulos públicos do Tesouro Direto já vinham em uma tendência de queda de taxas.

A derrubada das tarifas de importação dos EUA pela Suprema Corte do país, na metade do mês, desencadeou um alívio na percepção de risco dos agentes financeiros sobre o Brasil. O país foi classificado como um dos mais beneficiados com a queda das tarifas.

O resultado se expressou na queda das taxas da curva de juros, que serve de referência para os prêmios do Tesouro Direto, ao longo de todos os vencimentos. Como taxas e preços têm correlação negativa, quando as taxas caem, os preços sobem — e o inverso também é verdadeiro.

O Tesouro IPCA+ 2040 registrou a melhor performance de fevereiro entre os papéis do Tesouro Direto acompanhados pelo Seu Dinheiro: 3,02% de valorização.

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Na sequência aparecem os títulos do Tesouro IPCA+ com juros semestrais, 2035, 2045 e 2060, com ganhos de 2,31%, 2,11% e 1,84%, respectivamente.

Considerando que o CDI, principal referência de retorno com juros do país, foi de 1,16% no mês, esses títulos do Tesouro Direto tiveram performance bastante acima do benchmark.

  • Aqui vale lembrar que a rentabilidade apresentada no ranking do Seu Dinheiro corresponde ao retorno com a variação do preço dos títulos de renda fixa, a chamada marcação a mercado.

O Tesouro Prefixado, que vem de um desempenho bastante forte em 2025, também ficou acima do CDI no mês. O vencimento de 2032 teve o melhor resultado, com valorização de 1,69%.

Confira o ranking completo de investimentos de fevereiro:  

InvestimentoRentabilidade no mêsRentabilidade no ano
Ibovespa3,78%17,17%
Tesouro IPCA+ 20403,02%2,48%
Tesouro IPCA+ c/ JS 20352,31%1,77%
Tesouro IPCA+ c/ JS 20452,11%2,53%
IFIX1,87%3,62%
Tesouro IPCA+ c/ JS 20601,84%2,94%
Tesouro Prefixado 20321,69%3,91%
Tesouro Prefixado c/ JS 20351,48%3,24%
Tesouro IPCA+ 20291,43%2,29%
Tesouro Prefixado 20281,38%2,64%
CDI*1,16%2,12%
Tesouro Selic 20311,11%2,20%
Tesouro IPCA+ 20500,71%5,07%
Poupança**0,67%1,35%
IDA - Geral*0,44%2,61%
Ouro (GOLD11)0,36%13,40%
Dólar à vista-1,40%-6,47%
Dólar PTAX-1,75%-6,61%
Bitcoin-18,7%-30,4%
Os rendimentos consideram um período de 30 dias.
(*) Até dia 26/02. 
(**) Poupança com aniversário no dia 26. 

Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto. 
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc.. 

Bitcoin e dólar na lanterna dos investimentos

A desvalorização do dólar nos últimos meses se tornou um samba de uma nota só.

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A moeda norte-americana perdeu credibilidade entre os investidores globais, está em um ciclo de fraqueza e continua perdendo valor frente a divisas de países emergentes, principalmente. O real é uma das moedas mais beneficiadas por esse movimento.

Com a taxa de juros em 15% ao ano do Brasil, os investidores estrangeiros conseguem um retorno significativo ao negociar reais. Isso reforça o fluxo de dólar para dentro do país e faz o real se valorizar.

Só neste ano, o dólar já perdeu 6% de valor frente ao real. Nesta sexta-feira, a taxa de câmbio fechou em R$ 5,13, após cair 1,40% em um mês — o menor nível em mais de dois anos. Alguns gestores já falam na moeda norte-americana com um valor abaixo de R$ 5 no curto prazo.

Entre os ativos que estão em um ciclo negativo também se encontra o Bitcoin (BTC). A principal criptomoeda do mundo vem em uma toada de queda desde o final do ano passado.

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Em fevereiro, o que pegou foi o risco geopolítico, com o acirramento das tensões entre os EUA e o Irã. Como mencionado acima, os investidores globais voltaram para os Treasurys ao invés de olhar para ativos alternativos, como o Bitcoin ou o ouro.

Piorou a situação da criptomoeda os catalisadores positivos já estarem precificados, como a perspectiva de corte de juros nos EUA e avanços regulatórios no Congresso norte-americano.

O resultado foi uma derrocada de 26% somente em fevereiro, com uma alta volatilidade nas negociações ao longo do mês.

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