Maior alta do Ibovespa: Hapvida (HAPV3) dispara mais de 10% com possível venda bilionária de ativos
Após críticas da Squadra sobre a operação da empresa no Sul e Sudeste, a empresa estaria buscando vender ativos em uma das regiões, segundo reportagem do Pipeline

Em meio a um dia de euforia no Ibovespa, as ações da Hapvida (HPAV3) tiveram a maior alta do índice nesta quarta-feira (8). Os papéis da operadora de planos de saúde e dentários saltaram 9,06%, a R$ 11,19. Ao longo do pregão, a arrancada chegou a superar os 10%.
A disparada aconteceu após notícia do Pipeline indicando que a empresa teria decidido vender a operação no Sul do país, para estancar sangria nos resultados corporativos e atender a críticas do mercado. O BTG Pactual foi contratado para intermediar esse processo.
No Sul, o portfólio da Hapvida reúne os ativos das aquisições da Clinipam e do Centro Clínico Gaúcho, além de três hospitais erguidos pela própria companhia. No total, essa estrutura engloba oito hospitais, 21 clínicas e uma base de 490 mil beneficiários.
Caso fosse separada, a operação seria a nona maior do setor no país e a segunda maior na região.
Para montar esse braço, a empresa desembolsou cerca de R$ 4 bilhões — incluindo R$ 2,6 bilhões pagos pela Clinipam em 2020, R$ 1,06 bilhão pelo Centro Clínico Gaúcho em 2021 e os aportes destinados à construção das novas unidades.
Além disso, conforme documento divulgado nesta manhã à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a família Pinheiro, controladora da companhia, ampliou sua participação diante da recente queda das ações. A fatia passou de 42% para 51,39%, desconsiderando os papéis em tesouraria.
Leia Também
Se houver venda, o desconto deve ser relevante — e mesmo assim seria bom para a empresa
Na visão do JP Morgan, as ações da companhia comemoram o potencial destravamento de valor com a venda de ativos não essenciais e com desempenho abaixo do esperado e o reforço do compromisso de longo prazo da família controladora com a companhia, além da sinalização de maior atenção às pressões operacionais em curso.
Um dos pontos destacados pelo JP Morgan sobre a possível venda de ativos pela Hapvida é que o valor desses negócios hoje deve ser significativamente inferior ao desembolsado na aquisição. Isso porque, além de a operadora ter enfrentado forte pressão na bolsa nos últimos anos, esses ativos têm relevância estratégica limitada para a maioria dos players nacionais.
"Apesar disso, vemos a possível venda como positiva, pois: destrava valor e, sobretudo, remove um peso dos resultados e reduz distrações da gestão em relação ao turnaround do core, concentrado no mercado de São Paulo", avalia o time de análise.
O JP ainda pontua que que esses ativos têm baixa relevância para os resultados da companhia — cerca de 5% da receita consolidada —, enquanto dados da Agência Nacional de Saúde (ANS) sugerem contribuição negativa para o lucro.
"Considerando os dados da ANS como referência, estimamos que a Clinipam opere com uma sinistralidade (MLR) de 85% e o CCG com 95,8% em 2025, versus 78% da Hapvida consolidada. Isso sugere que uma parte relevante da pressão sobre a sinistralidade vem das operações no Sul, apesar de representarem apenas cerca de 5% da receita", escreve o banco em relatório.
As estimativas do time indicam que a exclusão desses ativo poderia melhorar o MLR em cerca de 50 pontos-base em 2025.
Operação no Sul está entre os grandes problemas da Hapvida
Na semana passada, a Squadra Investimentos, que tem posição acionária de 6,98% na Hapvida, publicou uma carta em que pede mudanças no conselho de administração, questiona as decisões tomadas nos últimos anos e propõe desinvestimentos para redução do endividamento.
No documento, uma das críticas da gestora é justamente nas operações do Sudeste e do Sul, consideradas pela gestora como exemplos claros de execução frustrada.
De acordo com a carta, a integração desses ativos segue gerando efeitos negativos persistentes, sem sinais concretos de reversão. Em 2025, a companhia perdeu 238 mil beneficiários nessas regiões, contra um ganho de quase 800 mil segundo dados da ANS.
Diante disso, a gestora defendeu a venda desses ativos. A leitura é que, nas mãos de operadores mais especializados, essas operações poderiam recuperar valor, ao mesmo tempo em que a Hapvida reduziria sua alavancagem, simplificaria sua estrutura e voltaria a concentrar esforços nas regiões em que possui maior vantagem competitiva.
A carta também chama atenção para o nível de endividamento e para a deterioração financeira recente, destacando que a companhia combina piora operacional com aumento de alavancagem, o que elevou o custo de capital e pressionou a percepção de risco no mercado.
Nesse contexto, a proposta de desinvestimentos surge como uma forma não apenas de desalavancar o balanço, mas também de reequilibrar a estrutura de capital e destravar valor para os acionistas.
Essa não é a única reclamação da Squadra que a Hapvida parece estar inclinada a resolver. Depois da carta, a empresa informou que a eleição dos membros do Conselho de Administração da companhia pode ocorrer por voto múltiplo, um dos mais importantes pedidos feitos pela acionista minoritária.
O histórico de dificuldades da Hapvida nessas regiões do Brasil
A Hapvida já foi tratada como uma das queridinhas do mercado, vista por gestores e analistas como uma tese quase exemplar.
O entusiasmo vinha da verticalização, estratégia em que a operadora controla tanto os planos quanto os hospitais onde os pacientes são atendidos. Esse arranjo, segundo o mercado, ajudava a reduzir desperdícios, evitar conflitos de interesse e manter os custos sob controle.
Só que esse modelo foi pensado na região Nordeste, onde a companhia foi fundada pelo médico oncologista Candido Pinheiro Koren, em 1979.
“Lá, a Hapvida conseguiu se tornar uma baita alternativa ao SUS. O cliente acessava um plano barato e se sentia bem atendido, perdoando possíveis falhas, porque a alternativa seria justamente o atendimento público”, afirma um outro gestor com quem o Seu Dinheiro conversou.
Esse modelo, porém, passou a ser colocado à prova após o avanço da empresa para as regiões Sul e Sudeste, com fusões e aquisições que nunca cumpriram com o prometido incialmente.
Diferentemente do Nordeste, as regiões apresentam concorrência mais acirrada, custos operacionais mais elevados e maior gasto médico, o que limita repasses de preços e pressiona a rentabilidade. Na avaliação de analistas e gestores, esse ambiente acabou dificultando a replicação do sucesso anterior.
Você pode entender melhor nesta reportagem do Seu Dinheiro.
TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
2 de outubro de 2026 - 18:30FECHAMENTO DOS MERCADOS
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
2 de outubro de 2026 - 17:36POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3