Ibovespa sobe mais de 2% com cessar-fogo entre EUA e Irã, mesmo com Petrobras (PETR4) desabando; dólar cai a R$ 5,10
O principal índice de ações da B3 encerrou o dia em alta de 2,01%, a 192.201,16 pontos. O dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1029, com queda de 1,01%, enquanto os futuros do petróleo tiveram as maiores quedas percentuais desde a pandemia

Nos últimos 39 dias de guerra entre os Estados Unidos e o Irã, qualquer sinal de paz entre os países era o bastante para contaminar os mercados com alívio — e fortes altas. Agora, o gatilho é mais robusto, com o anúncio de um cessar-fogo temporário feito pelo presidente Donald Trump na noite de ontem (7).
O acordo afasta, ao menos por ora, o risco de um bombardeio militar de grandes proporções na região. Ele foi costurado após uma rodada acelerada de esforços diplomáticos liderados pelo Paquistão e a poucas horas do prazo imposto pelo chefe da Casa Branca para “aniquilar toda a civilização iraniana”.
Um dos principais pontos do cessar-fogo foi a exigência norte-americana de reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital para o petróleo no mundo inteiro. O país persa reativou a passagem, mas ainda controla de perto as embarcações. Segundo um levantamento do Euronews, existem mil navios na fila esperando pela autorização da marinha iraniana, que ameaça destruir quem tentar passar sem isso.
Assim, as bolsas do mundo inteiro avançaram com força nesta quarta-feira (8), enquanto os preços do petróleo — o ativo mais sensível ao conflito — despencaram.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para junho fecharam com derrocada de 13,30%, a US$ 94,75 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Esse é o menor nível desde 11 de março.
Já os do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio caíram 16,40%, a US$ 94,41 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, no menor nível desde 25 de março.
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As quedas percentuais diárias foram as maiores desde abril de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
Ibovespa sobe forte, mesmo com Petrobras (PETR4) desbando
Por aqui, o Ibovespa encerrou as negociações em alta de 2,01%, a 192.201,16 pontos, renovando recordes intradia e de fechamento.
O principal índice de ações da B3 conseguiu sustentar a alta apesar a forte queda nas ações da Petrobras (PETR4; PETR3). Um dos grandes pesos-pesados do índice, os papéis fecharam o dia com uma das maiores desvalorizações.
O dólar à vista (USDBRL), por sua vez, terminou as negociações a R$ 5,1029, com queda de 1,01%, o menor nível desde maio de 2024. Na mínima intradia, a moeda chegou aos R$ 5,0656.
Os índices de Wall Street também tiveram forte alta. Em destaque, o Dow Jones subiu 1.300 pontos, com alta de 2,85%, aos 47.909,92 pontos, no melhor desempenho diário desde abril do ano passado. O S&P 500 e Nasdaq avançaram, respectivamente, 2,51% e 2,80%.
Na Europa, os ganhos foram intensos. O índice pan-europeu Stoxx 600 — que reúne ações de diversos países do continente — avançou 3,88%, enquanto o Dax, da Alemanha, saltou 5,06%.
Em Londres, o FTSE 100, principal índice do Reino Unido, subiu 2,51%, e, em Paris, o CAC 40, que representa o mercado acionário da França, teve ganho de 4,49%.
O mercado asiático fechou a sessão de hoje em disparada, com destaque para o índice sul-coreano Kospi, que avançou 6,87% em Seul, e o japonês Nikkei, que subiu 5,39% em Tóquio.
Destaques do Ibovespa: Hapvida (HAPV3) tem maior alta, enquanto petroleiras sofrem
Por aqui, as ações das cíclicas domésticas foram destaque do pregão , com alívio nos juros futuros em razão do cessar-fogo temporário. No entanto, a Hapvida (HAPV3) encerrou as negociações com a maior alta, com uma notícia sobre possível venda bilionária de ativos e aumento da participação dos controladores. Veja as maiores altas do Ibovespa hoje:
| Empresa (Ticker) | Alta (%) | Preço (R$) |
|---|---|---|
| Hapvida (HAPV3) | +9,06% | 11,19 |
| Vamos (VAMO3) | +7,91% | 3,82 |
| Direcional (DIRR3) | +7,88% | 13,82 |
| Cyrela (CYRE4) | +7,14% | 25,07 |
| C&A (CEAB3) | +7,02% | 12,65 |
Do lado negativo, as petroleiras derreteram na bolsa, com a derrocada na commodity no mercado internacional. Veja os piores desempenhos de hoje:
| Empresa (Ticker) | Variação (%) | Preço (R$) |
|---|---|---|
| PRIO (PRIO3) | -5,49% | 64,10 |
| Petrobras (PETR3) | -4,42% | 51,19 |
| Petrobras (PETR4) | -3,92% | 46,61 |
| Brava Energia (BRAV3) | -3,38% | 20,57 |
| Ultrapar (UGPA3) | -3,17% | 28,98 |
O que falta saber sobre o cessar-fogo
Na avaliação de Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a trégua anunciada por Donald Trump alivia a pressão no curto prazo sobre os ativos, mas não resolve o principal ponto de preocupação dos investidores: a dificuldade de prever os desdobramentos de uma negociação marcada por interesses estruturalmente divergentes.
"A suspensão temporária dos ataques foi vinculada à reabertura plena e segura do Estreito de Ormuz, enquanto o Irã tratou o recuo americano como validação da sua posição e passou a sustentar a negociação a partir de suas próprias exigências estratégicas. Em termos de mercado, isso significa que a trégua reduz o risco de cauda no curtíssimo prazo, mas não ancora a percepção de estabilidade", afirma Flôres.
Para Matheus Spiess, analista da Empiricus, o quadro ainda está longe de uma resolução definitiva. Ainda assim, o alívio pode fazer com que haja uma normalização gradual do mercado, o que pode ser benefício para ativos globais.
"Permanecem dúvidas relevantes quanto à sua durabilidade, ao grau de concessão efetivamente feito por cada uma das partes e, sobretudo, a questões centrais como a segurança da navegação em Ormuz, a eventual cobrança de taxas e os termos de uma possível reintegração do Irã à economia global", diz o analista.
Outro ponto que Spiess levanta é que seguem em aberto perguntas sensíveis sobre garantias contra novos ataques, reconstrução da infraestrutura atingida e os limites do programa nuclear iraniano.
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