Bradsaúde (ODPV3) faz olhos do Itaú BBA brilharem, que eleva a recomendação para compra; mas entenda qual é o risco
O Itaú BBA acredita que é uma uma operadora líder geradora de caixa, investimentos hospitalares de alto retorno e um perfil atrativo de dividendos

A nova aposta do Bradesco encheu os olhos do Itaú BBA. O banco elevou a recomendação de Bradsaúde (ODPV3) de neutra para compra, afirmando que a empresa é uma história de múltiplas camadas — seguros, hospitais e diagnósticos — ainda não precificada pelo mercado.
O banco de investimentos fixou preço-alvo de R$ 19 para o papel, o que implica um potencial de valorização de 30,2% em relação ao fechamento anterior (28).
Sob o guarda-chuva da Odontoprev, a Bradsaúde nasce englobando todos os ativos de saúde do banco. Quase um mês após anunciar a criação da BradSaúde, sua nova gigante de saúde, o banco detalhou como ficará a nova estrutura. A mudança vai além de uma reorganização societária: trata-se de separar dois motores de crescimento que operam sob lógicas distintas.
A empresa também irá trocar o ticker de negociações na bolsa de valores, para SAUD3. A ação já subiu 31% em 2026 e 45,63% nos últimos 12 meses.
Nos cálculos do BBA, a companhia deve registrar lucro líquido de R$ 413 milhões em 2026 e R$ 552 milhões em 2027 para a Atlântica D’Or, com a participação de 50% da Bradsaúde contribuindo de forma relevante para o resultado consolidado.
Segundo o banco, no consolidado, a expectativa é de múltiplos atrativos de cerca de 10x a relação preço-lucro (P/L) em 2026 e 9x em 2027. Além disso, o banco espera que a companhia ofereça dividend yield de aproximadamente 7% e entregue uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de lucros de cerca de 15% entre 2025 e 2028.
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“Esses fatores, combinados com nossa crescente confiança em um potencial de reprecificação — sustentado por uma posição privilegiada no setor, uma operadora líder geradora de caixa, investimentos hospitalares de alto retorno e um perfil atrativo de dividendos”, avalia o BBA.
Qual o risco da tese
Segundo o banco de investimentos, porém, falta clareza em relação aos resultados da Bradsaúde, especialmente na primeira divulgação. Isso, acrescenta, pode levar a revisões no modelo à medida que novas informações surgirem.
A companhia irá divulgar seu primeiro balanço depois do anúncio de reorganização na segunda-feira (4), depois do fechamento do mercado.
Além disso, há dúvidas estruturais quanto ao potencial de crescimento da base de beneficiários, à manutenção dos níveis de rentabilidade na operação de seguros e às tendências de provisões.
Parceria com Atlântica D’Or
Para o BBA, um ponto de atenção é a expansão da rede hospitalar via parceria com a Atlântica D’Or, visto que as evidências são claras em direção e consistentes de que a operadora de planos deve crescer mais rápido onde possui participação em hospitais.
“Nas microrregiões onde a joint venture expandiu capacidade, a trajetória de participação da Bradsaúde apresentou inflexão positiva após o credenciamento, com penetração aumentando 0,7 ponto percentual em Guarulhos desde o lançamento e 0,3 ponto em Campinas desde a aquisição da participação”, avalia o banco.
Avanço mais lento do lucro operacional
De acordo com o BBA, o lucro operacional da Bradsaúde melhorou significativamente, mas há dois fatores que devem seguir no radar: os reajustes dos preços aplicados nos últimos anos devem desacelerar e as provisões mais moderadas, o que pode não se repetir em 2026, adicionando pressão aos resultados.
Consequentemente, esses pontos sugerem um crescimento mais lento do lucro operacional da Bradsaúde, considera o banco de investimentos.
“Ainda assim, esperamos que a distribuição de juros sobre capital próprio (reduzindo a alíquota efetiva de imposto), a forte geração de caixa e a contribuição de resultados de Atlântica D’Or, Odontoprev e Fleury mais do que compensem, impulsionando um crescimento de 10% nos lucros consolidados da Bradsaúde em 2027”, afirma.
Estratégia de produtos equilibrada
Para o BBA, a Bradsaúde retomou uma trajetória saudável de adições líquidas desde 2025, apoiada pela moderação dos reajustes de preços e por um portfólio de produtos mais amplo e competitivo.
O BBA destaca ainda que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a operadora de planos de saúde expandiu de forma significativa nos últimos meses, resultando em ganhos de participação de mercado nessas regiões, que são altamente competitivas.
“A estratégia de produtos indica uma abordagem equilibrada: a Bradsaúde compete simultaneamente no segmento acessível com coparticipação e no segmento premium com quarto privativo, em vez de adotar um único posicionamento”, afirma o BBA.
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