Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro: o vencedor nas pesquisas eleitorais é o real — e Citi monta estratégia para lucrar com o câmbio
Enquanto o mercado teme a urna, o banco norte-americano vê oportunidade; entenda a estratégia para apostar na valorização do real diante do cenário eleitoral acirrado no Brasil

Enquanto o investidor comum costuma puxar o freio de mão em ano de eleição, o Citi resolveu pisar no acelerador. O banco norte-americano aditivou a estratégia para a América Latina com uma tese contundente: a corrida presidencial acirrada no Brasil está servindo de combustível para o real, garantindo à nossa moeda um desempenho de Fórmula 1 entre os pares emergentes.
De olho nisso, o Citi adicionou posições favoráveis à apreciação do real frente ao dólar na estratégia voltada para ativos latino-americanos. Para capturar esse movimento, o banco montou uma operação estruturada com opções de venda da moeda norte-americana, as chamadas puts.
A política como aliada do real
Diferente do pânico que muitas vezes acompanha as incertezas eleitorais, o Citi observa que o real tem mostrado resiliência e força.
Em relatório enviado a clientes nesta terça-feira (28), o banco afirma que, em um cenário de redução da aversão ao risco, o real tem apresentado o melhor desempenho entre seus pares, impulsionado por sinais de que a corrida presidencial será acirrada.
O ambiente doméstico surpreendeu as projeções do banco. As pesquisas eleitorais mais recentes apontam para eleições muito mais apertadas do que as próprias expectativas da instituição.
"Estávamos antecipando uma recuperação de Lula neste estágio (após uma desaceleração nas pesquisas antes do início do conflito no Oriente Médio), o que até agora não se concretizou", diz o Citi.
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O banco ressalta, inclusive, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já aparece numericamente à frente do petista em alguns levantamentos, o que sinaliza uma disputa voto a voto.
O fator global: o peso do Oriente Médio
Além do componente local, o otimismo do Citi também bebe da fonte do alívio externo.
Segundo o banco, o mercado parece estar aprendendo a conviver com as tensões geopolíticas.
"O sentimento de risco global tem melhorado. As manchetes em torno do conflito no Oriente Médio têm tido um impacto progressivamente menor nos preços globalmente e na América Latina", afirma o Citi.
Essa percepção de melhora levou o banco a reforçar o portfólio não só com o real, mas também com apostas a favor do peso mexicano.
No entanto, o investidor deve manter o radar ligado: em ambos os casos, o principal risco para o sucesso da estratégia é um agravamento da guerra, o que poderia trazer de volta a busca desenfreada pela segurança do dólar.
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