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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

TOUROS E URSOS #268

O dólar está ‘no limite’? Por que este gestor especialista em câmbio não vê muito mais espaço para queda

Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, participou da edição desta semana do podcast Touros e Ursos. Para ele, a moeda norte-americana já se aproxima de um piso e tende a encontrar resistência para cair muito além dos níveis atuais

Bia Azevedo
Bia Azevedo
29 de abril de 2026
14:30 - atualizado às 13:04
Montagem traz notas de dólar caindo do céu, um homem grisalho, de camisa azul, em frente a um microfone. Ao centro, a pergunta: Dólar abaixo de R$ 5 - até quando?
Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Para quem já viu o dólar acima dos R$ 6, viver um câmbio abaixo de R$ 5 parece motivo para festa — até porque, se desconsiderarmos as quedas dos últimos dias, a última vez em que a moeda esteve nesse patamar foi em março de 2024. No entanto, essa desvalorização parece estar próxima do limite.

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Essa é a visão de Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, gestora especialista em câmbio e juros. Convidado da semana do podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro, ele enxerga que o limite para a queda do dólar está perto dos R$ 4,90.

Cabe lembrar que a moeda encerrou as negociações da última terça-feira (28) a R$, 4,9824. No mês, as perdas ultrapassam 3,4%. No entanto, ao longo do pregão de hoje (29) a moeda voltou a superar levemente os R$ 5.

Por que o dólar não deve cair muito abaixo dos R$ 5?

Na visão de Menezes, apesar do apoio de fatores externos — como o avanço nos preços do petróleo, que favorece nossa balança comercial enquanto exportadores — e dos juros elevados, há entraves estruturais que dificultam uma queda mais acentuada do dólar.

Entre eles, o déficit em conta corrente, projetado entre 2,5% e 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), um nível considerado apertado para países emergentes. Isso significa que o Brasil ainda envia mais dólares ao exterior do que recebe, precisando atrair capital estrangeiro de forma constante para fechar essa conta.

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Tem também o fator eleições: embora o calendário político possa gerar euforia nos mercados e pressionar o dólar para baixo em cenários de alternância de poder, Menezes avalia que esse efeito tende a ser passageiro.

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Para ele, o ponto central está no Congresso e no Senado, onde se concentra o real poder para promover reformas estruturais no Brasil. Sem o avanço dessa agenda, qualquer valorização mais forte do real perde fôlego rapidamente.

E a Selic?

Nesta Super Quarta, os bancos centrais do Brasil e dos EUA entram em cena para anunciar suas decisões de política monetária, definindo o rumo das taxas de juros.

Por aqui, a expectativa é de corte de 0,25 ponto percentual, seguindo o plano de afrouxamento monetário, apesar das incertezas causadas pela guerra.

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Segundo Menezes, o corte de 0,25 ponto percentual na Selic deve se confirmar, mas o espaço para novas quedas é limitado. O motivo seria a dificuldade do Banco Central para levar os juros abaixo de 13% ou 12,75% sem um ajuste fiscal mais consistente.

“Se a gente olha a inflação, o CDI ficou algo em torno de 9,6% a 9,8%, ou seja, juros reais bastante elevados. Ainda assim, a economia não desacelerou de forma relevante. Então eu me questiono qual é o nosso novo nível de juros reais de equilíbrio com essa expansão fiscal”, afirma Menezes.

Na prática, o gestor chama atenção para o fato de que, mesmo com um custo de crédito alto — que deveria esfriar consumo e investimentos —, a atividade segue resiliente.

Isso sugere que o chamado juro neutro, nível que equilibra a economia sem estimular nem frear demais, pode estar mais alto do que se imaginava.

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Touros e Ursos da Semana

Já no segundo bloco do programa, em que são escolhidos os ativos que mais se destacaram positiva e negativamente na semana, Donald Trump e o Partido Republicano aparecem como o Ursos da vez, em razão dos impasses nas negociações por paz no Oriente Médio.

Além disso, os mercados preditivos também entraram na categoria. A escolha reflete a mudança de tratamento regulatório: os mercados preditivos deixaram de ser vistos como investimento e passaram a ser enquadrados como apostas online. Com isso, ficaram sujeitos às regras das “bets”, o que já levou ao bloqueio de plataformas irregulares.

Do lado dos Touros, o destaque foi para a Hapvida (HAPV3). As ações têm tido uma alta de 20 no mês, mas segue como uma das teses mais controversas do mercado. Além da companhia, o Citigroup foi a escolha de Alfredo Menezes, que vê o banco como mal precificado e com potencial relevante de ganho de eficiência.

No setor de tecnologia, Nvidia e Intel também chamaram atenção: a primeira disparou após os resultados do primeiro trimestre de 2026, enquanto a segunda aparece como surpresa positiva ao recuperar espaço na corrida por chips no mundo da inteligência artificial.

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