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Em 2026, com apenas três semanas, o ouro já acumula valorização de 17%

Na bola de cristal dos investidores, o futuro dos mercados é turbulento — e muitos dos seus participantes já estão correndo para as colinas, ou melhor, para o ouro.
O metal atingiu recorde de alta nesta segunda-feira (26), ficando acima de US$ 5.100 por onça e ampliando o rali visto em meio às crescentes tensões geopolíticas. No fechamento, o ouro para fevereiro valia US$ 5.082,50 a onça-troy, alta de 2,06%.
A busca por um refúgio seguro levou o metal disparar 64% em 2025, seu maior ganho anual desde 1979. Já em 2026, com apenas três semanas, o ouro já acumula valorização de 17%.
Motivos que justificam os temores dos investidores não faltam e vão desde medo de uma possível bolha no setor das big techs, que divulgam seus balanços do quarto trimestre de 2025 nesta semana, até os impasses causados por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.
Na última semana, o estresse dos investidores subiu, e os preços do ouro atingiram picos recordes consecutivos. O aumento das preocupações dos participantes dos mercados foi causado pelas novas investidas de Trump para anexar a Groenlândia.
Numa tentativa de pressionar os líderes europeus, ele chegou a ameaçar impor novas tarifas aos parceiros comerciais. "A recente alta nos preços do ouro e da prata veio após questões geoeconômicas relacionadas à Groenlândia", escreveu o HSBC em uma nota na semana passada.
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Hoje, no entanto, o alvo da metralhadora tarifária de Trump é outro. Dessa vez, quem entrou na mira foi o Canadá. Trump afirmou durante o fim de semana que imporia uma tarifa de 100% sobre o país se seguisse adiante em um acordo comercial com a China.
As ameaças do republicano adicionou pressão em um mercado já estressado devido à intervenção dos EUA na Venezuela e o aumento das tensões com o Irã. Além disso, Trump também ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, em um aparente esforço para pressionar o presidente francês, Emmanuel Macron, a aderir à sua iniciativa do Conselho da Paz.
Alguns observadores temem que o conselho possa minar o papel das Nações Unidas como a principal plataforma global para a resolução de conflitos, embora Trump tenha dito que trabalhará com a ONU.
“Esse governo Trump causou uma ruptura permanente na forma como as coisas são feitas e, portanto, agora todos estão correndo para o ouro como a única alternativa”, disse Kyle Rodda, analista sênior de mercado da Capital.com, à Reuters.
Em meio ao aumento da percepção de risco dos investidores, os analistas esperam que os preços do ouro subam ainda mais, caminhando em direção a US$ 6.000 ainda este ano.
Além das crescentes tensões globais, analistas destacam que a forte demanda dos bancos centrais e dos investidores de varejo também impulsiona o metal.
Na avaliação do Goldman Sachs, o risco fiscal nos EUA também é um fator para a alta do ouro. O banco enxerga que as proteções contra riscos macroeconômicos globais permanecerão em vigor em 2026.
"Assumimos que as proteções dos riscos globais de política macro permanecem estáveis, pois esses riscos percebidos (por exemplo, sustentabilidade fiscal) podem não se resolver totalmente em 2026", disse Goldman na semana passada.
O rali do ouro está só no começo. Segundo analistas, o apetite dos bancos centrais em engordar seus cofres com o metal pode fazer com que o ativo siga se valorizando. E há diversas maneiras para o investidor acompanhar essa alta.
Apesar de ser possível comprar ouro físico e guardar as barras no cofre de casa, não é o modelo mais prático, já que só pode ser vendido por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, mediante cadastro.
Além disso, vender as barras de ouro também não é tão simples ou rápido. O ativo tem pouca liquidez, ou seja, é difícil e demorado convertê-lo em dinheiro na conta bancária.
Porém, dá para entrar na corrida pelo ouro de formas mais práticas. Há outras opções disponíveis para o investidor, como contratos futuros, fundos de índice (ETFs) e recibos de ações (BDRs). Confira nesta matéria como investir.
*Com informações do Money Times e da CNBC.
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