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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

ALUGUEL DE AÇÕES EM DISPARADA

Às vésperas de eleição decisiva na Hapvida (HAPV3), controladores ‘mostram os dentes’ para defender o poder na empresa

Com aluguel de ações disparando, o movimento que normalmente indicaria pressão vendedora revela, na verdade, uma disputa silenciosa por poder, em que papéis são utilizados como instrumento para ampliar influência na assembleia que decidirá o futuro do conselho

Bia Azevedo
Bia Azevedo
27 de abril de 2026
18:45 - atualizado às 17:27
Ações da Hapvida (HAPV3)
Hapvida (HAPV3) - Imagem: iStock.com/Galeanu Mihai

As ações da Hapvida (HAPV3) têm feito a festa na bolsa, com alta de 30% no mês. Ao mesmo tempo, o aluguel dos papéis está no maior nível em meses. À primeira vista, isso pode parecer um mau sinal para a companhia, já que normalmente indicaria uma crescente de posições vendidas na empresa. Mas nesse caso, o buraco é mais embaixo.

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Cabe lembrar que o aluguel de ações é comumente usado por investidores que esperam a queda de um ativo. Isso porque, ao tomar o papel emprestado, o investidor pode vendê-lo ao preço atual de mercado e, posteriormente, recomprá-lo por um valor mais baixo para devolver ao doador, capturando a diferença como ganho.

No entanto, também é possível alugar ações para ampliar o poder de voto em assembleias específicas, já que quanto maior a quantidade de papéis, maior é o poder de decisão — e esse parece ser o motivo por trás da disparada na taxa de aluguel dos papéis da Hapvida, segundo um relatório do BTG Pactual.

Para o banco, a família Pinheiro, controladora da companhia, deve estar ampliando o aluguel de ações como forma de reforçar sua posição na assembleia que definirá o novo conselho de administração, no dia 30 de abril.

A família Pinheiro quer dominar a assembleia?

De acordo com o BTG Pactual, o número de ações HAPV3 vendidas a descoberto em relação ao volume médio diário negociado tem aumentado significativamente. Essa métrica é conhecida como short interest ratio (SIR). O indicador mostra quantos papéis estão alugados em comparação com a liquidez da empresa na bolsa.

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“O SIR da Hapvida aumentou passou de 4,5 em fevereiro para 12 em abril. Isso provavelmente reflete posicionamento antes da assembleia geral de 30 de abril”, diz o BTG em relatório.

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Hoje cerca de 22,9% das ações em circulação (free float) da Hapvida está alugado, de acordo com dados da Economática e Ágora Investimentos. A taxa é a maior da bolsa, chegando a quase 80%.

Para base de comparação, o segundo lugar está com o Pão de Açúcar (PCAR3), com taxa de 35,8%. Cabe lembrar que a varejista está em recuperação extrajudicial — ou seja, seria de se esperar que as apostas contra o papel tivessem mais força e, por consequência, aumentasse essas porcentagem.

“O aluguel das ações da Hapvida atingiu o maior patamar dos últimos 12 meses, sendo de longe o mais caro entre as ações listadas no Ibovespa. Observamos que quem aluga ações pode aumentar seu poder de voto na assembleia, o único direito de fato transmitido pelo doador ao tomador”, escreve a Ágora em relatório.

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A assembleia para mudança do conselho da Hapvida

A assembleia acontece após a Squadra, que tem participação de cerca de 5% na Hapvida, fazer uma série de questionamentos sobre o rumo que a operadora de planos de saúde e dentários tem tomado nos últimos anos.

No começo deste mês, a gestora divulgou uma carta pedindo por mudanças e no conselho de administração da companhia depois do que a casa classifica como “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”.

Desde o IPO da companhia, em abril de 2018, a ação acumula uma queda de 83%, comparada a uma alta de mais de 100% do Ibovespa no mesmo período.

Na visão da gestora, essa queda drástica é consequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas. Assim, a Squadra pediu por mudanças relevantes na gestão da companhia, focando especialmente no Conselho de Administração.

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A gestora pediu que a eleição de membros na Assembleia, que já estava prevista para 30 de abril antes da divulgação da carta, fosse feita com a adoção de voto múltiplo e indicou três nomes para a próxima assembleia: Tania Sztamfater Chocolat, Bruno Magalhães e Silva e Eduardo Parente Menezes, ex-CEO da Yduqs.

Por meio do voto múltiplo, cada acionista passa a ter um número de votos proporcional à sua participação multiplicada pelo total de cadeiras em disputa, podendo concentrá-los em um único candidato ou distribuí-los entre vários nomes.

Isso tende a aumentar a capacidade de influência de acionistas, especialmente minoritários, na composição do conselho. Em resposta, a Hapvida informou que o mecanismo pode ser utilizado.

Cabe lembrar que, mesmo com o desempenho desastroso da empresa nos últimos anos, o conselho de administração está entre os mais bem pagos do Ibovespa. Segundo a Squadra, a previsão é que os conselheiros da companhia ganhem R$ 57 milhões neste ano, com o terceiro maior pagamento entre as empresas do Ibovespa — mesmo valor que o time do Itaú (ITUB4).

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O aumento de participação dos controladores

No meio disso, a família Pinheiro também aumentou a participação na Hapvida para 55,4% do capital social da empresa.

Se forem excluídas em ações em tesouraria, a participação agregada dos acionistas corresponde a 58,62%. Desse total, cerca de 14% vêm de instrumentos derivativos e outros 14% do aluguel de ações.

Esse movimento é visto pelo mercado como sinal de comprometimento da família com o negócio, o que impulsionou as ações na última semana.

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