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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

CARTEIRA RECOMENDADA

Isa Energia e CPFL são compra em julho. Confira as recomendações de debêntures, CRI e CRA, LCD e títulos públicos para o mês 

BB Investimentos, BTG Pactual, Itaú BBA e XP recomendam travar boa rentabilidade na renda fixa agora, diante da perspectiva de taxas menores no futuro

Monique Lima
Monique Lima
9 de julho de 2025
13:08
renda fixa 1% ao mês, selic ações ibovespa
Imagem: Adobe Stock/Shutterstock - Montagem: Giovanna Figueredo

Julho chega com um panorama misto para o mercado de renda fixa. Enquanto as tensões geopolíticas internacionais persistem, o Brasil observou um alívio inflacionário em junho, ao mesmo tempo que o Banco Central reforçou uma postura rigorosa na política monetária ao aumentar os juros para 15% ao ano

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Essas duas variáveis ao longo do mês passado impulsionaram movimentos nas curvas de juros que balizam as taxas dos títulos de renda fixa

Os juros de curto prazo subiram devido à decisão mais dura do BC e os vencimentos mais longos recuaram significativamente, especialmente os prefixados de cinco anos, refletindo as expectativas de uma inflação futura mais controlada. 

Segundo o Itaú BBA, essa percepção foi evidenciada pela queda nos prêmios de juro real dos títulos públicos atrelados ao IPCA, com o vencimento de cinco anos recuando mais de 30 pontos-base no mês.

A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a valorização do real em relação ao dólar também contribuíram para o recuo das expectativas de inflação no mês passado, especialmente nos vencimentos de médio e longo prazo. 

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O que isso significa para os investimentos em renda fixa? 

Para o Itaú BBA, esse movimento nas curvas de juros reforça a importância de manter uma parcela relevante da carteira em títulos pós-fixados, para capturar a Selic elevada enquanto o BC não inicia o afrouxamento monetário. 

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No entanto, a perspectiva de uma inflação mais baixa no longo prazo favorece os títulos atrelados ao IPCA, principalmente os com vencimentos a partir de cinco anos, que ainda oferecem taxas reais atrativas, acima de 7% ao ano.

Segundo os analistas, agora é o momento de comprar esses títulos para travar a rentabilidade alta que eles oferecem, diante da perspectiva de taxas menores nas emissões futuras. 

Debêntures incentivadas: Isa Energia e Grupo CPFL são destaques de julho 

A renda fixa de crédito privado continua atrativa, segundo os relatórios do Itaú BBA, BB Investimentos, BTG Pactual e XP. 

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Analistas apontam que as debêntures incentivadas e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Imobiliário (CRI) seguem negociando com prêmios interessantes, especialmente para emissores de alta qualidade e com bons ratings. 

Em julho, os destaques são Isa Energia (anteriormente ISA CTEEP) e o Grupo CPFL, nomes que apareceram nas recomendações de mais de um banco, com argumentações de solidez no setor elétrico brasileiro, com elevada previsibilidade de receita.

Isa Energia 

O Itaú BBA recomenda a debênture da Isa Energia (ISAEB8), exclusiva para investidores qualificados, com vencimento em março de 2033 e taxa IPCA+6,6%. 

No relatório, o banco destaca que a Isa Energia é responsável por transmitir aproximadamente 30% de toda a energia elétrica do Brasil e 94% da energia do estado de São Paulo. Isso garante uma elevada previsibilidade de receita, que se baseia na disponibilidade das linhas de transmissão.

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O BB Investimentos também recomenda uma debênture da Isa Energia (TRPLA4), mas aberta para o público geral, com vencimento em outubro de 2033 e taxa de IPCA+6,26%. 

O relatório reforça que a empresa possui 35 contratos de concessão, com prazo médio de 22 anos, e um perfil de dívida alongado. Tudo isso combinado com uma forte geração de caixa, mitiga riscos de inadimplência no pagamento da renda fixa.

Grupo CPFL

O BTG Pactual incluiu a debênture da RGE Sul Distribuidora (AESLA9) nas recomendações para julho, com vencimento para maio de 2035 e uma taxa de IPCA+6,7%. 

A indicação se baseia no prêmio de crédito atrativo, na alavancagem estável da holding e nos bons indicadores operacionais de qualidade — tudo isso respaldado pela avaliação de crédito consistente da CPFL. 

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A RGE é uma empresa do grupo CPFL, responsável pela distribuição de energia em grande parte do estado do Rio Grande do Sul.

Já o Itaú BBA foi mais direto e recomendou uma debênture da própria CPFL (PALFA3), com vencimento em outubro de 2033 e taxa IPCA+6,6%. 

O banco destaca a empresa como outro grande nome do setor elétrico brasileiro, com presença diversificada em distribuição, geração, transmissão e comercialização, além de liderança em energia renovável e foco em eficiência operacional.

Tesouro Direto: Tesouro Selic 2028 é a estrela dos pós-fixados

Dentre os títulos públicos, o Tesouro Selic 2028 segue como a principal indicação para investidores em busca de liquidez e proteção contra a volatilidade, além do alto retorno proporcionado pela taxa Selic em patamares elevados.

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Tanto o Itaú BBA quanto a XP selecionaram o Tesouro Selic 2028 para a carteira de julho. A XP destaca que o papel é ideal para a reserva de emergência e/ou gestão de caixa. 

O título público, para março de 2028, oferece uma rentabilidade de Selic+0,0539%, caso o investidor leve a renda fixa até o vencimento, e está disponível para compra no Tesouro Direto. 

Os títulos atrelados à inflação também são destaque, principalmente na carteira da XP. 

Os analistas fazem três recomendações: IPCA+ 2028, IPCA+ 2033 e uma NTN-C, com vencimento em 2031 e atrelada ao IGP-M. 

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O título atrelado ao IGP-M é uma raridade. Trata-se de uma papel que o governo não emite há mais de 20 anos, de modo que sua liquidez no mercado é muito baixa, e ele só é negociado no mercado secundário — entre investidores. 

O relatório da XP classifica o ativo como uma diversificação interessante dentro do escopo de títulos de inflação. O IGP-M é o índice de preços utilizado pelo mercado imobiliário. 

Os títulos de inflação indicados pela XP, inclusive os IPCA+, não estão disponíveis na plataforma do Tesouro Direto, sendo necessário investir neles via secundário, diretamente por meio da mesa de operações da corretora. Eles remuneram entre 7,6% e 7,0%.

Renda fixa bancária: LCD BNDES é o isento escolhido em julho

No segmento de títulos bancários, a única escolha dos bancos foi a Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD), que surge como uma novidade nas recomendações da XP.

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A LCD escolhida é de emissão do BNDES, com vencimento em dezembro de 2029 e uma taxa isenta de Imposto de Renda de 91% do CDI — o que equivale a 103,7% do CDI em termos brutos. 

A LCD é um novo tipo de título de renda fixa. Lançado no final de 2024, sua emissão é destinada a financiar projetos de desenvolvimento no país e, até o momento, possui isenção de IR. 

Além disso, conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investimentos de até R$ 250 mil por CPF por banco emissor. 

Veja a carteira de renda fixa de cada instituição: 

BTG Pactual

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TítuloData de vencimentoRetornoRating local
Debênture Prio (PEJA22)15/02/2034IPCA + 7,24%AA+
Debênture Energisa Tocantins (CTNSA3)15/05/2035IPCA + 7,22%AAA
Debênture Energisa Sul (ESSDA4)15/05/2035IPCA + 7,22%AAA
Debênture RGE Sul Distribuidora (AESLA9)15/05/2035IPCA + 7,10%AAA
Debênture Itapoá (ITPO15)15/05/2040IPCA + 7,33%AA-
Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15)15/02/2044IPCA+ 8,58%AAA
CRI Pacaembu (25F2573710)27/06/2030NDAAA
Debênture Arteris (ARTRB7)15/05/2035NDAAA
Retorno verificado no dia 09 de julho de 2025.
(ND): título para investidores profissionais, sem indicação de remuneração no aplicativo.

Fonte: BTG Pactual.

Itaú BBA 

TítuloData de vencimentoRetornoRating local
Debênture CPFL (PALFA3)15/10/2033IPCA + 6,6%AAA
Debênture Suzano (SUZBA0)15/09/2038IPCA + 6,4%AAA
Debênture Prio (PEJA11)*15/08/2032IPCA+7,0%AAA
Debênture Isa Energia (ISAEB8)*15/03/2033IPCA + 6,6%AAA
Debênture Sabesp (SBSPF3)*15/01/2040IPCA + 6,4%AAA
Tesouro Selic 202801/03/2028Selic + 0,0539%-
Tesouro Prefixado2028 01/01/202813,41%-
Tesouro IPCA+204015/08/2040IPCA + 7,04%-
*Título para investidor qualificado
Retorno verificado no dia 09 de julho de 2025. 
Fonte: Itaú BBA.

BB Investimentos 

TítuloData de vencimento
Debênture Equatorial Goiás (CGOS16)*15/03/2036
Debênture Equatorial Goiás (CGOS28)*15/09/2036
Debênture Eletrobras (ELET14)15/09/2031
Debênture Eneva (ENEV15)*15/06/2030
Debênture Isa Energia (TRPLA4)15/10/2033
CRA BRF (CRA020002H1)*15/07/2030
CRA Boa Safra (CRA02500001)*15/01/2030
CRA Klabin (CRA022007EP)*15/05/2034
CRA Marfrig (CRA024009Q4)16/10/2034
CRA Marfrig (CRA024002ML)15/03/2034
*Título para investidor qualificado
Fonte: BB Investimentos.

XP Investimentos 

TítuloData de vencimentoRetornoRating local
Tesouro Selic 202801/03/2028Selic + 0,0539% -
Tesouro IPCA+ 202815/08/2028IPCA + 7,6%-
Tesouro IPCA+ 203315/05/2033IPCA + 7,0%-
NTN-C 203101/01/2031IGP-M + 6,6%-
Tesouro Prefixado 202701/07/202713,34%-
LCD BNDES05/12/202991% do CDIAAA
Debênture Rumo (RUMOA4)15/04/2030IPCA + 6,9%AAA
CRI Cyrela (25D0012203)15/04/2030 95% do CDIAAA
Debênture Auren (AURP12)15/04/2035IPCA + 6,7%AAA
Debênture Sabesp (SBSPE3)*15/01/2035IPCA + 6,3%AAA
*Título para investidor qualificado
Retorno indicado pela XP em relatório. 
Fonte: XP Investimentos.

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