Nem toda renda fixa, mas sempre a renda fixa: estas são as escolhas dos especialistas para investir no segundo semestre
Laís Costa, da Empiricus, Mariana Dreux, da Itaú Asset, e Reinaldo Le Grazie, da Panamby, indicam o caminho das pedras para garantir os maiores retornos na renda fixa em evento exclusivo do Seu Dinheiro
“Com 15%, 14% de juros, sobrealocação em renda fixa está perfeito. Não precisa inventar nada [para garantir bons retornos]”. Esta é a opinião de Reinaldo Le Grazie, ex-diretor do Banco Central e sócio da Panamby, sobre investimentos em renda fixa no Brasil.
Em participação no evento “Onde Investir no Segundo Semestre”, realizado pelo Seu Dinheiro em parceria com o Money Times, Le Grazie avalia que o Brasil tem uma dinâmica muito específica de precificação de juros no mercado futuro que beneficia a estratégia de investimento no curto prazo, com retorno muitas vezes maior do que no longo prazo.
“Se você alongar no Brasil, tenho a impressão de que o mercado não paga”, afirma.
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Com isso, a renda fixa de curto prazo tem sido e continuará sendo a estratégia vencedora de investimento em 2025 e, possivelmente, nos próximos anos, para o ex-BC.
A análise de Le Grazie tem como base o atual patamar da Selic — taxa básica de juros do Brasil — em 15% ao ano, com a sinalização do Banco Central de que irá se manter neste nível por um período prolongado.
Mariana Dreux, gerente de portfólio na Itaú Asset, e Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus, concordam com a recomendação do ex-BC de se ater aos títulos de curto prazo.
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Ambas convidadas no painel de renda fixa junto com Le Grazie, elas destacaram os riscos de volatilidade que devem afetar o preço dos títulos de renda fixa nos próximos meses: divergências políticas sobre as contas públicas, eleições 2026 e geopolítica internacional.
“Não é só o Brasil. A gente deve ver um mundo de inflação e juros mais alto daqui para a frente”, diz Mariana Dreux.
Esta matéria faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre onde investir no segundo semestre de 2025. Eis a lista completa:
- Cenário macroeconômico
- Renda fixa (você está aqui)
- Ações e dividendos
- Fundos imobiliários
- Criptomoedas
- Investimentos internacionais
- Alocação de carteira
Pós-fixados é a escolha número um
A escolha dos títulos pós-fixados foi unanimidade entre os especialistas ouvidos no painel do Onde Investir no Segundo Semestre. Segundo eles, é uma opção que une segurança e bons retornos.
Mariana Dreux afirma que, com esses títulos, o investidor pode “ficar escondido”, no sentido de estar mais protegido, com um alto retorno, sem precisar se expor a risco.
Os títulos pós-fixados, indexados ao CDI — indicador que acompanha o preço da taxa Selic —, têm baixa volatilidade de preço e garantem um pagamento em linha com o nível de juros no momento do pagamento.
Ao optar por títulos de curto prazo, é possível garantir uma remuneração alta diante da sinalização de que a taxa Selic irá continuar na faixa dos 15% ou 14% nos próximos meses.
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Renda fixa indexada à inflação também é uma boa opção
Enquanto os pós-fixados são uma escolha baseada nos juros altos, a renda fixa atrelada à inflação tem como base a percepção de que os preços vão continuar apresentando altas relevantes e fora da meta do Banco Central nos próximos anos.
Atualmente, a inflação — medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — está na faixa dos 5% em 12 meses, e a projeção do mercado é que feche o ano próximo deste nível, enquanto a meta perseguida pelo BC é de 3%.
Para os próximos anos, as projeções indicam que o IPCA vai continuar fora da meta, na faixa dos 4,5% a 4% em 2026 e 2027.
Diante disso, a renda fixa atrelada ao IPCA é um investimento que garante a correção do valor aplicado pela inflação e um ganho adicional de juros, que também está em patamares elevados devido à alta Selic.
“Se as coisas derem muito errado e houver um aumento significativo da inflação, os títulos indexados ao IPCA proporcionam uma proteção substancial ao portfólio do investidor”, diz Mariana Dreux.
E complementa: “Mesmo que o cenário melhore [com inflação mais baixa e juros menores], o investidor ainda vai ganhar. Um pouco menos, mas vai ganhar.”
Regra de bolso: vencimento + carrego
Le Grazie expressa ceticismo quanto à ideia de que a renda fixa atrelada à inflação sempre protege contra a alta dos preços.
Ele aponta que, na prática, a inflação pode subir em determinados períodos, mas se o prêmio de juros também subir, o preço do título perde valor e, com isso, o investidor também estaria perdendo parte do seu investimento.
Foi exatamente o que aconteceu nos últimos anos. Como a taxa de juros subiu desde o fim da pandemia, os títulos públicos indexados ao IPCA tiveram um desempenho ruim quando se olha para a marcação de preço.
O que ele sugere como minimizador de risco é optar por títulos de prazos menores, e carregar até o vencimento para garantir a correção do valor aplicado pela inflação e o prêmio de juros fixado no papel.
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Fundos de crédito: renda fixa de até 110% do CDI
O crédito privado tem “bombado” como opção de diversificação dentro da renda fixa, segundo Laís Costa, com muitas carteiras sobrealocadas nesses ativos.
A analista da Empiricus afirma que, mesmo neste cenário de juros altos, os fundos de crédito têm bons ativos em suas carteiras, com riscos baixos de eventos de inadimplência. Ela espera um segundo semestre pujante para alocação e captação de recursos.
Entretanto, Costa pondera que muitos investidores ainda têm preconceito com fundos devido às suas taxas, o que ela vê como algo sem sentido, já que os retornos esperados e sinalizados por esses fundos já são líquidos das taxas.
Le Grazie concorda com Costa e destaca que, dentro de uma estratégia pós-fixada em juros, os fundos de crédito estão pagando até 110% do CDI, com a garantia de um ativo com gestão ativa.
Outra opção que ele vê com bons olhos são os fundos de infraestrutura isentos de Imposto de Renda: “fundos com um prazo mais longo, pagando 95% do CDI e isentos, são boas opções também.”
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