Quem é a Reag Investimentos, a maior gestora independente do Brasil e que agora está na mira da Receita Federal
Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag se tornou a oitava maior gestora de recursos do Brasil — mas hoje ganha os holofotes por conta de uma operação da Receita contra o crime organizado

Toc, toc, toc. Três batidinhas na porta da sede da Reag Investimentos, na Faria Lima, coração financeiro de São Paulo. Não era um cliente, não era um investidor. Era a Receita Federal. E, naquele instante, a manhã da gestora se transformava em notícia nacional.
Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag rapidamente se tornou a maior gestora independente do país e hoje ocupa a oitava posição entre todas as gestoras de recursos do Brasil, com cerca de R$ 299 bilhões sob gestão.
Crescimento meteórico, prestígio no mercado… até que, nesta quinta-feira (28), o nome da gestora voltou a aparecer nos noticiários por um motivo bem diferente.
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A Reag entrou para a lista de 350 alvos da Operação Carbono Oculto, uma das maiores investigações da Receita Federal contra o crime organizado na história do Brasil.
As ações da Reag (REAG3) iniciaram o pregão em forte queda, liderando a ponta negativa da bolsa brasileira.
Por volta das 11h35, os papéis tombavam 20,21% após terem entrado em leilão na abertura da sessão, cotados a R$ 3,00. Desde o início do ano, a desvalorização chega a 36%.
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A Reag na mira da Receita Federal
Na manhã desta quinta, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas sedes da Reag Investimentos e da Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros) — junto a outras centenas de CNPJs e pessoas físicas do mercado financeiro.
A operação, que se tornou a maior da história do órgão contra o crime organizado, investiga a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal, com foco em fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Segundo a Receita, o esquema se valia de centenas de empresas e fintechs, em vez de bancos tradicionais, para movimentar recursos do crime organizado, dificultando o rastreio e blindando lucros elevados na cadeia de produção de combustíveis.
Esses ganhos eram, então, ocultados em fundos de investimento, por meio de diversas camadas de sigilo, tornando quase impossível identificar os beneficiários finais.
Pelo menos 40 fundos de investimentos — entre multimercados e imobiliários (FIIs) — com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, estavam sob controle da organização criminosa.
A maioria desses fundos era fechada, com um único cotista, muitas vezes outro fundo, tornando ainda mais difícil descobrir quem estava por trás do dinheiro.
Entre os 350 alvos, chamaram atenção empresas financeiras de grande porte, incluindo a Reag Investimentos, que administra centenas de bilhões em fundos.
Quem é a Reag Investimentos?
O crescimento da Reag não passou despercebido pelo mercado. Aquisições estratégicas, presença cultural e patrocínios, como o do cinema Belas Artes, em São Paulo, deram visibilidade à gestora.
Entre os movimentos de M&A mais recentes está a compra da plataforma GetNinjas, que hoje está sob investigação da CVM, a xerife do mercado de capitais brasileiro.
No início de 2025, a gestora fez sua estreia na B3 por meio de um IPO reverso, após adquirir a GetNinjas e transformar a plataforma de serviços terceirizados em uma nova frente de investimentos do grupo.
A Reag é listada no Novo Mercado da B3, o nível mais elevado de governança corporativa da bolsa brasileira.
Porém, a CVM investiga se, desde o começo, a Reag tinha a intenção de assumir o controle da empresa — o que motivou a abertura de processo por suposta falta de transparência.
Hoje, a Reag reúne diversas empresas sob seu guarda-chuva financeiro:
- Reag Asset Management: gestão de fundos de investimento;
- Reag Wealth Management (RWM): gestão patrimonial;
- Reag Administradora de Recursos: carteiras de títulos e valores mobiliários;
- Empírica Investimentos: especializada em crédito estruturado, com R$ 25 bilhões sob gestão;
- Reag Trust (Ciabrasf): originalmente parte da GetNinjas, reestruturada e listada na B3 em fevereiro deste ano. Atua na administração de fundos fiduciários, FIPs, FIDCs e Fundos Multimercado.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a Reag confirmou o mandado de busca e apreensão e afirmou que “as companhias estão colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo as informações e documentos solicitados”.
Quem é o fundador da Reag Investimentos?
Fundador e presidente do conselho de administração da Reag, João Carlos Mansur soma mais de 33 anos de experiência em auditoria, controladoria e planejamento estratégico.
Formado em Ciências Contábeis, com MBA em Finanças Corporativas e Administração, Mansur também é administrador de carteiras e valores mobiliários, além de atuar como conselheiro de administração e fiscal independente.
Ao longo da carreira, trabalhou como executivo sênior em empresas como PwC, Monsanto, Tishman Speyer Properties, Trump Realty Brazil e Allianz Parque.
Hoje, Mansur atua como fundador e presidente do conselho da Ciabrasf (ADMF3), do Grupo Azevedo & Travassos e da Reeve.
Além disso, ele integra os conselhos da BLUM – Cia Securitizadora de Créditos S/A, da Lux Oil & Gas International e do Grupo SteelCorp.
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