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Rede de academias pretende retirar até 13,6 milhões de ações de circulação da B3; entenda a estratégia por trás da decisão

Em meio a um início de ano difícil para as ações ligadas ao consumo na bolsa brasileira, a Smart Fit (SMFT3) decidiu mandar um recado ao mercado: a empresa acredita que seus papéis caíram além da conta na bolsa.
Após acumular desvalorização próxima de 20% em 2026, a maior rede de academias da América Latina anunciou nesta segunda-feira (25) um novo programa de recompra de ações.
A empresa quer retirar até 13,6 milhões de ações de circulação, o que equivale a até 2,5% do total de papéis SMFT3 negociados hoje na bolsa (free float).
O anúncio acontece em um momento de pressão para as ações SMFT3 na bolsa, em meio a um ambiente mais duro para empresas cíclicas. Juros elevados, desaceleração econômica e um mercado ainda seletivo têm pesado sobre companhias mais dependentes da melhora do ambiente macroeconômico doméstico.
Ainda assim, a decisão da Smart Fit sugere que a administração enxerga um descompasso entre o preço atual das ações e o valor que acredita existir no negócio no longo prazo.
O novo programa entrou em vigor hoje e poderá seguir em execução pelos próximos 18 meses, até 25 de novembro de 2027.
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No mercado, programas de recompra de ações costumam funcionar como um sinal de confiança da própria administração na tese da companhia.
É como se a empresa dissesse ao investidor: nos preços atuais, vale mais a pena comprar nossas próprias ações do que direcionar esse capital para outras alternativas.
No comunicado divulgado ao mercado, a Smart Fit afirmou que o objetivo da operação é “maximizar a geração de valor para os acionistas, mantendo a disciplina da alocação de capital”.
Além do efeito simbólico, programas de recompra também possuem impacto financeiro relevante para quem continua sócio da empresa, atuando, na prática, como uma espécie de “dividendo indireto”.
Isso porque, quando uma companhia retira ações de circulação e eventualmente cancela esses papéis, cada acionista remanescente passa a deter uma fatia proporcionalmente maior do negócio.
Com menos ações dividindo o mesmo lucro da companhia, aumenta o potencial de ganho por ação ao longo do tempo — tanto em dividendos quanto em valorização dos papéis.
O movimento, porém, não vem sem efeitos colaterais. Com menos ações disponíveis no mercado, a liquidez das ações tende a diminuir. Ou seja, o volume de papéis negociados diariamente fica mais enxuto, o que reduz a circulação dos ativos na bolsa.
Segundo a companhia, as ações adquiridas poderão seguir diferentes destinos ao longo do programa.
Os papéis serão mantidos em tesouraria e poderão, futuramente, ser cancelados ou revendidos ao mercado, dependendo da estratégia financeira da empresa ao longo do período de recompra.
A Smart Fit também informou que poderá utilizar essas ações em programas de incentivo de longo prazo voltados à retenção de executivos e colaboradores, incluindo planos de remuneração baseados em ações restritas.
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