O pior está por vir para o Banco do Brasil: Goldman Sachs faz novas previsões e corta preço-alvo de BBAS3
O banco norte-americano manteve a recomendação neutra para as ações do BB, com um novo preço-alvo para dezembro de R$ 23, refletindo as revisões de estimativas

Mais uma casa de análise se junta ao time de pessimistas sobre o Banco do Brasil (BBAS3). Nesta segunda-feira (23), o Goldman Sachs divulgou uma revisão negativa nas estimativas, principalmente devido ao aumento da inadimplência no crédito rural.
A redução da projeção para o lucro líquido em 2025 foi de 22%, enquanto a projeção para o lucro líquido recorrente caiu para R$ 25,6 bilhões, 31% abaixo da faixa mínima do guidance anterior, que era de R$ 37 bilhões a R$ 41 bilhões.
Além disso, o Goldman Sachs prevê que a inadimplência nas operações rurais (NPLs), atualmente em 3%, deverá piorar no segundo trimestre deste ano. Isso representa um problema para o BB, mais exposto ao agronegócio, com 33% da carteira de crédito ligada ao setor, contra apenas 7% no Bradesco (BBDC4) e 3% no Santander (SANB11).
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Com isso, o banco norte-americano manteve a recomendação neutra para as ações do BB, com um novo preço-alvo para dezembro de R$ 23 — anteriormente R$ 25 — refletindo as revisões de estimativas.
A deterioração macroeconômica no Brasil, a Selic mais alta pressionando o custo de captação e margens financeiras, e a maior deterioração da carteira rural são vistos como os principais riscos negativos na visão dos analistas do Goldman Sachs.
No pregão desta segunda-feira (23), as ações da BBSA3 recuaram 1,08%, cotadas a R$ 21,12. No ano, o Banco do Brasil acumula queda de 9,12%.
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O Goldman Sachs atribui o aumento da inadimplência a uma sequência de fatores: superprodução pós-safra recorde, alta nas commodities devido à guerra da Ucrânia, e eventos climáticos extremos em 2023 e 2024.
Do total de 33% da carteira de crédito do BB, 96% corresponde às linhas de crédito para produtores individuais, enquanto outros bancos privados têm cerca de 50% nessa categoria.
Com isso, a formação de NPLs (empréstimos que não foram pagos) atingiu R$ 14,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano, ou 5,2% da média da carteira de crédito.
As reservas para cobrir as perdas do Banco do Brasil também não acompanharam o ritmo da inadimplência. No primeiro trimestre de 2025, o BB provisionou apenas 71% dos NPLs, abaixo dos 81% nos três trimestres anteriores e mais de 90% anteriormente.
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Nesse cenário, o Goldman Sachs projeta um salto nas provisões para R$ 13,7 bilhões no segundo trimestre de 2025, com custo de risco chegando a 4,9% antes de cair gradualmente.
A casa de análise estima ainda que as provisões totais para 2025 serão de R$ 49 bilhões — 17% acima do teto da orientação inicial (R$ 38 bilhões a R$ 42 bilhões).
“Reconhecemos, no entanto, que ainda há pouca visibilidade, pois a própria gestão admite não saber quando os NPLs rurais vão atingir o pico”, destaca o relatório.
O BB deve registrar um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de apenas 13,6% em 2025, bem abaixo dos 21,4% em 2024 e também inferior aos 18,1% esperados para os bancos privados.
Pressão sobre receita de juros
Mesmo com a perspectiva de recuperação gradual, o cenário continua desafiador para a receita de juros dos bancos, segundo o Goldman Sachs.
A elevação dos empréstimos classificados como "stage 3" — aqueles considerados de maior risco de inadimplência — pode continuar pressionando os resultados.
Isso acontece porque a Resolução 4966 não permite reconhecer a receita de juros dessas operações, mesmo quando 38% delas seguem sendo pagas em dia.
Ainda assim, a expectativa é de que haja melhora na margem financeira ao longo do ano, conforme o banco absorve os custos mais altos de captação registrados no primeiro trimestre de 2025.
A carteira de crédito deve crescer 5,8% no ano — patamar mais próximo do piso da faixa projetada pela administração do Banco do Brasil (5,5% a 9,5%).
Além disso, parte da receita pode ser recuperada com o refinanciamento de empréstimos rurais e a retomada dos pagamentos pelos produtores. A previsão é de uma receita líquida de juros de R$ 100 bilhões em 2025, 10% abaixo do piso do guidance anterior (R$ 111 bilhões a R$ 115 bilhões).
Mesmo assim, o retorno sobre o patrimônio tende a melhorar nos próximos anos, saindo de 13,6% em 2025 para 16,4% em 2026 e 17,3% em 2027.
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Projeções do Goldman Sachs para o Banco do Brasil para 2025
| Indicador | Projeção Goldaman Sach | Var. em relação ao guidance anterior |
|---|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 25,6 bilhões | -31% |
| Receita líquida de juros (NII) | R$ 100 bilhões | -10% |
| Provisões para perdas | R$ 49 bilhões | - |
| ROE | 13,60% | -380 pontos-base |
| Payout de dividendos | 30% | Abaixo do guidance de 40% a 45% |
O que está acontecendo com o Banco do Brasil?
Há algum tempo, o BB tem sido prejudicado pelo aumento da inadimplência na sua carteira de agronegócio. Historicamente, o banco estatal é bastante exposto ao setor. Parte do Plano Safra do governo federal é desembolsado pela instituição financeira.
Porém, pequenos e médios produtores têm tido problemas com suas produções nos últimos tempos. Dificuldades com efeitos climáticos têm levado a perdas parciais ou totais de plantações.
Além disso, aumento de custos com fertilizantes e ração para o gado também são causas de preocupações.
Um dos artifícios usados por esses pequenos e médios produtores tem sido a recuperação judicial, que trava a liquidação de dívidas com credores.
Para o Banco do Brasil, isso significa inadimplência.
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