Moody’s Analytics já estava prevendo a crise na Ambipar (AMBP3) desde 2024… foi só o mercado que não viu
De acordo com o diretor Tadeu Marcon Teles, o modelo da companhia já indicava “mudanças notáveis no perfil de risco” da Ambipar desde dezembro

A crise da Ambipar (AMBP3), que explodiu de vez no fim de setembro de 2025, já vinha sendo pressentida meses antes — ao menos pelos modelos da Moody’s Analytics. Segundo a empresa de análise de risco, os sinais de deterioração começaram a aparecer ainda no fim de 2024, muito antes da turbulência chegar às manchetes.
De acordo com Tadeu Marcon Teles, diretor da Moody’s Analytics, o modelo da companhia já indicava “mudanças notáveis no perfil de risco” da Ambipar desde dezembro do ano passado. Entre 19 de dezembro de 2024 e 8 de setembro de 2025, o nível de risco da empresa aumentou mais de oito vezes, um salto que chamou a atenção dos analistas.
“Os alertas começaram a aparecer em janeiro de 2025, quando o risco já havia triplicado em relação ao mês anterior”, disse Teles, em nota à imprensa. “O crescimento foi gradual, mas constante.”
- VEJA TAMBÉM: BOLSA em alta: OPORTUNIDADE ou voo de galinha? O que você PRECISA saber - assista o novo episódio do Touros e Ursos no Youtube
Os primeiros sinais do abalo na Ambipar (AMBP3)
O avanço do risco da Ambipar foi explicado, em parte, por uma piora em dois pilares centrais da modelagem da Moody’s: a alavancagem de mercado e a volatilidade dos ativos.
A alavancagem de mercado — que compara o valor de mercado dos ativos de uma empresa com seu ponto de default, ou seja, o limite a partir do qual ela deixaria de honrar suas obrigações — começou a se deteriorar rapidamente. Um aumento nesse índice geralmente indica menor capacidade de absorver choques financeiros e maior probabilidade de inadimplência.
Ao mesmo tempo, a volatilidade dos ativos da Ambipar subiu de forma constante. Essa oscilação reflete tanto as fortes quedas nas ações AMBP3 na B3 quanto no aumento da incerteza sobre o valor de seus ativos. Na prática, quanto mais volátil o papel, mais incerto o mercado enxerga o futuro da empresa.
Leia Também
Os modelos da Moody’s Analytics funcionam de maneira preditiva. Eles têm como objetivo detectar movimentos de risco antes que cheguem ao radar das agências de rating tradicionais — e, neste caso, o sistema já soava alarmes muito antes da crise se tornar pública.
É importante destacar que a Moody’s Analytics não é a mesma entidade que a Moody’s Ratings, a agência que emite notas de crédito formais para empresas. No caso da Ambipar, a Moody’s Ratings nunca atribuiu rating de crédito à companhia. Atualmente, apenas a S&P Global e a Fitch Ratings possuem avaliações de crédito para as emissões da empresa.
A crise na Ambipar (AMBP3)
No último dia 22, os bonds da Ambipar com vencimento em 2031 desabaram no mercado internacional pouco antes da empresa ter anunciado a sua sétima emissão de debêntures, no valor de R$ 3 bilhões.
Do outro lado do balcão, o Deutsche Bank, um dos credores da Ambipar, não assistiu a tudo isso parado. A instituição exigiu um aditivo de US$ 35 milhões, provocando um efeito em cadeia que poderia acelerar obrigações financeiras em até R$ 10 bilhões.
Segundo a revista Veja, o contrato com o banco alemão previa a cobrança do aditivo em caso de desvalorização dos bonds no mercado internacional.
Sem alternativas, a Ambipar recorreu à proteção judicial em setembro, alegando que o banco exigia garantias muito além dos termos contratuais.
No radar da empresa está uma possível recuperação judicial para as próximas semanas. De acordo com a Bloomberg, a companhia deve entrar com um pedido de reestruturação de dívidas na Justiça do Rio de Janeiro.
É preciso destacar que a situação financeira da companhia parecia contraditória com um pedido de reestruturação, na visão do mercado.
Ao mesmo tempo que reportou uma dívida de R$ 616 milhões, segundo a agência S&P Global, a companhia registrou uma posição de caixa de R$ 4,7 bilhões no fim do segundo trimestre, o que deveria ser mais que suficiente para cobrir as dívidas.
A Ambipar alega que o pedido de proteção judicial tem a ver com a necessidade de se proteger de um efeito cascata de vencimento das suas dívidas (cross-default), mas os credores começaram a tentar rastrear o caixa da empresa. Apenas US$ 80 milhões (cerca de R$ 400 milhões) foram encontrados, segundo fontes.
VEJA TAMBÉM: Por dentro do COLAPSO da Ambipar: o escândalo que abalou a B3
ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL
Natura (NATU3) emite R$ 700 milhões em debêntures com meta ligada ao uso de plástico sustentável
17 de setembro de 2026 - 18:24TODO CUIDADO É POUCO
As 3 ações do varejo que se dão bem com o aumento do Bolsa Família — e a pegadinha desvendada pelo J.P.Morgan
17 de setembro de 2026 - 18:00MUDANÇAS NO ALTO ESCALÃO
Taesa (TAEE11) escolhe ex-CFO da Petrobras para o comando do conselho — e ela já foi eleita uma das mulheres mais poderosas do mundo
17 de setembro de 2026 - 12:06COMBUSTÍVEIS
Mais caixa e dividendos no tanque: Santander divulga novo preço-alvo para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), com potencial de alta de 27%
16 de setembro de 2026 - 16:31NA BERLINDA
“Sem saída fácil”: Braskem (BRKM5) despenca mais de 13% após UBS BB rebaixar ação e cortar preço-alvo em 74%
16 de setembro de 2026 - 14:09LA BELLE DE JOUR