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Maria Carolina Abe

Maria Carolina Abe

É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país - entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora de Empresas no Seu Dinheiro.

TRAJETÓRIAS OPOSTAS

Gol (GOLL4) dispara mais de 30%, enquanto Azul (AZUL4) figura entre maiores quedas do Ibovespa; entenda o que está acontecendo

Na véspera, Azul teve sua nota de crédito rebaixada pela agência de risco S&P, enquanto Gol avançou para fim do processo de recuperação judicial nos EUA

Maria Carolina Abe
Maria Carolina Abe
21 de maio de 2025
11:47 - atualizado às 17:24
Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) anunciam acordo de codeshare
Imagem: Divulgação / Montagem Seu Dinheiro

As ações da Gol (GOLL4) fecharam esta quarta-feira (21) com uma das maiores altas da bolsa brasileira, após uma valorização de mais de 12% na véspera. Os papéis GOLL4 terminaram o dia com ganho de 36,27%, cotados a R$ 1,39.

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Em contrapartida, sua colega Azul (AZUL4) passaram o dia entre as maiores baixas do Ibovespa e fecharam em queda de 4,63%, a R$ 1,03.

Na véspera, as duas companhias aéreas tiveram notícias importantes sendo divulgadas: a Azul teve sua nota de crédito rebaixada pela agência de risco S&P, enquanto a Gol avançou para o fim do processo de recuperação judicial nos EUA.

Agência rebaixa nota de crédito da Azul

A Azul anunciou, na noite de terça-feira (20), que a agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou sua nota de crédito de “CCC+” para “CCC-”, com perspectiva negativa, citando o risco elevado de calote devido à liquidez fraca e queima de caixa.

Segundo a S&P, apesar das reestruturações de dívida anteriores, a elevada dívida e os pagamentos de leasing continuam a representar desafios significativos para a Azul, limitando o acesso a financiamentos adicionais. 

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A perspectiva negativa do rating indica a maior probabilidade de inadimplência nos próximos seis a doze meses, a menos que haja uma melhora substancial no fluxo de caixa ou novas fontes de financiamento.

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O rebaixamento pela S&P sai poucos dias após outra agência de risco, a Fitch, ter tomado uma decisão semelhante.

Gol chega perto do fim da recuperação judicial nos EUA

Já a Gol apresentou nesta terça-feira (20), em audiência decisiva nos Estados Unidos, o seu plano para sair do chamado Chapter 11, processo semelhante à recuperação judicial brasileira, iniciado em janeiro de 2024. O plano foi aprovado pela justiça de Nova York. 

A empresa havia chegado ao encontro com boas notícias: uma captação de US$ 1,9 bilhão na semana passada, além do apoio da maior parte dos credores.

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Após esse aval, o processo da Gol deve passar por trâmites finais e terminar no começo de junho, segundo estimativa da empresa. No dia 30 de maio acontece uma assembleia geral para aprovar o aumento de capital previsto no plano de recuperação.

Fusão com Azul subiu no telhado?

A saída da Gol do Chapter 11 sempre foi citada como essencial para o andamento das negociações de uma potencial fusão com a Azul, já que o objetivo da operação seria criar uma companhia aérea mais saudável.

Acontece que neste momento, em que a Gol caminha para sair da recuperação judicial nos EUA, esta possibilidade é avaliada pela Azul

Em resposta aos rumores sobre uma possível recuperação judicial, a Azul afirmou que "monitora constantemente alternativas" que possam contribuir para o fortalecimento de sua estrutura de capital e preservação de liquidez, com foco na sustentabilidade de longo prazo de suas operações.  

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A companhia afirma que realizou progressos significativos na redução de sua dívida e alavancagem, e esclarece, em comunicado ao mercado, que permanece em discussões contínuas com parceiros para otimizar sua estrutura de capital e posição de liquidez.

Os analistas André Ferreira, do Bradesco BBI, e Wellington Lourenço, da Ágora Investimentos, avaliam que uma entrada da Azul em Chapter 11 pode levar ao atraso ou até mesmo cancelamento das negociações.

“O futuro do negócio ainda é incerto, com o CEO da Gol, Celso Ferrer, afirmando que o grupo está trabalhando para garantir que a Gol saia de sua reestruturação em uma posição forte e que o acordo com a Azul não seja necessário”, pontuam.

* Com informações do Money Times

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