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Karin Salomão

Karin Salomão

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.

DÍVIDAS BATENDO À PORTA

Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) fecha acordo de recuperação extrajudicial com credores para negociar dívidas de R$ 4,5 bilhões; o que deu errado?

A rede varejista afirmou que ficam de fora dessas negociações os débitos com fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas

Karin Salomão
Karin Salomão
10 de março de 2026
9:08 - atualizado às 10:53
Pão de Açúcar em queda na bolsa, imagem do mercado com um gráfico vermelho em cima
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR43) acaba de anunciar que celebrou um acordo com seus principais credores para apresentação de um plano de recuperação extrajudicial.

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O plano abrange dívidas sem garantia de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. A rede varejista afirmou que ficam de fora dessas negociações os débitos com fornecedores, parceiros e clientes, bem como obrigações trabalhistas, que não serão afetadas.

Cerca de R$ 2,1 bilhões de suas dívidas, ou 46% do total, já estão no plano firmado entre o GPA e os seus principais credores. Esse valor é superior ao mínimo de um terço dos créditos afetados para a celebração de um acordo extrajudicial. Desde o começo do ano, a ação PCAR3 já caiu 28,16%.

O plano tem efeitos imediatos, prevê a suspensão das obrigações da companhia junto aos credores afetados e dá à empresa 90 dias para a continuidade das negociações. O pedido foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da companhia e ainda precisa ser homologado pela Justiça.

"Nesse período, a companhia confia que conseguirá o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo", disse o GPA em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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"O plano representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação", disse a empresa.

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O CEO, Alexandre Santoro, chegou ao cargo recentemente, em janeiro deste ano. Em fevereiro, Pedro Albuquerque assumiu como CFO, saído da Kraf-Heinz e com a missão de reestrurar a varejista financeiramente. A companhia tem uma dívida considerada impagável, de R$ 2,7 bilhões, praticamente o dobro do seu valor de mercado.

Mais dívidas que dinheiro no caixa do Pão de Açúcar

O GPA já queima caixa há mais de quatro anos. Ainda que em 2025 a empresa tenha tido uma geração de caixa livre de R$ 669 milhões, 2,6 vezes mais que no ano anterior, o custo da dívida foi de R$ 920 milhões no ano.

Foi a falta de liquidez da empresa que levou a desconfianças sobre a continuidade da operação. Com R$ 1,7 bilhão em dívidas batendo à porta neste ano, a varejista encerrou o ano passado com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão.

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Na semana passada, a Fitch Ratings revisou sua recomendação de crédito para a companhia e cortou sua nota de ‘A(bra)’ para ‘CCC(bra)’. Ou seja, o GPA saiu de uma faixa considerada como grau de investimento para um nível associado a risco de inadimplência ou reestruturação de dívida.

A agência cita risco elevado de refinanciamento, liquidez pressionada e contínua geração de caixa negativa.

Já no relatório de divulgação de resultados do quarto trimestre de 2025, a consultoria Deloitte afirmou que há “incerteza relevante” sobre a continuidade operacional da empresa.

"Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período", aponta a Deloitte.

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Entenda aqui qual a real situação da companhia e o que deu errado nos últimos anos.

Como o Pão de Açúcar chegou até aqui?

O declínio do Pão de Açúcar pode ser explicado por uma combinação de fatores macro e microeconômicos. Do lado estrutural, o comportamento do consumidor mudou. A consolidação dos atacarejos, com preços mais baixos e operação enxuta, atraiu parte relevante do público em busca de economia.

Ao mesmo tempo, o segmento premium passou a ser ocupado por redes especializadas e mais eficientes, como hortifrutis e supermercados focados em maior qualidade, deixando o GPA espremido em um meio-termo difícil de sustentar.

Internamente, segundo gestores, a companhia demorou a reagir a essa mudança de hábito. A estratégia não se ajustou com a velocidade necessária, o desempenho operacional piorou e o endividamento aumentou.

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O contexto societário agravou o quadro. Após dividir o controle com Abilio Diniz, o grupo francês Casino assumiu o comando total do GPA em 2012.

Nos anos seguintes, porém, o Casino passou a enfrentar dificuldades financeiras na Europa, acumulando cerca de 7 bilhões de euros em dívida, pressionado por concorrência acirrada e uma estratégia agressiva de aquisições.

Cabe lembrar que, em seu auge, o GPA detinha controle sobre uma série de marcas relevantes no varejo brasileiro. Entre elas, destacam-se Pão de AçúcarExtraAssaí, Minuto Pão de AçúcarDrogaria Extra e a participação na Via Varejo, que reunia Casas Bahia e Ponto Frio.

Com a pressão dos credores lá fora, o Casino teve que começar a vender os negócios que compunham o GPA.

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