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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SUBIU DEMAIS?

Hora de tirar o pé das Havaianas? Citi rebaixa ação da Alpargatas (ALPA4) após rali de quase 120% na B3

Analistas dizem que o turnaround funcionou — mas o mercado já parece ter colocado essa melhora na conta; veja a tese

Camille Lima
Camille Lima
10 de março de 2026
14:41 - atualizado às 14:40
Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas
Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas - Imagem: Reprodução / Dall-E / ChatGPT

Quem calçou as ações da Alpargatas (ALPA4) nos últimos 12 meses não tem do que reclamar. A dona da marca Havaianas engatou uma corrida de tirar o fôlego na bolsa brasileira, acumulando uma valorização de quase 120% em um ano. 

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Mas, depois desse sprint acelerado, os analistas do Citi acreditam que chegou o momento de diminuir o ritmo e respirar. 

Em relatório divulgado nesta terça-feira (10), o banco rebaixou a recomendação das ações ALPA4 de compra para neutro.  

Não porque a empresa tenha saído do caminho do turnaround, mas porque, na visão do banco, o mercado já parece ter precificado grande parte dessa recuperação. 

As ações ALPA4 operam em queda após o rebaixamento. Por volta das 14h15, os papéis caíam 1,58%, cotados a R$ 12,47. 

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O "pé no freio": por que o Citi rebaixou a ALPA4? 

Para os analistas, o ponto central da mudança de visão não está exatamente no desempenho operacional da empresa.  

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Segundo o banco, a Alpargatas vem executando bem o plano de reestruturação. O problema é que o preço da ação passou a refletir grande parte desse progresso, enquanto alguns novos riscos começam a aparecer no horizonte. 

O principal gatilho para a revisão da recomendação foi o resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25), que trouxe sinais mistos. 

De um lado, a operação mostra sinais claros de recuperação. De outro, os custos começaram a subir com mais força do que o esperado. 

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A conta dos gastos chegou para a Alpargatas

Parte dessa pressão veio de uma decisão estratégica da companhia: investir mais na marca Havaianas

No Brasil, os gastos com marketing saltaram 85% na comparação anual, em uma tentativa de fortalecer a presença da marca e acelerar as vendas no varejo. 

A estratégia funcionou do ponto de vista comercial. O chamado sell-out — a venda na ponta final para o consumidor — mostrou melhora, indicando que a demanda pelos produtos segue firme. 

O problema, segundo o Citi, é que o tamanho desses investimentos surpreendeu negativamente. 

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As despesas operacionais, que incluem marketing, administrativas e comerciais (SG&A), vieram acima do esperado pelos analistas, o que acabou anulando parte dos ganhos vindos do crescimento da receita. 

A pressão das commodities 

Outro ponto que passou a chamar a atenção dos analistas está nos custos de produção. 

Grande parte das matérias-primas usadas na fabricação dos chinelos da companhia deriva do petróleo. Entre elas estão butadieno e estireno, dois insumos fundamentais na composição do material utilizado nos produtos. 

Essas commodities vêm registrando forte valorização recentemente, em meio à escalada do petróleo. 

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Segundo o Citi, esses dois insumos representam aproximadamente 25% do custo de produção da Alpargatas, o que significa que movimentos prolongados de alta podem pressionar as margens da empresa. 

No curto prazo, porém, o impacto deve ser limitado. A companhia afirmou que está bem abastecida de matérias-primas até meados de 2026, o que deve proteger os resultados ao longo do primeiro semestre. 

A preocupação aparece mais adiante. Para o segundo semestre, o Citi projeta um aumento de cerca de 8% no custo por par produzido, o que poderia reduzir a margem bruta em cerca de um ponto percentual. 

turnaround acabou? 

Não exatamente. Apesar do rebaixamento da recomendação, o Citi reconhece que a empresa executou bem a reestruturação iniciada nos últimos anos. 

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A companhia conseguiu reduzir estoques, melhorar o capital de giro e simplificar a operação internacional — um segmento que enfrentou dificuldades no passado e que, segundo as projeções do banco, deve voltar a ser lucrativo em 2026. 

“Continuamos construtivos sobre a história de turnaround da Alpargatas, que agora está relativamente concluída”, afirmam os analistas, em relatório. 

O problema, do ponto de vista do investidor, é que grande parte desse valor já foi capturada no mercado. 

O problema agora é o valuation 

Depois desse rali, o principal ponto de atenção passou a ser o valuation. Hoje, a Alpargatas negocia a cerca de 12 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L). 

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Na avaliação do Citi, esse múltiplo coloca a empresa em um perfil de risco-retorno mais equilibrado, sem uma margem clara de valorização adicional no curto prazo. 

Em outras palavras, a melhora operacional da companhia já parece amplamente refletida no preço das ações. 

Mesmo com a recomendação neutra, há um fator que ainda ajuda a sustentar o interesse dos investidores: os dividendos

Segundo o Citi, a Alpargatas oferece atualmente um dividend yield próximo de 7%, o que pode funcionar como uma espécie de amortecedor para a ação. 

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Ainda assim, para o banco, isso não é suficiente para sustentar uma recomendação de compra neste momento. 

"A ação já refletiu essa melhora, na nossa visão. Embora vários desses fatores operacionais, além de dividendos/JCP, pareçam duráveis, agora vemos um perfil de risco‑retorno mais equilibrado, justificando o rebaixamento”, afirmou o Citi. 

O preço-alvo foi mantido em R$ 13, o que implica uma tímida valorização potencial de 2,6% em relação ao último fechamento. 

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