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Para os analistas, o segmento de pequenos e médios bancos concentra oportunidades interessantes, mas também armadilhas de valor; veja as recomendações

À medida que o mercado começa a olhar para 2026 em busca de oportunidades, os bancos fora do grupo dos gigantes voltam ao radar de investidores em busca de assimetrias. Para o BTG Pactual, o setor concentra oportunidades interessantes, mas também diferenças importantes entre quem entrega valor no longo prazo e quem apenas parece barato.
No topo da lista está o Banco ABC Brasil (ABCB4), apontado pelos analistas como a principal tese de valor do setor.
Ao lado, mas por razões bem diferentes, aparece o Banco Pine (PINE4), embalado pelo forte crescimento do crédito consignado privado.
Já o Banrisul (BRSR6) ficou no escanteio: barato no papel, mas com rentabilidade baixa e visibilidade limitada.
Para o BTG, o ABC Brasil (ABCB4) reúne os principais ingredientes de uma tese de longo prazo: negocia abaixo do valor patrimonial e tem espaço para melhorar a rentabilidade à medida que alguns vetores comecem a trabalhar a favor.
A expectativa é de recuperação gradual dos spreads, ganho de escala em novas iniciativas e materialização da alavancagem operacional ao longo do ciclo de queda de juros.
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Os analistas reconhecem que o momentum de curto prazo foi fraco nos resultados mais recentes, o que ajuda a explicar por que o mercado ainda não precificou essa melhora potencial.
Para que a ação realmente se reprecifique, os analistas avaliam que será necessário um aumento mais claro do spread de rentabilidade frente ao custo de crédito e à Selic — algo que tende a levar tempo para aparecer nos números.
Além disso, o banco investiu de forma relevante nos últimos anos em frentes como middle market, renda variável e novos produtos, que ainda não atingiram escala suficiente para fazer diferença robusta no resultado.
Ainda assim, a leitura do BTG é de que a espera tem valido a pena. “A paciência tem se mostrado recompensadora para os investidores do ABC — uma verdadeira ‘estratégia de enriquecimento lento’”, escreveram os analistas.
O banco elevou o preço-alvo das ações do ABC Brasil de R$ 27 para R$ 29, o que representa um potencial de valorização próximo de 30%, já considerando os dividendos.
Enquanto o ABC Brasil é uma história de paciência, o Banco Pine (PINE4) é hoje uma tese de execução e timing, avaliam os analistas.
Mesmo negociando a um valuation mais premium — cerca de 2,2 vezes o valor patrimonial (P/VP) —, o banco apresenta um momentum operacional muito forte, impulsionado principalmente pelo crédito consignado privado.
Na leitura do BTG, o Pine se beneficiou por ter sido um dos primeiros players a ganhar tração nesse segmento.
O resultado são ROEs robustos no curto prazo, superiores a 30%, com expectativa de que o retorno sobre o patrimônio líquido supere 40% no quarto trimestre e permaneça acima dos 30% ao longo de 2026.
A aposta dos analistas é que esse desempenho sustenta um potencial de valorização relevante, especialmente quando considerado o tamanho da oportunidade em relação ao valor de mercado.
Mesmo assim, os analistas não descartam os riscos. Mesmo assumindo uma normalização gradual da economia do consignado privado, há incertezas importantes no radar: concorrência mais agressiva, possíveis tetos regulatórios para taxas de juros, desafios na execução de cross-selling de produtos e uma deterioração mais rápida do que o esperado na qualidade dos ativos, o que poderia pressionar provisões.
Outro ponto de atenção é o capital. O nível de capitalização do Pine segue relativamente apertado frente aos pares, e a administração já sinalizou a possibilidade de uma oferta subsequente no primeiro trimestre de 2026.
Na visão do BTG, esse movimento poderia apoiar o crescimento, reforçar os colchões de capital e melhorar a liquidez das ações.
“Embora não esperemos que ROEs acima de 30% sejam sustentáveis no longo prazo, o forte momentum pode manter os retornos elevados por mais tempo do que o atualmente precificado”, dizem os analistas.
O BTG fixou um preço-alvo de R$ 15 para as ações do banco, o que representa um potencial de alta de 30%, incluindo dividendos.
Entre os pequenos e médios bancos, o Banrisul foi o que mais perdeu espaço na recomendação do BTG. A classificação para as ações BRSR6 segue neutra, apesar do valuation aparentemente atrativo.
Na visão dos analistas, embora o papel negocie a cerca de 0,55 vez o valor patrimonial, o potencial de valorização é limitado. “Embora ainda seja uma tese de valor, vemos cada vez mais o risco de uma armadilha de valor”, afirmam.
Para o BTG, o principal problema é a rentabilidade. O ROE segue preso em níveis baixos de dois dígitos, os chamados “low teens”, com pouca visibilidade de melhora no curto prazo.
Além disso, parte do desempenho recente do banco foi sustentada por reversões de provisões, um fator que, segundo o BTG, não é estrutural nem sustentável.
Na prática, esse movimento apenas compraria tempo até que a margem financeira (NII) consiga melhorar de forma mais consistente, o que exigiria uma migração da carteira para ativos de maior retorno.
A expectativa do BTG é que o momentum de lucros do Banrisul comece a perder força já no quarto trimestre, em meio a um crescimento apenas modesto da carteira de crédito.
Os analistas reconhecem que o pacote de socorro do governo federal ao agronegócio — por meio da medida provisória 1314 — pode trazer algum alívio pontual aos tomadores rurais e permitir novas reversões de provisões.
Mesmo assim, os analistas avaliam que esse efeito tende a ser mais do que compensado por uma deterioração mais ampla da carteira, com aumento dos empréstimos classificados em Estágio 3.
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