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A expectativa é de que a C&A continue reduzindo a diferença em relação à sua maior concorrente, a Lojas Renner — e os números do terceiro trimestre de 2025 mostram isso

Dizem que quem vê close não vê corre. No caso da C&A (CEAB3), essa máxima nunca foi tão verdadeira. Depois de passar por um reposicionamento de marca no ano passado, abandonar de vez as vendas de smartphones e priorizar áreas como a beleza para reforçar o caixa, a varejista de moda colhe os frutos: um resultado robusto no terceiro trimestre que catapultou as ações ao topo do Ibovespa nesta quarta-feira (5).
Os papéis subiram 8,51%, cotados a R$ 17,34. No ano, CEAB3 também brilha na bolsa: acumula ganho de 123,2% — e o Itaú BBA diz que há espaço para mais.
O banco manteve a recomendação outperform (equivalente à compra) para a C&A, com preço-alvo de R$ 22, o que representa um potencial de valorização de 37,7% ante o fechamento anterior.
Nos cálculos do BBA, a C&A é negociada a múltiplo de 8,2 vezes o preço sobre o lucro (P/L) previsto para 2026 e por isso continua sendo a escolha preferida no setor de vestuário.
O otimismo dos analistas Rodrigo Gastim, Victor Rogatis, Vinicius Pretto e Kelvin Dechen se justifica: a C&A deve continuar entregando bons resultados no quarto trimestre.
"Embora o mercado permaneça preocupado com a desaceleração macroeconômica, os efeitos climáticos e uma possível queda na arrecadação de impostos sobre roupas, ainda esperamos que a C&A continue a superar seu principal concorrente graças à execução consistente nos últimos anos", afirmam.
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A Lojas Renner (LREN3) superou a C&A em faturamento e participação de mercado, tornando-se a maior varejista de moda do País. Riachuelo (GUAR3), Zara e, mais recentemente, H&M, que entrou no mercado nacional disputando espaço com as duas últimas, também são players importantes que disputam o mesmo segmento.
Nesta quarta-feira (5), as ações LREN3 também operam em alta: avançam 2,40%, cotadas a R$ 15,34. No ano, no entanto, a performance está bem abaixo de CEAB3: acumulam ganhos de 31% até aqui.
O BTG Pactual também manteve a indicação de compra para C&A. Na visão do banco, a combinação de espaço para melhorias operacionais e um balanço patrimonial desalavancado, justificam ter o papel em carteira agora. O banco tem preço-alvo de R$ 23 para a ação.
A XP também mantém a recomendação de compra, tendo em vista que os resultados reforçam a execução consistente da C&A e a história de autossuficiência.
A C&A reportou lucro líquido de R$ 69,5 milhões no terceiro trimestre, um crescimento de 62,2% em relação a igual período de 2024.
Segundo a varejista de moda, o desempenho refletiu a evolução do resultado operacional, impulsionada pela expansão do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e pela redução da alavancagem.
O Ebitda ajustado do varejo (antes do IFRS 16) atingiu R$ 207 milhões, um aumento de 15% em relação ao ano anterior e praticamente em linha com a estimativa do BBA.
O lucro líquido ajustado foi de R$ 64 milhões, um aumento de 22,5% em relação ao ano anterior (ou R$ 46 milhões excluindo a correção monetária sobre créditos tributários e impostos indevidos).
A equipe do BBA destaca que as vendas no conceito mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) do segmento de vestuário cresceram 8,1%, após alta de 18,9% no mesmo trimestre de 2024, elevando o acumulado de dois anos para 28,5%.
Para os analistas, esse crescimento reforça os ganhos contínuos e relevantes de participação de mercado.
O principal destaque, no entanto, foi o forte fluxo de caixa livre (FCF) de R$ 231 milhões ante estimativa de R$ 112 milhões do banco, com a maior parte desse resultado positivo proveniente de uma sólida diferença no capital de giro — R$ 94 milhões a mais do que o estimado.
Para a XP Investimentos, os números da C&A vieram dentro do esperado. A equipe de analistas destaca o sólido desempenho no segmento de vestuário, ainda que em desaceleração, principalmente atribuída às adversidades climáticas.
A análise do BBA sugere um crescimento de vendas por metro quadrado em lojas consolidadas de cerca de 2% acima da inflação no trimestre.
“Acreditamos que a C&A reduziu a diferença de produtividade em relação à Lojas Renner em 3 pontos porcentuais ante um ano, para 38% de 41% no terceiro trimestre de 2024”, afirmam.
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