BRB ganha novo presidente: Banco Central aprova Nelson Souza para o cargo; ações chegam a subir mais de 7%
O então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi afastado pela Justiça Federal em meio a investigações da Operação Compliance Zero

Os efeitos da liquidação do Banco Master e da Operação Compliance Zero atingiram em cheio o Banco de Brasília (BRB), que teve o seu então presidente Paulo Henrique Costa afastado pela Justiça Federal. Agora, a cadeira passará a ser ocupada por Nelson Antônio de Souza, que ganhou o aval do Banco Central para o cargo de novo presidente da instituição. O mercado parece que gostou da dança das cadeiras: as ações BSLI3 chegaram a subir mais de 7% nesta quinta-feira (27).
A indicação foi feita pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e divulgada ao mercado em 19 de novembro, um dia após a operação da Polícia Federal (PF) que prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por suspeitas de negociações de títulos falsos com o BRB.
Antes da aprovação pelo BC, o executivo passou por sabatina na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que aprovou seu nome, assim como o plenário da Casa.
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“Meu compromisso é defender o BRB e trabalhar junto com os mais de cinco mil empregados do Conglomerado BRB para fazer com que a instituição siga sendo forte, sólida e que dê ainda mais orgulho à população de Brasília. Faremos um choque de gestão, em parceria com os órgãos de controle, sempre observando a legislação”, afirmou Souza.
Por volta de 16h20, as ações do BSLI3 — que estão fora do Ibovespa — tinham alta de 4,43%, cotadas a R$ 7,31. No início do dia, os papéis chegaram a subir mais de 7%. Em novembro, no entanto, os ativos acumulam queda de 17%. No ano, as perdas são menores: -5,2%.
Quem é Nelson de Souza
Com 45 anos de experiência no mercado financeiro, Nelson Souza possui MBA em Consultoria Empresarial pela Universidade de Brasília (UnB) e em Administração e Marketing pelo Instituto de Estudos Empresariais do Rio de Janeiro. Ele também é graduado em Letras e Psicologia.
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Souza iniciou a carreira como menor aprendiz no Banco do Brasil, onde ingressou por concurso. Em 1979, passou a atuar na Caixa Econômica Federal, também por concurso, onde ocupou diversos cargos, incluindo vice-presidente de Habitação, antes de se tornar presidente da instituição em 2018.
Além disso, presidiu o Banco do Nordeste (BNB), a Desenvolve SP e a BrasilCap. Mais recentemente, ocupava o cargo de vice-presidente da Elo.
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Liquidação do Banco Master, prisão de Vorcaro e o envolvimento do BRB
No dia 18 de novembro, a PF prendeu Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, enquanto ele tentava embarcar para o exterior. O banqueiro é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional.
Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, que enfrentava dificuldades financeiras nos últimos meses.
A operação também resultou no afastamento de Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, inicialmente por 60 dias. Em março, o banco estatal de Brasília havia anunciado a compra da instituição financeira de Vorcaro, mas a operação foi posteriormente vetada pelo Banco Central.
Segundo a PF, o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master no primeiro semestre de 2025 para a compra de carteiras de crédito, antes mesmo de formalizar a intenção de comprar o banco.
Porém, quando o BC analisou o negócio, constatou indícios de que essas carteiras de crédito eram falsas, ou seja, simplesmente não existiam.
Segundo as investigações, foram produzidos documentos com data de 2024 para tentar justificar o negócio, mas a assinatura eletrônica era de abril e maio de 2025, período no qual o BC pediu informações sobre as transferências de recursos do BRB para o Master.
“A hipótese investigativa levantada é a de que a solução do Grupo Master para aportar recursos muito superiores à sua produção histórica, e que fossem capazes de cobrir o rombo de 12 bilhões, consistiu em se associar, ilicitamente, a uma Sociedade de Crédito Direto, com o objetivo de inflar seu patrimônio artificialmente, por meio da aquisição de carteiras de créditos inexistentes e revendê-las ao BRB”, diz a decisão judicial que autorizou a operação.
Nesses documentos falsos, foram usadas informações de duas associações ligadas a Augusto Lima, também sócio de Vorcaro no banco Master. O objetivo seria simular a existência de carteiras de crédito consignado bilionárias.
Depois que o Banco Central rejeitou o negócio de compra do Master pelo BRB, os investigadores detectaram que o banco público do Distrito Federal continuou transferindo recursos para a instituição de Daniel Vorcaro.
Por isso, eles entenderam que os crimes continuavam em andamento e justificavam a prisão preventiva de Vorcaro e outros diretores do Master.
BRB se defende
Já no final da semana passada, o Banco de Brasília declarou que mantém sua solidez financeira, após reportagens indicarem operações de cessão de carteiras relacionadas ao Banco Master.
Segundo o BRB, dos R$ 12,76 bilhões apontados como exposição bruta de carteiras com documentação fora dos padrões exigidos, mais de R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos, e o valor restante não representa exposição direta ao Master.
*Com informações do Money Times.
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