Conselho do BRB elege novo presidente após afastar o antigo em meio à liquidação do Banco Master e prisão de Daniel Vorcaro
O Banco de Brasília (BSLI4) indicou Nelson Antônio de Souza como presidente da instituição bancária e destituiu, com efeito imediato, Paulo Henrique Costa do cargo de presidente
Os efeitos da liquidação extrajudicial do Banco Master seguem reverberando, e devem seguir assim por um tempo — principalmente para o BRB. O banco estatal de Brasília indicou Nelson Antônio de Souza como presidente da instituição e destituiu, com efeito imediato, Paulo Henrique Costa do cargo, segundo fato relevante enviado ao mercado na quarta-feira (19) à noite.
De acordo com o conselho de administração, Souza acumulará a diretoria executiva de finanças, controladoria e relações com investidores. Ele permanecerá no exercício simultâneo dessas funções até a realização da próxima assembleia-geral, quando a estrutura de liderança deverá ser novamente deliberada.
O anterior diretor-executivo de finanças, controladoria e relações com investidores, Dario Oswaldo Garcia Junior, também foi destituído do cargo, acrescentou o BRB.
Os efeitos da liquidação do Master para o BRB
A divulgação ocorre após a Polícia Federal prender o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros executivos, na terça-feira (18). Na mesma operação, agentes cumpriram mandados de busca na sede do banco estatal de Brasília e nas residências de Paulo Henrique Costa e Dario Oswaldo Garcia Júnior, que já estavam afastados de seus cargos por 60 dias.
Os executivos do Banco de Brasília foram acusados de participação consciente em fraude perpetrada para reforçar a combalida situação de liquidez do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central também na terça-feira.
Segundo a decisão judicial proferida pelo juiz federal Ricardo Augusto Leite, vista pela Reuters, que autorizou a prisão e o afastamento de dirigentes das duas instituições, o esquema pode ter gerado perdas superiores a R$ 10 bilhões para o banco público.
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Segundo conclusões da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master no primeiro semestre de 2025 para a compra de carteiras de crédito, antes mesmo de formalizar a intenção de comprar o banco.
Quando o BC analisou o negócio, constatou indícios de que essas carteiras de crédito eram falsas, ou seja, simplesmente não existiam.
Segundo as investigações, foram produzidos documentos com data de 2024 para tentar justificar o negócio, mas a assinatura eletrônica era de abril e maio de 2025, período no qual o BC pediu informações sobre as transferências de recursos do BRB para o Master.
“A hipótese investigativa levantada é a de que a solução do Grupo Master para aportar recursos muito superiores à sua produção histórica, e que fossem capazes de cobrir o rombo de 12 bilhões, consistiu em se associar, ilicitamente, a uma Sociedade de Crédito Direto, com o objetivo de inflar seu patrimônio artificialmente, por meio da aquisição de carteiras de créditos inexistentes e revendê-las ao BRB”, diz a decisão judicial que autorizou a operação.
Nesses documentos falsos, foram usadas informações de duas associações ligadas a Augusto Lima, também sócio de Vorcaro no banco Master. O objetivo seria simular a existência de carteiras de crédito consignado bilionárias.
Depois que o Banco Central rejeitou o negócio de compra do Master pelo BRB, os investigadores detectaram que o banco público do Distrito Federal continuou transferindo recursos para a instituição de Daniel Vorcaro.
Por isso, eles entenderam que os crimes continuavam em andamento e justificavam a prisão preventiva de Vorcaro e outros diretores do Master.
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