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Em março, o banco estatal de Brasília havia anunciado a compra do Master, mas a operação foi vetada pelo Banco Central

Com a liquidação do Banco Master na semana passada e a prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, o Banco de Brasília (BRB) se viu no centro do imbróglio, e a B3 exigiu explicações. Após o questionamento da bolsa brasileira sobre uma reportagem do jornal Valor Econômico, que levantou possíveis irregularidades nas transações, o BRB divulgou esclarecimentos sobre as operações.
Segundo o comunicado do banco, todas as decisões foram tomadas com base em estudos técnicos e submetidas aos órgãos colegiados e comitês internos, seguindo as práticas de governança corporativa e gestão de riscos.
O documento detalha que, após serem identificadas, as operações fraudulentas com o Master foram desfeitas, parte por devolução em dinheiro e parte por transferência de ativos para recompor o balanço do BRB.
Segundo o banco, aproximadamente R$ 10 bilhões em ativos foram substituídos, sempre com acompanhamento e comunicação ao Banco Central (BC), garantindo que os indicadores prudenciais do banco permanecessem sob controle.
Já sobre a contabilização da venda de parte da Financeira BRB, o banco esclareceu que a operação foi conduzida de acordo com um processo competitivo iniciado em fevereiro de 2024. O BRB também ressaltou que o registro contábil da transação seguiu orientações do BC para refletir corretamente a data de efeitos do contrato.
A insituição financeira ainda reafirmou seu "compromisso com a transparência, a integridade e a observância rigorosa das normas contábeis e regulatórias aplicáveis, permanecendo à disposição para prestar esclarecimentos adicionais que se façam necessários".
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Na terça-feira passada (18), a Polícia Federal (PF) prendeu Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, enquanto ele tentava embarcar para o exterior. O banqueiro é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional.
Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.
Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, que enfrentava dificuldades financeiras nos últimos meses.
A operação também resultou no afastamento de Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, inicialmente por 60 dias. Em março, o banco estatal de Brasília havia anunciado a compra da instituição financeira de Vorcaro, mas a operação foi posteriormente vetada pelo Banco Central.
Segundo a PF, o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master no primeiro semestre de 2025 para a compra de carteiras de crédito, antes mesmo de formalizar a intenção de comprar o banco.
Porém, quando o BC analisou o negócio, constatou indícios de que essas carteiras de crédito eram falsas, ou seja, simplesmente não existiam.
Segundo as investigações, foram produzidos documentos com data de 2024 para tentar justificar o negócio, mas a assinatura eletrônica era de abril e maio de 2025, período no qual o BC pediu informações sobre as transferências de recursos do BRB para o Master.
“A hipótese investigativa levantada é a de que a solução do Grupo Master para aportar recursos muito superiores à sua produção histórica, e que fossem capazes de cobrir o rombo de 12 bilhões, consistiu em se associar, ilicitamente, a uma Sociedade de Crédito Direto, com o objetivo de inflar seu patrimônio artificialmente, por meio da aquisição de carteiras de créditos inexistentes e revendê-las ao BRB”, diz a decisão judicial que autorizou a operação.
Nesses documentos falsos, foram usadas informações de duas associações ligadas a Augusto Lima, também sócio de Vorcaro no banco Master. O objetivo seria simular a existência de carteiras de crédito consignado bilionárias.
Depois que o Banco Central rejeitou o negócio de compra do Master pelo BRB, os investigadores detectaram que o banco público do Distrito Federal continuou transferindo recursos para a instituição de Daniel Vorcaro.
Por isso, eles entenderam que os crimes continuavam em andamento e justificavam a prisão preventiva de Vorcaro e outros diretores do Master.
*Com informações do Money Times.
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