Banco do Brasil (BBAS3) decepciona de novo: o que o mercado tem a dizer após o tombo no 2T25 e o corte nos dividendos
Analistas avaliam que agronegócio, inadimplência e provisões pesaram nos resultados do trimestre — e o mercado deve reagir com cautela

Parece que o Banco do Brasil (BBAS3) está patinando em terreno escorregadio — e quem deve “pagar o pato” são os acionistas. Mais uma vez, o banco decepcionou com um balanço fraco, abaixo até das expectativas já baixas do mercado.
Não bastasse o tombo no lucro e a rentabilidade (ROE) mais baixa em décadas, o BB avisou que os dividendos aos investidores em 2025 serão menores — um recado duro para quem ainda acreditava em um retorno interessante com proventos, apesar de tudo.
Não à toa, os analistas preveem um pregão turbulento para as ações BBAS3 na bolsa brasileira.
Logo na abertura da sessão, os papéis caíam 3,32% e figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa, a R$ 19,19.
Lembrando que os papéis já acumulam desvalorização superior a 20% neste ano, chegando a mais de 30% nos últimos 12 meses.
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Confira os destaques do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 2T25:
| Indicador | Resultado 2T25 | Projeções* | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 3,784 bilhões | R$ 5,770 bilhões | -60,2% | -48,7% |
| ROE | 8,4% | — | -13 p.p | -8,23 p.p |
| Provisões para perdas associadas ao risco de crédito | R$ 94,7 bilhões | +50,6% | +6,6% | |
| Margem financeira | R$ 25 bilhões | — | -1,9% | +4,9% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,29 trilhão | — | +11,2% | +1,3% |
*Projeções do consenso Bloomberg para lucro líquido ajustado e de média de estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro para ROE.
Banco do Brasil (BBAS3) sofre com inadimplência, provisões e deterioração no agronegócio
Na leitura da XP Investimentos, os resultados fracos do Banco Brasil no 2T25 refletem uma pressão quase total da carteira de agronegócio, afetada por atrasos generalizados nos pagamentos, aumento nos empréstimos reestruturados e impactos da resolução 4.966 sobre exposições vencidas de curto prazo.
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Lembrando que a resolução do Banco Central já havia custado ao Banco do Brasil quase R$ 1 bilhão no resultado do 1T25.
Além disso, a inadimplência continuou a incomodar — e a XP alerta que julho trouxe novas pressões, aumentando a incerteza sobre quando a recuperação do BB realmente vai começar.
“A queda na qualidade do crédito era esperada, mas os desafios persistentes no agronegócio e em outros segmentos geram preocupação sobre o ritmo de recuperação nos próximos trimestres”, afirmam os analistas.
Para o BTG Pactual, outro ponto de atenção foi a classificação como “não recorrente” de cerca de R$ 750 milhões em despesas relacionadas a planos econômicos — uma prática do banco desde 2014. Com o lucro em queda, esse valor agora representa aproximadamente 20% do lucro ajustado.
Segundo o BTG, o maior impacto nos resultados veio das provisões, puxadas pelo segmento de empresas, seguido do agronegócio e da carteira de pessoa física.
Como reação, a administração do Banco do Brasil já sinalizou que será mais conservadora nas concessões ao agronegócio daqui para frente.
Mas, se há uma boa notícia em tudo isso, segundo o BTG, foi o desempenho da linha de receita, que superou as expectativas no segundo trimestre, com R$ 8,8 bilhões no fim de junho.
Já o JP Morgan chamou atenção para a queda do patrimônio líquido na comparação trimestral, impactado por um efeito atuarial negativo de R$ 3,3 bilhões, principalmente da Previ.
Os analistas também destacaram a queda no “capital de giro” estimado, que caiu R$ 9 bilhões no trimestre, puxado principalmente por um aumento de R$ 4 bilhões em ativos fiscais diferidos.
“Com o capital de giro reduzido, crescimento menor do crédito e menor volume de carteira contábil em ativos problemáticos (estágio 3), vemos como desafiador atingir a meta de R$ 102 bilhões a R$ 105 bilhões de margem financeira (NII). O lado positivo é que a liquidez melhorou e os spreads podem seguir se recuperando”, escreveu o banco norte-americano.
Para o Citi, os desafios persistem e o guidance parece "otimista demais". "Assumindo as tendências recentes, essa faixa de guidance parece otimista demais. De fato, parece mais plausível que o banco atinja o limite inferior da faixa", escreveu o banco.
Segundo os analistas, o compromisso do Banco do Brasil com provisões mais estáveis no segundo semestre aparece como um possível risco adicional para as estimativas do consenso.
Deterioração vem de elevador, mas recuperação não acompanhará o mesmo ritmo, preveem analistas
Ontem, o BB também revisou suas projeções para 2025. Ao mesmo tempo em que trouxe a expectativa revisada de lucro líquido ajustado para o ano, o banco reduziu o payout de dividendos de 40% a 45% para 30% do lucro.
“Apesar do guidance indicar melhora relevante no segundo semestre, a visibilidade ainda é baixa. O ponto de partida do lucro no 3T25 parece ainda mais fraco que no 2T25. A inadimplência segue crescendo em agro e empresas, e o patrimônio não está se expandindo”, avaliam os analistas do BTG.
Se o banco encerrar o ano no piso do guidance, com lucro de R$ 21 bilhões, o múltiplo preço/lucro (P/L) projetado seria de 5,4 vezes, com um retorno com dividendos (dividend yield) de 5,5%, segundo os analistas.
Com o BB sendo negociado a apenas 0,63 vezes o valor patrimonial, os analistas veem pouco motivo para otimismo. Ao menos por enquanto, a recomendação do BTG permanece neutra/cautelosa para as ações BBAS3.
Para os analistas, a deterioração do Banco do Brasil veio de “elevador”, mas a recuperação deverá “subir de escada”. E, como as ações subiram 7% nos últimos 10 dias, a expectativa é que o pregão desta sexta-feira (15) comece com reação negativa, segundo o BTG.
Segundo a XP, considerando o ponto médio do guidance, o BB está sendo negociado a cerca de 4,8 vezes o P/L — acima da média histórica do banco
Isso sinaliza que há espaço para novas revisões para baixo, segundo os analistas. Por isso, a XP também continua com recomendação neutra para as ações BBAS3.
Para o JP Morgan, apesar de um volume elevado de apostas vendidas (short), as expectativas baixas e o Banco do Brasil estar muito descontado em um ano eleitoral, a perspectiva de demora dos ciclos de crédito e peso do crescimento dos ativos diferidos ainda pesa — o que sustenta a recomendação neutra para as ações BBAS3.
O Citi também continuou com recomendação neutra para o Banco do Brasil.
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