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Carina Brito

Carina Brito

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Marketing e Mídias Digitais pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Trabalhou como repórter da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios e já escreveu para Valor Econômico, Revista Galileu e UOL. Hoje é editora de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), Carreira e ESG do Seu Dinheiro.

MARCA FIT

Alimentação saudável com fast-food? Ela criou uma rede de franquias que deve faturar R$ 240 milhões

Camila Miglhorini transformou uma necessidade pessoal em rede de franquias que conta com 890 unidades

Carina Brito
Carina Brito
25 de dezembro de 2025
8:00 - atualizado às 13:45
Camila Miglhorini é a fundadora da rede de alimentação saudável Mr. Fit - Imagem: Divulgação

Camila Miglhorini, hoje com 43 anos, construiu sua trajetória empreendedora a partir de uma combinação que pode parecer pouco comum: alimentação saudável e fast-food.

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Fundadora da rede de franquias Mr. Fit, ela transformou uma dor pessoal em um negócio que fechou 2024 com faturamento de R$ 200 milhões. A meta é crescer 20% em 2025, alcançando receita de R$ 240 milhões.

Antes de criar a Mr. Fit, a empreendedora já acumulava experiência no universo das franquias. Estagiou na área ainda na faculdade de administração e, depois de formada, passou a atuar como consultora para redes franqueadoras.

A ideia do negócio surgiu a partir de uma necessidade pessoal. "Sempre me preocupei em ter uma alimentação saudável, mas percebia a ausência de opções rápidas, acessíveis e práticas. Se eu sentia essa dor, sabia que outras pessoas sentiam também”, diz.

Ainda como consultora, a empreendedora sugeriu que outras pessoas abrissem um negócio no segmento. Como ninguém seguiu com a ideia, ela decidiu criar a empresa por conta própria.

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Sem referências de fast-food saudável no mercado naquele momento, ela conversou com cerca de oito nutricionistas para entender o que poderia funcionar comercialmente.

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A primeira unidade foi aberta em Paulínia (SP), em 2011, vendendo saladas.

Atuando diretamente no caixa e na cozinha, Miglhorini observou que os clientes não queriam comer salada todos os dias e pediam por refeições mais completas. A adaptação do cardápio levou cerca de um ano.

Desde o início, ela tinha o plano de franquear a marca. Para estruturar o negócio, a empresária analisou redes já consolidadas — ainda que não fossem do segmento saudável — e percebeu que a maioria exigia investimentos altos. Ao mesmo tempo, sabia que muitos potenciais franqueados com quem já tinha contato dispunham de um capital menor.

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A solução foi formatar o Mr. Fit com investimento inicial em torno de R$ 50 mil, tornando o modelo mais acessível. "Mapeei fornecedores em todo o país para garantir que a operação funcionasse em diferentes estados", diz.

Miglhorini lançou o negócio já com 10 unidades franqueadas de uma vez, distribuídas por cidades como Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e São Luís. Os primeiros compradores eram conhecidos, incluindo amigos e familiares.

Mudanças nos negócios

Até 2019, o Mr. Fit contava com cerca de 120 lojas físicas. A pandemia impôs uma mudança radical. As unidades localizadas em aeroportos sofreram forte impacto e o modelo ainda dependia muito do balcão, em um momento em que o delivery não era dominante. Foi então que Miglhorini decidiu tirar do papel um formato que estava em “stand-by”: o modelo home office.

"Era uma demanda dos próprios franqueados, que queriam produzir marmitas em períodos ociosos das lojas físicas, entre o horário de almoço e jantar", mas a demanda rapidamente superou a capacidade", afirma.

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O modelo com taxa de franquia de R$ 6 mil logo chamou atenção, e chegou a 200 operações em seis meses. "Até então eu tinha apenas um funcionário que produzia as marmitas. Com essa expansão, percebi que precisaria aumentar", diz.

A empreendedora tentou terceirizar a produção, mas enfrentou problemas de qualidade e padronização. “Pedia a marmita com patinho e, quando ia ver, a fábrica estava usando uma carne inferior”, relata. Em 2020, decidiu montar sua própria fábrica.

A pandemia também acelerou mudanças no comportamento do consumidor e no perfil dos franqueados. Antes, segundo a empreendedora, havia um preconceito em relação à comida saudável. “Todo mundo via uma loja verde e achava que ali vendia só comida ruim”, lembra.

Com a maior preocupação com saúde e a consolidação do digital, o delivery passou a ser o principal canal de vendas.

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O perfil de quem investe na marca também mudou — as pessoas se interessam em empreender, mas têm receio de grandes riscos. O modelo home office, sem necessidade de ponto comercial ou funcionários, passou a funcionar como porta de entrada.

Para os próximos anos, a estratégia é o equilíbrio entre os modelos. “Meu foco é retomar o crescimento nas lojas físicas”, afirma. A empresa, que hoje soma cerca de 890 unidades, pretende abrir mais 200 no próximo ano, mantendo a meta de crescimento de 20%.

A internacionalização mais forte também está no radar. O Mr. Fit já opera em Portugal, com uma unidade aberta por uma franqueada brasileira, e no Paraguai, desde 2023. Novos mercados estão sendo estudados. “Finalizamos agora um mapeamento para os Estados Unidos.”

Modelos de franquia, investimento e retorno

Atualmente, o Mr. Fit opera com dois principais modelos de franquia:

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  • Home office: investimento inicial a partir de R$ 6 mil, com foco em produção para delivery, sem necessidade de ponto comercial ou funcionários
  • Loja física: investimento a partir de R$ 50 mil, com apoio da fábrica central e possibilidade de produção local

Segundo a rede, o prazo médio de retorno varia conforme o modelo e a região, mas gira em torno de 12 a 24 meses.

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