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As ações reagiram à aprovação judicial do plano de reorganização no Chapter 11, que essencialmente passa o controle da companhia para as mãos dos credores

Haja máscara de oxigênio para os investidores da Azul (AZUL4) nesta segunda-feira (15). As ações da companhia perderamm altitude com força total na B3 ao longo do pregão de hoje, com queda de mais de 22%.
Os papéis acabaram fechando o dia com baixa de 20,75%, negociados por R$ 0,84. No ano, a perda acumulada já passa de 76%. O Ibovespa, por sua vez, subiu 1,07%, aos 162.481,74 pontos.
A queda brusca veio logo após a companhia ter confirmado a aprovação judicial do plano de reorganização no âmbito do Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA) na última sexta-feira (12). O comunicado veio depois do fechamento das negociações na B3.
Esse é um passo decisivo para a reestruturação financeira da aérea, mas que escancara um efeito colateral pesado para quem já estava a bordo como acionista. O plano aprovado pelo tribunal norte-americano prevê uma reorganização profunda da estrutura de capital da Azul, baseada principalmente na conversão de dívidas em ações.
Na prática, isso significa que credores passam a assumir o controle econômico da companhia, enquanto a participação dos atuais acionistas tende a ser drasticamente reduzida.
De acordo com o fato relevante divulgado pela empresa, a conversão das chamadas dívidas de primeiro nível (1L Notes), incluindo uma debênture conversível, e das dívidas de segundo nível (2L Notes) deverá resultar em 97% do capital social da Azul nas mãos dos credores 1L e 3% com os credores 2L.
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Os acionistas atuais que não exercerem seus direitos de preferência enfrentarão diluição relevante.
E o impacto não para por aí. O plano também prevê a realização de uma nova oferta pública de ações para captação de até US$ 950 milhões em recursos, com emissão de papéis a um preço que representa desconto de 30% em relação ao valor patrimonial definido no plano.
Caso os direitos de prioridade não sejam exercidos, essa etapa pode gerar diluição superior a 80% da base acionária então existente. Ao fim do processo, a companhia deverá ter uma base acionária amplamente dispersa, sem acordos de voto ou controle definido.
O plano de reorganização também contempla novos aportes de capital, incluindo investimentos comprometidos por parceiros estratégicos, como United Airlines e American Airlines, além de recursos previstos em acordos de suporte à reestruturação.
Esses aportes, no entanto, só serão efetivados após a conclusão do Chapter 11 e o cumprimento das condições regulatórias aplicáveis.
No mercado, a leitura predominante é que, apesar de o plano aumentar as chances de sobrevivência e sustentabilidade da Azul no longo prazo, o custo dessa virada recai de forma intensa sobre os acionistas atuais, o que ajuda a explicar a reação negativa dos papéis no pregão.
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