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Em carta semestral, a gestora explica as principais teses de investimento e também relata alguns erros pelo caminho

Gestoras de recursos tem uma missão: separar o joio — movimentos de mercado baseados em eventos circunstanciais — do trigo — fontes estruturais de valor —, segundo a Squadra. E, embora o Brasil tenha o “tempero adicional” da instabilidade econômica, é por aqui que a gestora aposta todas as suas fichas.
Em carta aos investidores, referente ao primeiro semestre do ano, a Squadra afirma que mantém o foco em companhias nacionais. “Nunca desviamos disso, mesmo nos momentos de desânimo que frequentemente afetam o investidor especializado no Brasil”, diz o texto.
A gestora considera essa sua vantagem competitiva, pois permite acumular mais conhecimento sobre os ativos brasileiros, para análises cada vez mais aprofundadas.
“Não acreditamos que seremos bem-sucedidos de forma consistente investindo em Nvidia ou em negócios cuja compreensão pouco se beneficie do nosso conhecimento acumulado sobre companhias brasileiras”, diz a carta.
A Squadra tem dois fundos: um long-biased (LB) e outro long-only (LO), que dividem praticamente meio a meio o total sob gestão.
Fundos long-only só tem posições compradas, que apostam na valorização dos ativos — principalmente ações. Já os fundos long-biased têm mais flexibilidade para ter posições vendidas, que apostam na queda dos ativos, e em derivativos.
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No primeiro semestre deste ano, os fundos LB e LO valorizaram 30,7% e 28,7%, respectivamente. No mesmo período, o benchmark do LB apreciou 6,5%, enquanto o Ibovespa subiu 15,4%.
O setor de distribuição de energia era a maior posição dos fundos da Squadra no primeiro semestre do ano: 26% do fundo long-biased e26% do long-only.
A posição em Equatorial (EQTL3) é a principal da gestora e frequentemente abordada na carta aos cotistas. A novidade da vez é a Energisa (ENGI11).
Segundo a gestora, ambas as empresas são capazes de gerar altos retornos sobre o capital investido e têm trabalhado na expansão acelerada de suas concessões. Eventos regulatórios recentes, como a renovação antecipada de contratos de distribuição e a revisão do cálculo de perdas da rede, reforçam a confiança da Squadra na estabilidade do setor.
A Squadra vê um retorno real implícito nas ações da Equatorial superior a 12% e na Energisa superior a 15%. “Patamar que encontramos poucas vezes desde a fundação da Squadra, e nos permite manter uma posição mais concentrada no segmento”, diz a carta.
O portfólio de ações de finanças é o segundo maior: 20% do long-biased e 23% no long-only, diversificado entre algumas companhias do setor. No entanto, Inter (INBR32) e Stone (STOC34) são as maiores posições da gestora.
A Squadra afirma que os avanços das receitas e dos lucros têm sido expressivos e projeta um crescimento de 26% nos resultados para o ano de 2025, impulsionado por ganhos de participação de mercado e expansão da rentabilidade. O retorno sobre patrimônio tangível (ROE) está estimado em 22% para este ano.
Na categoria de shoppings centers, a Squadra concentra seus investimentos em dois grupos: Multiplan (MULT3), com maior peso, e Iguatemi (IGTI11). Esta categoria representa 7% do Squadra Long-Biased e 8% do Squadra Long-Only.
As ações dessas empresas negociavam com um fluxo de caixa livre normalizado de cerca de 9% no encerramento do semestre, um valuation que a Squadra considera atrativo. “Só encontramos em momentos de crises agudas, como a recessão de 2015-16 e o surto inflacionário global de 2022.”
A gestora também afirma que Multiplan e Iguatemi têm “os melhores portfólios de shopping centers no Brasil”, com ativos dominantes e bem localizados. Isso implica em crescimento de vendas e preços de aluguéis acima da média do setor.
A Squadra aumentou seu investimento na Multiplan neste semestre, alcançando uma alocação vista apenas durante a crise financeira de 2008.
A posição da Squadra no setor de petróleo é exclusiva na Prio (PRIO3), representando 9% tanto no Squadra Long-Biased quanto no Squadra Long-Only.
A Squadra narra a história da Prio na carta como uma das mais impressionantes em termos de geração de valor no mercado acionário brasileiro. Em dez anos, a empresa multiplicou sua produção por 20, aumentou suas reservas em mais de 50 vezes e reduziu seus custos operacionais de US$ 40 para menos de US$ 10 por barril. Como resultado, suas ações PRIO3 valorizaram 90 vezes no período.
Embora o último ano tenha sido desafiador operacionalmente devido a atrasos em licenças ambientais, a Squadra aproveitou a oportunidade para aumentar sua posição na petroleira: “atualmente constitui um de nossos maiores investimentos”.
A gestora vislumbra um fluxo de caixa livre que pode atingir 35% no próximo ano, indicando “alto potencial de valorização e boa margem de segurança”.
Na parte de “setores diversificados”, a Squadra investe em empresas como GPS (GGPS3), Grupo Mateus (GMAT3), Ultrapar (UGPA3) e Hapvida (HAPV3). A parcela totaliza 25% do fundo long-biased e 27% do long-only.
A Squadra avalia esta carteira a 11 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, um valuation considerado atrativo.
Entretanto, a gestora pondera que Hapvida foi um detrator de performance no passado devido à complexidade da fusão com a Notre Dame Intermédica. A Squadra reconhece erros de avaliação. No entanto, a gestora acredita que, aos preços atuais, o ativo oferece uma relação risco-retorno "bastante atraente".
Com a fase mais difícil da integração aparentemente superada e a rentabilidade recuperada, a Squadra aumentou seu investimento na Hapvida encerrando o semestre com uma exposição superior à de 12 meses atrás.
Outro mea culpa foi sobre o investimento na Rumo (RAIL3). “Acabamos por focar excessivamente na oportunidade de aumentos de preços de fretes ferroviários e falhamos ao negligenciar riscos que tínhamos previamente identificado”, diz a carta. Com isso, a gestora optou por reduzir sua posição na ação ao longo dos últimos meses.
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