Meu medo de aviões: quando o problema está na bolsa, não no céu
Tenho brevê desde os 18 e já fiz pouso forçado em plena avenida — mas estou fora de investir em ações de companhias aéreas

Antes de mais nada, cara amiga leitora, caro amigo leitor, desculpe-me a pegadinha do título.
Tendo brevê de piloto desde os 18 anos de idade, era só o que faltava eu ter medo de aviões.
Já fiz uma aterrissagem forçada numa avenida movimentada da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, num sábado de verão em 1981. O mesmo aconteceu na estrada Rio-Belo Horizonte, próximo da cidade de Conselheiro Lafaiete, na primeira metade da década de 1970.
Pilotei aviões dos mais críticos, tais como o Uirapuru (T-23), que os aspirantes da FAB chamavam de “Pé na Cova”.
Medo de (investir em) aviões
“Então por que o título da crônica?”, você pode estar indagando.
Estou me referindo a investir em ações de companhias aéreas e de fabricantes de aviões. Dessas, estou fora.
Leia Também
Mas vamos aos fatos.
O maior boom da aviação brasileira ocorreu logo após a Segunda Guerra Mundial.
Naquela oportunidade, a USAF (United States Air Force) se viu às voltas com milhares de aeronaves de transporte DC-3 – também conhecidas como C-47 ou Dakotas – e Curtiss C-46 Commando, que sobraram do conflito.
Esses aviões foram configurados para transporte de passageiros e vendidos para todo o mundo, com pagamentos a perder de vista e sem taxa de juros. Evidentemente, era melhor do que deixar que apodrecessem.
Céu de brigadeiro
Aqui no Brasil, além das já existentes Varig, Panair do Brasil, Cruzeiro do Sul e Vasp, surgiram, ou cresceram muito, diversas companhias aéreas. Só de memória, posso citar Aerovias Brasil, Real, Nacional, NAB e Paraense.
Além do custo mais baixo dessas aeronaves, o preço da gasolina de aviação, naqueles anos pré-Opep, era ínfimo.
Como se tais fundamentos bullish não bastassem, havia também o fato de que o Brasil simplesmente não tinha malhas rodoviária e ferroviária adequadas ao seu tamanho. A inauguração da própria rodovia Presidente Dutra, a principal do país, só ocorreu em 1951.
Nos aeroportos Santos Dumont e de Congonhas, o intervalo entre as decolagens e pousos era inferior a cinco minutos.
Pois bem, as companhias aéreas brasileiras racharam de ganhar dinheiro. Infelizmente, nenhuma delas tinha ações negociadas em Bolsa. E a própria Bolsa era muito incipiente no Brasil.
Surgiram novos aviões que, por não serem mais sobras de guerra, deixaram de ser barganhas.
Entre essas aeronaves, vieram o Constellation, o DC-6 e o DC-7, o Convair, seguidos pelos turboélices Viscount, Avro e Samurai, entre outros.
Consolidação nos céus
As maiores empresas começaram a engolir as menores. A Real comprou a Aerovias Brasil, transformando-se em Real Aerovias, que por sua vez comprou a Nacional.
Veio então a Varig e adquiriu a Real.
Uma curiosidade: o símbolo da Real era um “corcundinha”. E a empresa – numa atitude que nos tempos atuais seria considerada politicamente incorreta – contratava corcundas para ficarem no pé da escada dos aviões, de modo que os passageiros pudessem tocá-los nas costas, pois reza o catálogo de superstições que isso dá sorte.
Duas das empresas se destacaram não só no cenário doméstico como no internacional: a própria Varig e a Panair do Brasil.
A malha da Panair, que usou aviões Constellation, Super Constellation, Caravelle e DC-8, chegou ao Oriente Médio, com uma de suas linhas alcançando a cidade de Beirute.
As agências da Panair eram consideradas verdadeiros consulados brasileiros no exterior. Nelas, se podia tomar um cafezinho e ler os principais jornais cariocas e paulistas da véspera.
Acontece que, em 1965, o governo Castelo Branco, cujo ministro da Aeronáutica era o brigadeiro Eduardo Gomes, patrono da FAB, cassou a licença da Panair para voar. Os aviões da empresa passaram para a Varig.
ASSISTA TAMBÉM: SETOR AÉREO em ALERTA: O que levou GOL (GOLL4) e AZUL (AZUL4) à RECUPERAÇÃO JUDICIAL?
Aviões: um péssimo negócio na bolsa
Em termos de representação do Brasil, a Varig substituiu totalmente a Panair. Inclusive aumentando a abrangência de suas linhas, chegando ao Japão e à Austrália.
O serviço de bordo da Varig era considerado um dos melhores do mundo.
As ações da empresa eram negociadas em bolsa. Só que quem as adquiriu, e as manteve em carteira, fez um péssimo negócio.
A Varig não sofreu morte fulminante como a Panair. Agonizou aos pouquinhos, diminuindo sua malha aérea e, ao fim, operando só voos de carga.
Chegou então a nova geração de companhias aéreas brasileiras: Gol, TAM (que virou LATAM) e Azul.
Delas, só se fica sabendo que estão envolvidas em recuperação judicial ou Chapter Eleven, que é o equivalente americano do processo.
Para quem pensa em aviação brasileira como investimento, restaria então comprar ações da Embraer, fabricante de grande prestígio internacional, célebre pela qualidade de seus produtos.
Acontece que, nesta época de tarifaços e outros tipos de protecionismo, a Embraer está amargando adiamentos e cancelamentos de encomendas.
A soma de tudo isso justifica meu medo de investir em aviões, embora adore estar a bordo de um deles, assim como adorava pilotá-los.
Um forte abraço,
Ivan Sant'Anna
O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus
O teto do INSS hoje é de R$ 8.475,55, mas grupo de investidores recebeu o dobro com esse sistema; entenda
25 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #293
Eleições podem destravar IPOs e novas emissões de dívida no Brasil? CEO da Nero Capital responde
23 de outubro de 2026 - 18:56O EFEITO DAS URNAS
Depois de lucrar com a alta do Ibovespa, tubarões se protegem no mercado, de olho em eleição mais acirrada
23 de outubro de 2026 - 17:53MERCADO DE FIIs
Fundo imobiliário ALZR11 vai ao mercado em busca de até R$ 530,5 milhões; veja os detalhes
23 de outubro de 2026 - 14:28SMALL CAPS EM ALTA
10 small caps que saltaram mais de 50% em outubro e lideram rali histórico na bolsa
23 de outubro de 2026 - 13:13NOVAS VITRINES
Allos (ALOS3) mira gestão de fundos imobiliários e vende fatias de shoppings à Kinea; confira os detalhes da parceria
23 de outubro de 2026 - 12:30AS 3 ESTAÇÕES
Ganho de até 50% em dólares: as ações que florescem na primavera da bolsa brasileira
22 de outubro de 2026 - 19:45MUDOU A META?
Meta (META) cai mais de 7% após balanço; veja 3 pontos para prestar atenção, segundo o Safra
22 de outubro de 2026 - 14:32PODCAST TOUROS E URSOS
Crescimento à vista? As oportunidades que podem surgir na bolsa e na renda fixa após as eleições
22 de outubro de 2026 - 11:00ENTRE CHIPS E TIJOLOS
A corrida da IA precisa de imóveis para data centers. E isso pode abrir espaço — e riscos — para os FIIs
21 de outubro de 2026 - 15:30ORGANIZANDO A CASA