Ibovespa em 2026: BofA estima 180 mil pontos, com a possibilidade de chegar a 210 mil se as eleições ajudarem
Banco norte-americano espera a volta dos investidores locais para a bolsa brasileira, diante da flexibilização dos juros

Está cedo para eleições e trade eleitoral. O gatilho que pode sustentar o Ibovespa em 2026 é outro: o corte nos juros. Essa é a avaliação de David Beker, chefe de economia para Brasil e estratégia para América Latina do Bank of America (BofA).
Em conversa com jornalistas nesta quinta-feira (11), Beker afirmou que o mercado até quer antecipar o trade eleitoral, mas ainda não há informações suficientes para embasar nenhuma decisão. Definição de candidatos, de ministros da Fazenda, de propostas e programas de governo, nada está posto.
A queda de 4% do Ibovespa na última sexta-feira (5) — quebrando um ciclo de renovação de recordes —, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) anunciou sua pré-candidatura à Presidência, é um exemplo, para Beker, de que o cenário ainda é imprevisível.
“Foi um ‘wake-up call’ para o mercado de que o processo eleitoral será volátil. O anúncio do Flávio introduziu um elemento que não estava previsto e o mercado precificou essa nova incerteza. Até as eleições, vão aparecer coisas que o mercado não imagina ou não precificou”, disse o economista.
Beker afirmou que, historicamente, o trade eleitoral começa em abril e maio. Até lá, o conjunto de informações não é suficiente para uma tomada de decisão.
Para ele, o que vai mover o Ibovespa de verdade no próximo ano é o início do ciclo de corte nos juros — e a volta dos investidores locais.
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Local se une ao estrangeiro
O Ibovespa disparou 32% no acumulado deste ano até esta quinta-feira, em grande parte graças ao fluxo de investidores estrangeiros.
Os maiores investidores locais — fundos de ações, de previdência e multimercados — estão com saldo negativo de captações no ano. Sem dinheiro em caixa, não tem como negociar em volumes altos.
Porém, a expectativa de Beker é de que isso mude no início do próximo ano, quando o Banco Central der a largada ao fazer o primeiro corte na taxa Selic.
“Os investidores locais não estão na bolsa. A realocação da renda fixa para as ações ainda não começou, mas esse fluxo vai melhor a partir do primeiro corte nos juros. Com isso, vamos ter a combinação dos dois, dos investidores locais e dos estrangeiros, para alimentar a valorização em 2026”, diz Beker.
Sobre o apetite dos estrangeiros, o economista do BofA não espera muita mudança. A expectativa do banco é de que o dólar continue fraco no mercado global, de modo que os investidores estrangeiros vão continuar migrando de mercados.
Dentro da estratégia de emergentes, poucos nomes têm destaque. China é o maior na Ásia, mas Brasil é o maior na América Latina.
“Nosso portfólio de ações permanece overweight [posição acima da média, ou o equivalente a compra] no Brasil, apoiado pelo alívio da política monetária. No México, mantemos market weight [média, ou o equivalente a neutro] devido ao crescimento fraco e aos riscos de reforma judicial, embora a revisão da USMCA [EUA, México e Canadá] possa estimular investimentos”, diz o relatório do BofA.
Ibovespa nas eleições
O fato de a política monetária ter mais impacto na volta dos investidores para a bolsa não significa que o trade eleitoral não vai acontecer. Porém, Beker considera a estratégia complexa.
A questão do endereçamento da dívida pública é determinante para todos os ativos, na visão do economista: da renda fixa às ações. Porém, esse não será um tema de campanha eleitoral, o mercado terá que ficar atento às “pistas” e aos bastidores do mundo político.
“Existe uma grande dúvida sobre como operar esse trade eleitoral. O mercado vai ficar de olho em com quem os candidatos estão conversando, quais ideias estão discutindo, quem são os assessores, quais são os planos", disse.
No entanto, independentemente de quem ganhar nas eleições 2026, o próximo governo não conseguirá fugir da questão fiscal.
O economista do BofA acredita que o cenário ideal é o próximo presidente alinhar as políticas fiscal, creditícia e monetária. Se todas as medidas estiverem sincronizadas, dentro de um plano conjunto, o resultado é um juro mais baixo no Brasil.
É neste cenário, de compromisso com as contas do governo, que o BofA vislumbra o Ibovespa em 210 mil pontos ao fim de 2026.
No entanto, caso o candidato vencedor do pleito não dê nenhuma indicação de compromisso fiscal, a queda do Ibovespa seria para 130 mil pontos, conforme os modelos do banco norte-americano.
- Vale lembrar que o Ibovespa está na casa dos 159 mil pontos atualmente — no meio do caminho entre o cenário otimista e pessimista.
Enquanto nada está resolvido, uma coisa é certa, para Beker: será com emoção e volatilidade.
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