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Economista-chefe do BofA acredita que o Copom não precisa sinalizar no comunicado antes de fazer qualquer ajuste e mantém olhar otimista para a política monetária

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira (10) não entregou o que os agentes financeiros esperavam: a sinalização de um possível corte na taxa Selic em janeiro de 2026.
A manutenção dos juros em 15% ao ano não era uma questão, já estava dada como certa. Porém, o tom mais ameno no comunicado, com pequenos ajustes de texto que indicassem uma porta semiaberta para um corte, era bastante esperado — e não veio.
Em conversa com a imprensa nesta quinta-feira (11), o economista-chefe do Bank of America (BofA), David Beker, afirmou que ficou “menos confortável” com sua projeção diante da reiteração do tom duro do comitê, mas vai sustentar a previsão.
Beker espera um primeiro corte na taxa Selic em janeiro, de 0,50 ponto percentual (p.p.), para 14,5% ao ano.
“Não estou convencido de que o Copom precisar sinalizar ao mercado quando vai cortar os juros. As condições para um primeiro ajuste já estão dadas pelo comportamento da economia”, disse Beker.
O economista espera conseguir mais informações da ata do Copom, que será divulgada na próxima terça-feira (16). Segundo ele, o tom das atas tem sido mais ameno em relação aos comunicados do dia da decisão.
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Beker acredita que o Banco Central busca maximizar o poder da política monetária restritiva ao divulgar comunicados mais duros.
“Se o comitê fizesse qualquer sinalização mais dovish [indicando possíveis cortes a frente], o mercado ia precificar fortemente e limitar o efeito restritivo dos juros antes do corte de fato. Ao ser duro, o BC evita essa antecipação”, disse Beker.
O olhar otimista do economista do BofA se estende ao volume total de cortes projetados para o próximo ano.
Enquanto o mercado se concentra em projeções entre 12,5% e 12% ao ano, Beker vai mais longe e espera uma Selic em 11,25% ao final em 2026.
Para ele, o Copom terá espaço para afrouxamentos em todas as oito reuniões do ano, e esses cortes devem ser, em sua maioria, de 0,50 p.p..
Beker acredita que as condições macroeconômicas vão continuar convergindo para o cenário que o Banco Central busca, de levar a inflação à meta de 3%. Para ele, um corte dessa magnitude não é extremo porque o juro real vai continuar acima da taxa neutra.
Considerando o cenário do economista do BofA, uma Selic em 11,25% ao ano, com a inflação projetada pelo banco, de 4% ao ano, o juro real ainda estaria 2,25% acima da taxa neutra — o que significa uma política monetária restritiva.
Os juros em 15% ao ano estão surtindo efeito, segundo o comunicado do Copom. Entretanto, o que ajudou a derrubar a inflação mesmo em 2025 foi a desvalorização do dólar.
A moeda norte-americana mais fraca no comércio global influenciou em uma série componentes econômicos que resultou na perda de força da inflação ao longo do ano. Para 2026, Beker vê a continuidade desse movimento.
O BofA projeta que o dólar vai continuar fraco em 2026, principalmente em relação aos mercados emergentes. Com isso, a inflação deve continuar controlada, para fechar o ano em 4%.
Se por um lado é o principal impulsionador, o dólar também é o maior fator de risco. Caso a moeda estrangeira ganhe força frente ao real, a trajetória de inflação controlada pode perder o rumo e, a depender do nível de estrago, pausar o ciclo de corte dos juros.
Com relação às eleições, de modo geral, Beker não vê muita influência do pleito na política monetária e vice-versa.
O economista não acredita que o início dos cortes de juros irá influenciar a reeleição do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também não espera um impacto relevante do resultado das urnas, após outubro, nas decisões do Copom.
Beker acredita que o debate sobre o futuro do endividamento público será relevante e precisa ser acompanhado, mas sem muito efeito para a Selic, o Copom ou o BC ainda em 2026.
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