Ibovespa amarga pior desempenho de julho, enquanto Bitcoin (BTC) volta com tudo para o topo — veja o ranking completo
Julho foi um mês difícil para os investimentos de modo geral. Entre ativos de risco e precificação da renda fixa, quase todos perderam — quase, porque o Bitcoin está longe de seguir a tendência

Não deu para o Ibovespa. Não deu para a renda fixa. Nem o dólar conseguiu uma boa dianteira. O ativo que conseguiu despontar em julho foi o Bitcoin (BTC). Todos os demais tiveram desempenhos humildes ou negativos.
Não sem motivo. O anúncio das tarifas de importação de 50% contra o Brasil pegou os investidores e gestores de surpresa logo no começo do mês. Desde então, a percepção de risco e incerteza em relação ao país só piorou.
Toda a tese positiva em relação ao Ibovespa e as ações em junho ficou em segundo plano.
Mas nada disso se aplica ao Bitcoin. A principal moeda digital global teve seus próprios gatilhos ao longo do mês.
- VEJA TAMBÉM: Onde investir na renda fixa com a Selic em 15% ao ano? O Seu Dinheiro disponibilizou um compilado de recomendações de forma gratuita
Veja a seguir o ranking completo dos investimentos em julho:
| Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|
| Bitcoin | 11,57% | 12,96% |
| Dólar à vista | 3,07% | -9,38% |
| Ouro (GOLD11) | 2,72% | 14,15% |
| Dólar PTAX | 2,67% | -9,52% |
| Tesouro Selic 2028 | 1,25% | - |
| Tesouro Selic 2031 | 1,23% | - |
| CDI* | 1,16% | 7,71% |
| Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)* | 0,69% | 10,01% |
| Poupança antiga** | 0,67% | 4,61% |
| Poupança nova** | 0,67% | 4,61% |
| Tesouro Prefixado 2028 | 0,57% | - |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035 | -0,13% | 11,25% |
| Tesouro IPCA+ 2029 | -0,51% | 6,63% |
| Tesouro Prefixado 2032 | -0,57% | - |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 | -1,20% | 6,49% |
| IFIX | -1,36% | 10,27% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | -1,90% | - |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | -2,34% | 5,40% |
| Tesouro IPCA+ 2040 | -3,06% | - |
| Tesouro IPCA+ 2050 | -3,20% | - |
| Ibovespa | -4,17% | 10,63% |
(**) Poupança com aniversário no dia 28.
(-) Títulos não apresentam rentabilidade anual porque começaram a negociar depois de janeiro.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase, Inc..
Bitcoin dispara 12%: CriptoWeek e regulamentação
O principal gatilho para o Bitcoin em julho foi o plano estratégico da Casa Branca para o setor cripto. Ao longo da "CryptoWeek", parlamentares norte-americanos apresentaram um novo projeto de lei bipartidário que propõe uma divisão mais clara de competências entre os órgãos reguladores, além de regras mais específicas para stablecoins e plataformas de negociação de criptomoedas.
O mercado reagiu positivamente à perspectiva de maior segurança jurídica para o setor, ainda que os desdobramentos dependam de negociações no Senado dos EUA.
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Analistas acreditam que uma regulação bem desenhada pode atrair mais investidores institucionais e fortalecer a infraestrutura do mercado cripto.
Até porque, as últimas grandes valorizações do Bitcoin foram devido às grandes gestoras de ETFs de Bitcoin à vista. A entrada de dinheiro nesses fundos continua sustentando uma demanda sólida do Bitcoin, e não foi diferente em julho.
A valorização da criptomoeda foi de 11,57% no mês, alcançando uma alta de 12,96% no ano, em reais.
Ibovespa e IFIX amargam perda
Enquanto o Bitcoin teve uma série de gatilhos positivos, o Ibovespa amargou perda com gatilhos negativos.
A incerteza em relação aos impactos da tarifa de 50% sobre importados brasileiros para os EUA gerou cautela entre investidores. Ações de exportadoras foram as principais prejudicadas, com nomes grandes como Embraer (EMBR3) e WEG (WEGE3) entre as maiores desvalorizações.
No fechar das cortinas, um dia antes do fechamento do mês, a divulgação de isenções às tarifas para alguns setores ajudou algumas empresas. Porém, não foi o suficiente para dar suporte ao índice na reta final.
O Ibovespa fechou aos 133.071,05 pontos, com uma queda de 4,16% no mês. Mas, no ano, o saldo ainda é positivo em 10,90%.
Já o IFIX, índice dos fundos imobiliários, teve desempenho mais estável, pouco impactado pelo contexto econômico-político das tarifas dos EUA.
Os ativos refletiram mais a incerteza sobre a trajetória da taxa de juros. A expectativa de mudanças na projeção de cortes na Selic freou parte do entusiasmo que vinha acompanhando os FIIs.
Ao longo do mês, houve muita ponderação sobre o impacto das tarifas na economia brasileira — debates sobre o juros ficar alto por mais tempo para conter uma possível inflação ou um corte mais rápido, devido ao desaquecimento da economia e maior desemprego.
Por fim, o IFIX fechou aos 3.436,38 pontos, após queda de 1,36% no mês. No ano, o índice de FIIs sobe 10,27%.
Dólar ganha força
A saída de capital estrangeiro diante da maior percepção de risco do Brasil intensificou a desvalorização do real em julho. O dólar, que tinha negociado abaixo de R$ 5,45 em junho, voltou para a faixa dos R$ 5,60 ao longo do mês.
No cenário internacional, o fortalecimento global do dólar também pesou, impulsionado pela expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos. Dados econômicos robustos e falas mais duras do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) aumentaram a aversão ao risco nos emergentes.
Com isso, o dólar comercial encerrou julho em alta frente ao real, com 3,07% de valorização no mês, a R$ 5,60. No ano, o saldo ainda é negativo em 9,37%.
E a renda fixa?
As taxas dos títulos de renda fixa que vinham diminuindo seus prêmios mês a mês, mudaram de direção em julho. O motivo é mesmo. Julho foi praticamente monotemático: tarifas de importação.
A curva de juros futuros abriu em pontos de médio e longo prazo, refletindo o aumento da percepção de risco. No início do mês, o contrato de DI para janeiro de 2027 (um dos mais líquidos e usados como referência de médio prazo) operava na faixa de 10,50% ao ano. Já ao fim de julho, esse mesmo contrato subiu para 11,25%, acumulando uma alta de 75 pontos-base no mês.
Para o investidor, isso significa perda de valor no preço dos papéis da carteira. Como as taxas oferecidas nos títulos novos aumentaram, os títulos antigos, com retornos menores, perdem valor.
O Seu Dinheiro acompanha os principais títulos públicos, o CDI — que é o indexador de muitos títulos e fundos de renda fixa —, e o índice de debêntures da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que acompanha títulos privados de empresas.
Metade apresentou um desempenho ameno e a outra metade apresentou retornos negativos no mês.
- A rentabilidade apresentada no ranking do Seu Dinheiro corresponde ao retorno obtido com o preço dos títulos de renda fixa. Taxas e preços têm correlação negativa, de modo que, quando as taxas caem, os preços sobem, e o inverso também é verdadeiro.
As pontas mais longas da curva de juros também abriram, fazendo os títulos públicos de vencimento mais distante perderem mais valor.
O Tesouro Selic, que acompanha mais a taxa Selic e menos a curva de juros, teve o melhor desempenho em julho, com valorização de 1,25%. O Tesouro Prefixado 2028, que pelo prazo mais curto responde mais às decisões de política monetária que a percepção de risco-país, subiu 0,57%.
Veja as maiores altas do Ibovespa em julho
| Empresa | Código | Desempenho no mês |
|---|---|---|
| Pão de Açúcar | PCAR3 | 14,29% |
| Brava Energia | BRAV3 | 13,45% |
| Fleury | FLRY3 | 10,22% |
| CSN | CSNA3 | 7,80% |
| Usiminas | USIM5 | 6,31% |
E as maiores quedas do Ibovespa em julho
| Empresa | Código | Desempenho no mês |
|---|---|---|
| Magazine Luiza | MGLU3 | -28,32% |
| Yduqs | YDUQ3 | -21,53% |
| Natura | NATU3 | -18,28% |
| Azzas 2154 | AZZA3 | -17,02% |
| Lojas Renner | LREN3 | -16,56% |
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