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Encontro entre o ministro da Fazenda e o secretário do Tesouro norte-americano ainda não tem data, porém deve ser apenas o ponto de partida das negociações

A queda de braço tarifária entre EUA e Brasil já demonstra sinais de abertura de um canal de negociações. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, disse, nesta quinta-feira (31), que a Secretaria do Tesouro norte-americano entrou em contato para agendar uma reunião sobre o tarifaço.
O “vamos marcar” por parte da administração de Donald Trump acontece um dia depois de o presidente dos EUA ter assinado o decreto que confirma as tarifas de 50% a partir do dia 6 de agosto, próxima quarta-feira.
“A assessoria do secretário Bessent fez contato conosco ontem [quarta-feira (30)] e, finalmente, vai agendar uma segunda conversa. A primeira, como eu havia adiantado, foi em maio, na Califórnia. Haverá agora uma rodada de negociações e vamos levar às autoridades americanas nosso ponto de vista”, disse Haddad.
Ainda não há data para o encontro entre o chefe da pasta econômica brasileira e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. O ministro afirmou que a reunião é apenas o ponto de partida das negociações.
“Nós estamos em um ponto de partida mais favorável do que se imaginava, mas longe do ponto de chegada. Há muita injustiça nas medidas que foram anunciadas ontem”, esclareceu Haddad.
Cerca de 700 produtos ficaram de fora da lista da tarifa de 50% contra o Brasil (você pode saber mais aqui).
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Segundo estimativas, 43% dos valores exportados para os Estados Unidos ficaram de fora do tarifaço. No setor mineral, cerca de 25% dos produtos foram taxados.
Apesar das exceções da lista de produtos excluídos da lista das tarifas, Haddad disse que o impacto é dramático para alguns setores.
“Há casos que são dramáticos, que deveriam ser considerados imediatamente. Nós vamos lançar parte do nosso plano previsto para ser lançado nos próximos dias de apoio e proteção à indústria e aos empregos.”
O pacote de ajuda aos setores afetados deve contar com linhas de crédito e apoio às empresas, segundo o ministro, que está aliviado pelos setores que foram poupados.
“Tem setores que, na pauta de exportação, não são significativos, mas o efeito sobre eles é muito grande. Às vezes, o setor é pequeno, mas é importante para o Brasil manter os empregos”, explicou.
Mesmo setores grandes, de commodities, vão precisar se adaptar, avaliou o ministro.
“Você não muda um contrato de uma hora para outra. Temos que analisar caso a caso e vamos ter as linhas [de crédito] para isso.”
O ministro da Fazenda reafirmou ainda que a tentativa de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) não pode entrar na mesa de negociação, até porque o Judiciário é um poder independente do Executivo.
“Talvez o Brasil seja uma das democracias mais amplas do mundo, ao contrário do que a Ordem Executiva [de Trump] faz crer. Nós temos que explicar que a perseguição ao ministro da Suprema Corte [Alexandre de Moraes] não é o caminho de aproximação entre os dois países”, afirmou.
*Com informações da Agência Brasil
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