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Cenário se alinha a favor do aumento de risco, com queda da atividade, melhora da inflação e enfraquecimento do dólar

Os astros estão em movimento e tudo aponta para um alinhamento que cria um cenário mais favorável para a alocação de risco no mercado local. De olho nisso, o BTG Pactual elevou a recomendação para Brasil acima do benchmark e aponta fatores que justificam o próximo passo: aumentar gradualmente a posição em ações brasileiras.
O banco não descreve um céu de brigadeiro para as companhias listadas, mas avalia um conjunto de condições que permite mais otimismo, a começar pela possibilidade de corte de juros mais cedo do que o mercado espera.
O cenário base do BTG projeta o primeiro corte da Selic, atualmente em 15% ao ano, para o primeiro trimestre de 2026. Porém, os analistas destacam que uma inflação mais baixa e a atividade econômica mais fraca podem antecipar essa decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).
Nesta segunda-feira (25), o relatório Focus do BC reduziu a projeção de inflação do ano pela 13ª vez consecutiva. O documento estima que o IPCA fechará em 4,86%, ante 5,09% há quatro semanas. O BTG trabalha com projeção semelhante, de 4,8%. Para 2026, revisou a estimativa de 4,5% para 4,3%.
Em paralelo, os indicadores de atividade econômica mostram desaceleração. O Focus reduziu a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano pela segunda vez, de 2,23% para 2,18% em quatro semanas.
O BTG está mais pessimista e projeta 1,90%, com expectativa de surpresa negativa no PIB do segundo trimestre, a ser divulgado em 2 de setembro.
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“Esses fatores foram determinantes para nossa recente revisão positiva para as ações brasileiras”, afirma o relatório do banco. Segundo os analistas, inflação e atividade mais fracas sinalizam queda de juros, possivelmente com uma antecipação do corte.
Além do quadro doméstico, fatores externos também influenciam. O dólar segue em trajetória de fraqueza global, o que impulsiona a valorização do real. Essa desvalorização da moeda norte-americana está ligada às políticas do governo Donald Trump e à expectativa de cortes de juros nos EUA.
O BTG projeta três cortes nos EUA ainda em 2025, começando em setembro. Ou seja, a desvalorização do dólar é uma tendência que pode se estender por algum tempo. E isso é positivo para o Brasil, porque também é uma medida desinflacionária.
“Em conjunto, vemos boa chance de melhora das condições à frente e recomendamos que investidores aumentem gradualmente posições em ações brasileiras”, afirma o banco, destacando ativos que se beneficiam de juros mais baixos.
Apesar da recomendação de aumento na posição em ações, os analistas reforçam a importância do movimento gradual. Afinal, o alinhamento dos astros está em curso, mas nem todas as estrelas seguirão no mesmo caminho.
O relatório do banco aponta três principais fatores de incerteza que ainda pesam sobre os ativos de risco:
No caso das tarifas, o BTG avalia impacto limitado na economia, já que a lista de isenções abrange quase 700 produtos relevantes. “No fim das contas, a questão mais premente aqui é política, não econômica”, afirmam os analistas.
Sobre as sanções Magnitsky, a maior dúvida recai sobre a forma como os bancos brasileiros responderão. O BTG acredita que as incertezas devem persistir no curto prazo e pesar sobre o sentimento dos investidores em relação a esses ativos.
No campo político, a atenção se volta para 2026. A popularidade do governo Lula e a falta de clareza na oposição sobre quem enfrentará o atual presidente adiam teses de investimento ligadas ao desfecho eleitoral.
Essas análises podem ajudar na tomada de decisão dos investidores locais. Para os estrangeiros, o BTG diz que é mais difícil precificar os riscos, o que deve manter o fluxo internacional em compasso de espera.
“Nossa expectativa, no entanto, é que o início do ciclo de afrouxamento monetário — ainda neste ano ou no começo do próximo — possa atrair novos fluxos externos para o Brasil”, afirma o banco.
Mesmo assim, o relatório reconhece que a queda dos juros não garante retomada imediata do investidor local. “A realidade do nosso mercado acionário é que investidores locais seguem confortáveis em obter pelo menos 1% ao mês na renda fixa, sem urgência em rotacionar para ações por enquanto.”
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