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EFEITO JACKSON HOLE

Gatilho para os mercados: o maior evento de política monetária dos EUA deve abrir oportunidades de ganho na bolsa

Jerome Powell usou o Simpósio de Jackson Hole para chegar o mais perto até agora de declarar o início do afrouxamento monetário nos EUA e isso pode mexer muito com o seu bolso; entenda como

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Imagem: Montagem Seu Dinheiro / Canva Pro

Poderia ser efeito borboleta, mas é efeito Jackson Hole. O último discurso de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve (Fed) está sendo considerado por alguns como o mais importante do ano para a política monetária norte-americana. Se isso é verdade ou não, só o tempo dirá, mas a sinalização dada nesta sexta-feira (22) pode fazer muito investidor ganhar dinheiro na bolsa

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Powell usou o simpósio em Wyoming para chegar o mais perto até agora de declarar o início do afrouxamento monetário nos EUA — uma sinalização que fez os mercados aqui e lá fora dispararem, renovando recordes intradiários, enquanto o dólar perdeu força. Você pode conferir aqui o movimento dos mercados

Não à toa, João Piccioni, CIO da Empiricus Asset, classificou o discurso de hoje de Powell em Jackson Hole como o mais importante do ano. “Jackson Hole pode ser o grande gatilho para os mercados daqui até o final do ano”, afirmou ele ao programa Giro do Mercado, do Money Times, portal que, junto com o Seu Dinheiro, faz parte da Empiricus.

“Uma queda de juros estrutural nos EUA empurra o crescimento para outras partes do mundo também e é um movimento interessante em longo prazo. Por isso, acredito que esse discurso de hoje em Jackson Hole pode ser o grande gatilho para os mercados daqui até o final do ano”, diz Piccioni. 

Para ele, se esse gatilho for disparado, o S&P 500 deve encerrar o ano ao redor dos 6.800 pontos — atualmente o índice mais amplo da bolsa de Nova York está na casa dos 6.400 pontos — e o Ibovespa conseguirá se manter acima de 140 mil pontos. Hoje, com o discurso de Powell, o principal índice da bolsa brasileira renovou máxima, operando acima de 137 mil pontos. 

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Piccioni chama atenção para ações de empresas de setores como o de tecnologia e de biotecnologia na bolsa. “Na hora que esses juros caem, os bancos conseguem captar mais barato e fornecer um pouco mais caro e a curva de juros vai se ajustando, favorecendo rentabilidade, em uma dinâmica muito interessante e favorável”, afirmou. 

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“No caso de tecnologia, os juros caem e trazem mais dinheiro para a bolsa, além disso, no caso das big techs, são negócios que não dependem exclusivamente da dinâmica dos juros norte-americanos”. 

E o otimismo do CIO da Empiricus se justifica. No ano passado, quando também subiu ao palco de Jackson Hole, Powell sinalizou uma mudança na política monetária norte-americana e, no mês seguinte, o Fed cortou os juros pela primeira vez após quatro anos. “A foto daquele momento é praticamente igual à de agora e, naquele momento, o que vimos depois foi um rali dos mercados”, afirmou. 

Antes da bonança, no entanto, virá a tempestade. “Esse é justamente o momento no qual o governo norte-americano precisa captar recursos para se financiar e isso significa retirada de dinheiro do mercado, então é possível que a gente veja algum estresse nas bolsas antes do gatilho ser disparado”, diz Piccioni. 

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Os juros nos EUA estão sendo mantidos na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano desde dezembro. O mercado — e a Casa Branca — vem pressionando pelo afrouxamento monetário há meses e os indicadores podem estar sinalizando que esse momento finalmente chegou. 

“Está chegando realmente cada vez mais a hora de Powell virar a mão. Os indícios são cada vez mais claros. Se não for em setembro, será em outubro ou dezembro e isso não quer dizer que Trump esteja vencendo e Powell cedendo. Powell está vendo que chegou a hora de mudar os rumos da política monetária”, disse Piccioni. 

Embalado pelo mesmo otimismo do CIO da Empiricus Asset, o Deutsche Bank antecipou de dezembro para setembro a expectativa do primeiro corte de juros do Fed. O banco alemão projeta cortes de 0,25 ponto percentual (pp) em setembro, dezembro e março, aproximando a taxa básica de juros do nível neutro de longo prazo. 

A mudança veio depois que dois pontos chamaram a atenção do  Deutsche Bank no discurso. O primeiro é que Powell destacou que "o equilíbrio de riscos parece estar mudando", apontando aumento dos riscos de queda no mercado de trabalho após dados recentes mostrarem crescimento de empregos mais fraco e revisões para baixo. Ele afirmou que se riscos de deterioração se materializarem, "podem fazê-lo rapidamente na forma de demissões acentuadas e aumento do desemprego". 

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O Deutsche Bank interpreta a afirmação como sinal de atenção que poderia justificar uma resposta de política monetária.

O segundo ponto é que Powell disse que "não obstante, com a política em território restritivo, a perspectiva de referência e o equilíbrio de riscos em mudança podem justificar o ajuste de nossa postura de política". Apesar das ressalvas habituais sobre dependência de dados, o banco alemão considera que essa fala indica "um sinal razoavelmente forte de que Powell está inclinado a reduzir a taxa em 0,25 pp em setembro".

O ING, por sua vez, diz que o discurso de Powell surpreendeu pelo viés dovish, ao endossar a expectativa de cortes de juros adiante. Segundo o banco holandês, Powell colocou em segundo plano "o risco de inflação induzido por tarifas, principalmente devido a um mercado de trabalho enfraquecido", sem descartar o afrouxamento monetário.

O ING destaca ainda que fatores políticos, como a ameaça de Trump de demitir a diretora do Fed Lisa Cook por suposta fraude, podem afetar a percepção de médio prazo, especialmente nos títulos mais longos. O banco avalia que a curva de rendimentos tende a se manter inclinada, com o curto prazo protegido e o longo prazo mais exposto a riscos inflacionários.

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A Capital Economics, por sua vez, destaca que o Fed não está comprometido com uma flexibilização automática. Powell indicou que com a política em território restritivo, a perspectiva básica e o equilíbrio de riscos em mudança podem justificar ajuste em postura de política monetária, sinalizando que um corte de juros em setembro se tornou o desfecho mais provável, no entendimento da consultoria britânica. 

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