Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

FALTA INTEGRIDADE?

Confiança em xeque: mercado de capitais brasileiro recebe nota medíocre em pesquisa da CVM e especialistas acendem alerta

Percepção de impunidade, conflitos de interesse e falhas de supervisão reforçam a desconfiança de investidores e profissionais no mercado financeiro brasileiro

Camille Lima
Camille Lima
16 de setembro de 2025
16:41 - atualizado às 8:06
B3 (B3SA3), operadora da bolsa brasileira, ações, mercados, Ibovespa, renda variável
Imagem: Divulgação

A confiança no mercado de capitais brasileiro está em baixa. Uma sequência de crises de governança, fraudes contábeis de grandes dimensões e suspeitas de manipulação de mercado têm colocado à prova a integridade da indústria local.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Uma nova pesquisa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelou a fragilidade da percepção sobre o mercado, que se mostrou aquém da média. 

O mercado de capitais brasileiro recebeu uma nota média de 2,57 em uma escala de 1 a 5, onde 1 significava "nada íntegro" e 5, "completamente íntegro". Isso coloca o mercado brasileiro em um patamar medíocre, entre a classificação de “pouco íntegro” e “razoavelmente íntegro”.

O levantamento contou com mais de 1.500 respostas, incluindo tanto o público geral quanto profissionais do mercado financeiro. 

Vale destacar que a pesquisa foi realizada entre os dias 28 de abril e 19 de maio de 2025 — isto é, antes da deflagração da Operação Carbono Oculto, que investiga o envolvimento de figuras proeminentes da Faria Lima com o crime organizado e pode colaborar ainda mais para a deterioração do sentimento dos investidores quanto ao mercado brasileiro. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A deterioração da confiança no mercado de capitais brasileiro 

O resultado da pesquisa — com indicadores tão baixos para toda a indústria — levantou preocupações entre especialistas em governança corporativa. 

Leia Também

Segundo Rafael Oliveira, inspetor na Assessoria de Análise Econômica, Gestão de Riscos e Integridade da CVM, os resultados ajudarão a autarquia a entender como o mercado de capitais está sendo visto e a como agir para restaurar a confiança.

Porém, ele destaca que eventuais efeitos de ações que venham a ser implementadas pela CVM só tendem a ser percebidos no médio e longo prazo. 

A pesquisa também indicou uma percepção negativa sobre a eficácia das ações da CVM para garantir a proteção do investidor e a supervisão do mercado. Com uma avaliação média de 2,55, o indicador mostra que, apesar de ações regulatórias, há uma sensação no mercado de que as medidas são insuficientes. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O ponto mais crítico foi a área de supervisão e sanção do mercado, que recebeu as piores avaliações. Entre os entrevistados, também havia uma forte sensação de irregularidades no mercado, como manipulação e insider trading, e críticas à falta de punições efetivas para quem comete essas infrações.

Casos de fraudes como a da Americanas (AMER3) e do IRB Brasil Re (IRBR3), que marcaram o cenário nos últimos anos, foram citados como exemplos emblemáticos que alimentaram ainda mais a sensação de vulnerabilidade no mercado. 

Esses casos, aliados à ausência de medidas mais duras e eficientes pelos reguladores, fizeram com que os investidores e os profissionais do mercado perdessem parte da confiança no sistema financeiro.

O dilema dos assessores de investimento

Outro ponto levantado pelos entrevistados foi o comportamento ético dos profissionais de mercado, especialmente dos assessores de investimentos.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em geral, todos os resultados ficaram abaixo da média no quesito integridade. Porém, os assessores receberam a pior pontuação: 2,17. 

As críticas estavam voltadas a práticas como a recomendação de produtos inadequados para os investidores e a falta de transparência nas remunerações. 

Para muitos dos entrevistados, o modelo baseado em comissões cria um desalinhamento de incentivos, prejudicando ainda mais a confiança.

Mas é preciso destacar que algumas iniciativas recentes ainda não foram captadas pela pesquisa, como a maior transparência na remuneração dos assessores e as novas regras de portabilidade de valores mobiliários. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O mercado de fundos de investimento também tem gerado desconforto. A percepção de conflitos de interesse entre os gestores e as preocupações com a falta de proteção para os investidores minoritários, que muitas vezes se veem em uma posição vulnerável, também figuraram entre os temas mais comentados pelos participantes da pesquisa.

O que dizem os especialistas do mercado de capitais

Na avaliação de Fábio Coelho, presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), a pesquisa conduzida pela CVM é “inédita e corajosa”. 

“Ao medir de forma sistemática a percepção de integralidade no mercado de capitais, a Autarquia assume publicamente que seu modelo de supervisão ainda apresenta fragilidades e precisa de ajustes. O relatório mostra que há espaço para a aplicação de ferramentas de regulação prudencial na prevenção de problemas reiterados, buscando antecipar situações conhecidas e diminuindo a dependência de fiscalização direta e reativa”, disse Coelho ao Seu Dinheiro.

Para ele, os resultados da pesquisa da CVM confirmam percepções já conhecidas dos investidores institucionais: a sensação de ocorrência mais frequente de casos de insider trading e de manipulação de mercado e as dificuldades no processo de reparação de danos após escândalos corporativos. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Em situações emblemáticas, o mercado espera punições mais severas, com capacidade de afastar a sensação de impunidade”, afirmou Coelho. “O desafio será o de fortalecer a capacidade sancionadora e de supervisão, condição essencial para que o mercado de capitais brasileiro avance em legitimidade e credibilidade.”

Para André Camargo, advogado e professor especializado em direito societário, governança corporativa e mercado de capitais, o patamar tão baixo de confiança no mercado brasileiro levanta sérias preocupações sobre a indústria.

“Esse indicador muito baixo é realmente preocupante. Porque tudo bem se houver um certo pessimismo de quem não está atuando profissionalmente, mas a CVM também obteve opiniões de profissionais que atuam no próprio mercado. A média está beirando o limite do pouco íntegro, abaixo de 3,00. É bastante preocupante. Existe uma desconfiança muito grande em relação ao mercado de capitais como um todo”, disse Camargo.

Segundo ele, se os participantes do mercado de capitais estão desanimados e entendendo que a integridade é questionável, isso age como um freio emocional nos modelos de investimento e de negócio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já na visão de Geraldo Affonso Ferreira, conselheiro independente e especialista em governança corporativa, o desafio para o mercado de capitais brasileiro é transformar o diagnóstico dos problemas em ações, de fato.

Segundo ele, são necessários “mais independência e recursos para a CVM, enforcement ágil e transparente, e uma cultura de governança que vá além do ‘box ticking’, realmente voltada à criação de valor sustentável para todos os acionistas”.

Propostas em curso

Um passo importante nessa direção seria o Projeto de Lei 2925 de 2023, que visa melhorar os direitos dos investidores minoritários e reforçar a proteção contra danos causados por atos ilícitos de acionistas controladores e administradores. 

Um dos principais pontos da proposta é a possibilidade de acionistas minoritários e debenturistas passarem a propor ação civil coletiva de responsabilidade. O texto também prevê o aumento da publicidade em processos arbitrais, além do reequilíbrio de incentivos econômicos e riscos para as partes em processos judiciais ou arbitrais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Isso coloca mais gasolina nesta discussão. Porque, se o próprio mercado está dizendo que existe um problema de supervisão, sanção, direito e proteção de investidores, uma resposta do Estado precisaria vir para colocar uma certa pressão”, afirmou o advogado. “Esse projeto de lei recebe mais um insumo importante para que possa ter uma discussão mais rápida e incorporar as melhores ideias”, disse Camargo.

Embora traga propostas de melhorias para o mercado, o PL se tornou alvo de polêmica nos últimos anos, especialmente devido a um artigo que trata da responsabilidade das empresas pelos danos causados aos investidores.

Basicamente, o texto determina que os administradores — e não as companhias — poderão ser civilmente responsáveis pelos prejuízos sofridos por investidores em caso de infração às regulações.

Em discussão com parlamentares em junho, Fabio Coelho, presidente da Amec, afirmou que, “se não houver imputação de responsabilidade das empresas pelos danos sofridos pelos investidores, teremos o caso clássico de risco moral, afastando os incentivos das empresas para melhoria de seus controles”. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
AÇÕES SOBEM FORTE

Braskem: Citi muda de ideia sobre BRKM5 e eleva recomendação logo antes de notícia sobre possível proteção contra credores

1 de abril de 2026 - 11:50

Banco vê alívio com alta dos spreads petroquímicos em meio à guerra no Oriente Médio e eleva preço-alvo para R$ 10, mas incertezas sobre dívida e possível proteção contra credores seguem no radar. Segundo a Bloomberg, falência não está descartada

ESPAÇO E IA

SpaceX, de Elon Musk, reúne 21 bancos para o maior IPO da história, diz Reuters; um deles é brasileiro

1 de abril de 2026 - 10:24

A empresa é controlada pelo fundador e presidente-executivo Musk, que já é o mais rico do planeta com US$ 817 bilhões no bolso, e a captação de ainda mais valor no mercado pode fazer esse valor explodir.

O INIMIGO AGORA É O MESMO

‘Taxa das blusinhas’ pode cair e acende alerta no varejo: Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) estão preparadas?

31 de março de 2026 - 18:35

Para o BTG Pactual, revisão das tarifas pode reacender a pressão competitiva de plataformas estrangeiras, colocando varejistas brasileiros sob novo teste em meio a juros altos e consumo enfraquecido

OPORTUNIDADE SEGUE NA MESA

Vale (VALE3) tropeça e ação cai 6,8% em março, mas mineradora está longe do fim da linha com dividendos extraodinários à frente

31 de março de 2026 - 18:14

Na leitura do mercado, o movimento de queda dos papéis nos últimos 30 dias tem menos a ver com as tensões geopolíticas e mais com fatores específicos

CHEGOU A HORA DE BRILHAR?

Bresco Logística (BRCO11) recua abaixo do valor patrimonial, e analistas veem oportunidade; entenda o que esperar do ativo e do mercado de FIIs daqui para frente

31 de março de 2026 - 16:31

Com os principais segmentos dos FIIs já em ciclo de recuperação, há agora uma fase de expansão potencial, e o BRCO11 é o preferido para brilhar

VISÃO DE ESPECIALISTA

Elétricas, petróleo e construtoras: onde se escondem as oportunidades na bolsa, segundo gestores

31 de março de 2026 - 15:32

Apesar das incertezas sobre a demanda no longo prazo, gestor avalia que o risco de preços muito baixos da commodity diminuiu e que setor do petróleo tem potencial de alta

O QUE FAZER COM AS AÇÕES

Maior alta do Ibovespa: Natura (NATU3) salta mais de 10% com “selo” de gigante global e outro acordo de acionistas. Hora de comprar?

31 de março de 2026 - 14:31

Ações da Natura (NATU3) lideram os ganhos do Ibovespa após anúncio de nova estrutura de governança e sinalização de investimento relevante da Advent, que pode redefinir o valuation e sustentar o interesse pelo papel.

ALÉM DOS GRINGOS

Virada de jogo? Brasil se destaca entre emergentes e investidor local volta à B3, diz Itaú BBA

30 de março de 2026 - 18:04

Segundo o banco de investimentos, o cenário macro mais favorável coloca o Brasil em evidência

VIRADA DE CARTEIRA

Brasileiros perdem interesse na renda fixa e ações ganham espaço aos poucos — mesmo com a guerra aumentando os riscos, diz XP

30 de março de 2026 - 15:42

Levantamento com assessores indica que apetite por risco permanece inalterado, com o sentimento pelo Ibovespa deteriorando na margem

EFEITO BRENT

Guerra, petróleo em alta e novos poços: a combinação que colocou a Brava (BRAV3) no topo da bolsa nesta segunda

30 de março de 2026 - 13:18

Companhia inicia campanha de perfuração e aproveita cenário externo turbulento para ganhar tração no Ibovespa

MERCADOS HOJE

Ibovespa e dólar avançam com mercado dividido sobre a guerra e Galípolo “ganhando tempo”; veja os destaques de hoje

30 de março de 2026 - 11:55

Os mercados começaram a semana sob tensão geopolítica, com guerra no Oriente Médio elevando o preço do petróleo e dividindo investidores, enquanto falas de Galípolo reforçam cautela do BC

FOME DE AQUISIÇÃO

O ‘pacman dos FIIs’ está de volta: GGRC11 fecha compra milionária de galpões; confira os detalhes da operação

30 de março de 2026 - 10:42

De acordo com o FII, a operação, que ainda depende do cumprimento de condições precedentes, com expectativa de fechamento até o fim de abril

QUEM EMAGRE E QUEM GANHA PESO

Fenômeno das canetas emagrecedoras: o “clique” de R$ 50 bilhões que está chacoalhando a bolsa brasileira

28 de março de 2026 - 17:15

Itaú BBA fez uma lista de ações que ganham e que perdem com a popularização do medicamento; confira o ranking

ANOTE NA AGENDA

Depois de sobreviver à guerra e acumular 3% de alta, Ibovespa dá de cara com dados de emprego na semana

28 de março de 2026 - 12:35

Do Caged ao Payroll, a semana será de temperaturas elevadas para a economia global; saiba como os indicadores e as tensões no Oriente Médio mexem com o seu bolso

COMMODITIES, CARRY E ELEIÇÃO

Real barato e petróleo no radar: por que o Bank of America aposta no Brasil contra o México

28 de março de 2026 - 11:32

Com o petróleo em alta e um carry trade atrativo, o BofA Securities aposta na moeda brasileira; confira os alvos da operação e como o cenário eleitoral pode ditar o ritmo do câmbio

O PRÊMIO DE CADA SHOPPING

Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTI11) ou Allos (ALOS3)? Bradesco BBI diz qual é a ‘favorita’ em receita, escala e consistência

27 de março de 2026 - 18:15

Analistas se debruçaram sobre as diferenças das ações de shoppings e afirmam que a qualidade dos portfólios justifica o patamar de preços de cada papel

FII EXPERIENCE 2026

‘O jogo dos FIIs mudou completamente’: Luiz Augusto, sócio fundador da TRX, conta a estratégia da gestora para crescer na nova fase do mercado

27 de março de 2026 - 14:12

O setor caminha para uma redução no número de fundos imobiliários e um foco em veículos maiores, mais robustos e líquidos

DINHEIRO NA CONTA

Renda extra vai pingar: B3 (B3SA3) pagará R$ 372,5 milhões em juros sobre capital próprio — até quando investir para ter direito?

27 de março de 2026 - 13:11

Data máxima para investir nas ações da B3 e ter direito ao pagamento se aproxima; confira o valor por ação e o calendário para a renda extra cair na conta

VEJA DETALHES DO BALANÇO

Azul (AZUL53) tem prejuízo 330% maior em 2025 e projeta ‘voo eficiente’ para este ano

27 de março de 2026 - 12:57

Companhia reporta lucro de R$ 125 milhões no ano passado após prejuízo bilionário em 2024, enquanto resultado ajustado aponta perda de R$ 4,3 bilhões; veja os números

FII EXPERIENCE 2026

FIIs de shopping centers estão com os dias contados? Gestores dizem que não — e a reforma tributária é um dos motivos

26 de março de 2026 - 19:58

Durante evento FII Experience, gestores dizem que o mercado ainda não percebeu os valores patrimoniais desses ativos, que seguem descontados na bolsa

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia