Cyrela (CYRE3) pode ativar ‘gatilho’ que pagaria até R$ 1,9 bilhão em dividendos extraordinários — mas o lucro não deve chegar ao bolso do acionista; por quê?
JP Morgan calcula que a venda de subsidiárias poderia gerar renda extra para os acionistas da Cyrela, mas a operação não seria tão benéfica; entenda

A Cyrela (CYRE3) pode destravar dividendos bilionários de até R$ 1,88 bilhão, segundo estimativas do JP Morgan. Segundo o banco, embora o montante pareça bastante atrativo à primeira vista, todo esse valor não chegaria de fato ao bolso dos acionistas.
Isso porque os proventos seriam gerados no caso da venda integral das participações da Cyrela na Cury (CURY3), Lavvi (LAVV3) e Plano&Plano (PLPL3). No entanto, o retorno total da operação seria limitado devido à redução no preço justo remanescente da construtora.
Ou seja, o ganho com os dividendos seria pontual e compensado posteriormente pela perda de valor dos ativos no balanço da Cyrela. Pelos cálculos do JP Morgan, o retorno total ao acionista seria de apenas 1%.
Na prática, a maior parte do lucro viria da venda das ações acima do valor contábil — um efeito não recorrente. No entanto, após a operação, a empresa ficaria menor e com menos capacidade de geração de resultados.
20% do lucro da Cyrela veio das três empresas
Somente em 2025, a Cury, Plano&Plano e Lavvi adicionaram cerca de R$ 395 milhões ao lucro líquido da Cyrela.
A cifra representou aproximadamente 20% do total reportado, sendo R$ 170 milhões oriundos da Cury, R$ 123 milhões da Plano&Plano e R$ 102 milhões da Lavvi.
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Portato, sem essa contribuição das três empresas, o resultado da companhia seria afetado e, consequentemente, reduzido.
Venda da Cury é o cenário mais favorável, mas com ressalvas
O JP Morgan simulou seis cenários de desinvestimentos. O mais favorável envolve a venda total da fatia de cerca de 15% na Cury, com potencial de retorno de até 14%.
A explicação está na forte valorização de CURY3 desde a estreia na bolsa em 2020 — cerca de 257%, considerando a cotação desta quarta (1) — , o que ampliou a diferença entre o valor de mercado e o valor registrado no balanço da Cyrela.
De acordo com o relatório, essa operação poderia gerar cerca de R$ 1,18 bilhão em dividendos extraordinários. No entanto, nem mesmo esse cenário alteraria a tese estrutural.
O estudo observa que, ao vender a participação total, a Cyrela renunciaria a algo importante: a Cury gera lucro recorrente todo ano.
O JP Morgan aponta que a manutenção dessas fatias ajuda a Cyrela a manter um Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) em torno de 18% a 19%.
Sem a participação da Cury, o ROE implícito cairia para 17,8%. No caso de todas as participações vendidas, o ROE seria de cerca de 16%. Portanto, embora os retornos da Cyrela não dependam exclusivamente da Cury, Lavvi e Plano&Plano, as três companhias ainda fazem "peso" nos resultados da empresa.
Vale lembrar, porém, que a Cyrela já realizou movimentos nessa direção. No terceiro trimestre de 2025, a companhia reportou cerca de R$ 210 milhões em ganhos com a venda de ações da Cury.
Os cenários do relatório levaram em consideração algumas premissas, como a tributação de 15% sobre o lucro com as vendas das participações. Além disso, todas as simulações consideraram que a Cyrela conseguiria cancelar acordos de acionistas sem penalidades.
O acordo atual com as empresas estabelece que a Cyrela deve manter 15% em Lavvi, 14% em Cury e 14% em Plano&Plano.
Vale a pena investir em CYRE3?
Mesmo com o exercício, o JP Morgan mantém recomendação de compra para os pepéis CYRE3, com preço-alvo de R$ 37,50, o que implica potencial de valorização próximo de 30%.
A expectativa do banco é de que a construtora continue se beneficiando da diversificação de negócios, atuando tanto na baixa renda como na média e na alta, além do crescimento das três investidas.
Além disso, os analistas destacam que as subsidiárias da Cyrela incluem ainda a CashMe, uma empresa focada em empréstimos com garantia imobiliária, que tem uma carteira que poderá valer cerca de R$ 2 bilhões — ainda pouco refletido no valuation.
*Com informações do Money Times
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